OPINIÃO
14/03/2016 17:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Em São Paulo, programa de mobilidade urbana preserva vidas

Mesmo diante destes resultados altamente positivos, ainda há muito a ser feito até que a cidade de São Paulo alcance a meta estabelecida pela ONU para a Década de Segurança Viária (2011-2020). Tal meta estabelece o índice de 6 mortes por 100 mil habitantes até 2020. Hoje esse índice em São Paulo está em 8,36. A escala tem sido decrescente, pois em dezembro de 2014 o índice era de 10,47 mortes por cada 100 mil habitantes e, desde então, vem caindo mês a mês. Por tudo isto, tenho confiança de que estamos no rumo certo.

MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO CONTEÚDO

Os resultados do Programa de Proteção à Vida, cujos reflexos também na área de proteção e respeito aos direitos humanos se fazem evidentes, já são realidade na cidade de São Paulo.

Iniciado em 2013 pelo prefeito Fernando Haddad, o programa reduziu em 21,4% o número de mortes no trânsito da capital. Um total de 246 vidas foram salvas entre janeiro e dezembro de 2015, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

De janeiro a dezembro de 2014 ocorreram 1.150 mortes no trânsito paulistano e em igual período de 2015 foram 904.

Os ótimos resultados são consequência de uma série de ações em busca da redução de atropelamentos e acidentes de trânsito. Entre as medidas adotadas, destacam-se as áreas de 40 km/h, a Frente Segura (espaços reservados à bicicletas e motocicletas em frente aos semáforos), faixas diagonais para pedestres em cruzamentos de intenso fluxo e a redução da velocidade máxima para 50 km/h nas vias arteriais da cidade, em especial, nas avenidas marginais.

Depois de provocar intensos debates e muita polêmica, vê-se agora que a redução da velocidade máxima, combinada com outras ações, foi uma medida corajosa do prefeito Haddad, que obteve pleno êxito.

O estudo realizado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) constata que houve uma redução de 23,9% no número de mortes de pedestres. Foram 506 vítimas fatais de janeiro a novembro de 2014 e 385 no mesmo período de 2015. Declínio semelhante ocorreu com as mortes de motoristas e passageiros, com queda de 18,3% - 191 casos em 2014 e 156 no último ano.

No caso das mortes envolvendo motociclistas, os resultados são igualmente positivos. A redução registrada nos óbitos de motociclistas foi de 19% - de 410 vítimas fatais, em 2014, para 332 em 2015.

Percentualmente, o estudo da CET indica que os acidentes fatais envolvendo ciclistas foram os que obtiveram os melhores resultados, com uma diminuição de 27,4%. Foram 43 mortes de ciclistas entre janeiro e novembro de 2014, ante 31 no mesmo período de 2015.

Dessa forma não se pode deixar de enfatizar o trabalho realizado pelo secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto. Assim como a redução da velocidade máxima, as ciclovias implantadas pela atual gestão municipal têm sido alvo de muitas críticas.

Ainda que correções e adaptações tenham que ser feitas, não há dúvida de que a expansão das ciclovias é uma medida acertada, proporcionando mais segurança e salvando vidas.

Até o início de fevereiro deste ano, a cidade de São Paulo contava com 381 km de malha cicloviária, dos quais 284,4 km feitos pela atual gestão.

Sempre objeto de muitas discussões acaloradas e, por vezes, inclusive mal compreendidas, tais ações da Prefeitura de São Paulo visam, no fundo, humanizar uma megalópole que por décadas cresceu de modo desenfreado, privilegiando o transporte individual em detrimento do coletivo.

Neste sentido, vale registrar os 500 km entre faixas exclusivas e corredores de ônibus, outra medida alvo de contestação, mas com resultados que tem trazido mais segurança e melhoramento do fluxo do transporte público, reduzindo o tempo gasto dentro dos ônibus do município, em especial para as pessoas que vivem nas regiões periféricas da cidade.

Mesmo diante destes resultados altamente positivos, ainda há muito a ser feito até que a cidade de São Paulo alcance a meta estabelecida pela ONU para a Década de Segurança Viária (2011-2020). Tal meta estabelece o índice de 6 mortes por 100 mil habitantes até 2020.

Hoje esse índice em São Paulo está em 8,36. A escala tem sido decrescente, pois em dezembro de 2014 o índice era de 10,47 mortes por cada 100 mil habitantes e, desde então, vem caindo mês a mês.

Por tudo isto, tenho confiança de que estamos no rumo certo.

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