OPINIÃO
18/02/2014 17:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

A decadência de Larry Flynt, da pornografia aos cassinos

Katie Callan/AP

A revista masculina Hustler, fundada pelo polêmico Larry Flynt, está fazendo 40 anos.

O dicionário define hustler assim:

hus·tler [huhs-ler] noun

1) an enterprising person determined to succeed; go-getter.

2) a person who employs fraudulent or unscrupulous methods to obtain money; swindler.

3) an expert gambler or game player who seeks out challengers, especially unsuspecting amateur ones

4) a prostitute.

Estas são também boas definições para Flynt.

A revista teve, no auge, circulação de 3 milhões de exemplares e hoje agoniza com uma tiragem que mal chega aos 100 mil. Nunca foi exemplo de bom gosto mas, a seu modo, foi relevante e deu a Flynt o status de paladino da liberdade de expressão, sobretudo depois da vitória obtida na Justiça, em 1988, quando a Suprema Corte decidiu que ele tinha o direito de esculachar o reverendo televangelista Jerry Falwell.

Pagou alto preço pelo livre exercício da pornografia e da sátira. Em 1978, num episódio bem retratado no filme "O Povo Contra Larry Flynt", sofreu um atentado quando saía de um tribunal na Georgia e ficou paraplégico. O agressor teria dito que se incomodou com uma imagem de sexo interracial publicada nas páginas de Hustler.

Este é um mercado que internet esmagou: pornografia é free. Alguém como você, com uma câmera e uma garota num quarto de paredes e lençóis brancos, pode ser considerado um pornógrafo em potencial.

Em entrevista à CBS, um decadente Flynt diz, aos 71 anos, que não vai desistir da revista e que no momento trabalha em versões digitais. Diz que as mulheres hoje consomem mais pornografia e que isso é bom para o negócio. Há filmes, roupas e produtos eróticos licenciados sob a marca Hustler.

Mas uma das frentes mais lucrativas do grupo (que ele superestima valer meio bilhão de dólares) é o cassino que começou em Gardena, na Califórnia, há 14 anos. O ativista do discurso livre, quem diria...

Mas continua tendo espaço. À Bloomberg falou recentemente sobre o caso Snowden: "Ele não é um heroi, cometeu um crime, mas abriu um diálogo importante." Vale ver o vídeo, Flynt continua sendo uma figura

(Texto publicado originalmente no meu blog)