OPINIÃO
05/03/2014 09:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

A Geração Y brasileira (VÍDEO)

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Nunca uma geração leu tanto sobre si mesma. Todo dia surge um novo artigo falando dos millennials, que é como são chamadas pelos americanos as crianças da safra de 1982 a 2004.

A palavra "millennial" apareceu pela primeira vez em 1987 num artigo acadêmico e a expressão "Geração Y" surgiu seis anos depois. Em 2013 a Time dedicou uma capa ao assunto, bom indicativo de que a coisa já era mainstream.

Isso quer dizer que é a primeira geração que já vem com script. Muito se publicou sobre os baby boomers, por exemplo, mas estes foram ler sobre si muito depois, protegidos pela distância profilática do tempo.

Com um roteiro escrito pelos americanos, adaptado àquela realidade, alguns dos nossos millennials passam o tempo todo atuando segundo as marcações do script. E, muitas vezes, emulando os gringos: mimados, ambiciosos, narcisistas, ansiosos, pouco resilientes, correndo atrás da glória de ficar milionário fazendo aplicativo e salvar o mundo com paixão pelo "social".

Não precisa dizer que muitas empresas também compraram o estereótipo e acabaram criando a expectativa de que os jovens vão resolver todos os problemas do mundo. Claro que não vão. Tudo isso gera enorme frustração em ambas as partes: o problema é o abismo que se criou entre ficção e realidade.

Aproveitamos o processo seletivo do Curso Abril de Jornalismo, para o qual sempre se candidatam mais de dois mil recém-formados, e pesquisamos 300 deles, com média de idade de 23 anos, em oito capitais. Fizemos um pequeno vídeo para contar a história:

A pesquisa, de abordagem etnográfica, conduzida pela antropóloga Valéria Brandini (USP e BR Insights), mostra como os millennials deste grupo não se enquadram no rótulo criado lá fora. A primeira distinção, claro, é o dinheiro. Já ouviu falar de rolezinho na América?

É claro que há meninas e meninos de classe média alta macaqueando o comportamento americano (bons exemplos são os hipsters da Vila Madalena e as patricinhas da blogosfera). Confortáveis na casa dos pais, eles adiam o quanto podem as agruras de uma vida de trabalho.

Mas a maioria, as imensas periferias, também permeáveis à influência da cultura de rua dos EUA, precisa mesmo é de dinheiro para pagar as contas, portanto não há muito espaço para bovarismos.

Todos querem ser reconhecidos, receber feedbacks e trabalhar em algo que dê prazer e faça sentido ideologicamente. Mas quem não? É exatamente isso o que todo mundo sempre quis.

O que mais encanta nessa geração é a capacidade de se adaptar a novas realidades, de entender rapidamente as mudanças, de celebrar a diferença, de pertencer ao mundo e amar, incondicionalmente.

Acompanhe mais depoimentos do Projeto Millennials na página do Curso Abril de Jornalsimo no Facebook.