OPINIÃO
28/09/2015 20:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

640 milhões de pessoas podem estar erradas?

Pelo que sabemos da história, a resposta é sim. Mas hoje temos 640 milhões de cidadãos de mais de 80 megacidades liderando os esforços em busca de soluções locais para o clima - todas integrantes do Grupo de Liderança do Clima das Cidades, o C40

C40

640 milhões de pessoas podem estar erradas? Pelo que sabemos da história, a resposta é sim. Mas hoje temos 640 milhões de cidadãos de mais de 80 megacidades liderando os esforços em busca de soluções locais para o clima - todas integrantes do Grupo de Liderança do Clima das Cidades, o C40, com economias que, juntas, equivalem às dos Estados Unidos e da Índia somadas.

Os cidadãos de hoje querem cidades prósperas e habitáveis; e eles exigem e apoiam ações de seus prefeitos. Com o lançamento de uma nova estrutura das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, incluindo uma meta urbana que há muito venho defendendo, prefeitos de todos o mundo estão liderando as ações climáticas, demonstrando unidade e ambição ao nos aproximarmos da Conferência do Clima de Paris. E, em Paris, vamos ser parte de uma enorme reunião de líderes municipais, cujo anfitrião será a prefeita de Paris, minha amiga Anne Hidalgo.

Recentemente, prefeitos americanos e chineses estiveram lado a lado numa reunião de cúpula em Los Angeles, onde o C40 anunciou a entrada de duas cidades chinesas no grupo: Guangzhou e Nanjing. Quando o C40 foi fundado, dez anos atrás, quem teria imaginado que, cansadas de esperar, grandes cidades americanas e chinesas liderassem a cooperação nacional nessas questões? O fato é que as cidades estão dando uma contribuição inestimável em busca de uma solução climática global e estão mostrando o caminho para compromissos nacionais igualmente ambiciosos.

Enquanto as megacidades continuam crescendo, e enfrentamos questões atuais de congestionamento, má qualidade do ar e poluição. Também estamos diante do impacto da mudança climática - tais como ondas de calor, secas e inundações. Me orgulho de o Rio ter demonstrado um plano climático vigoroso e transparente - tornando-se a primeira cidade a atingir todas as exigências do Compacto de Prefeitos. Sabemos que, quando as cidades estabelecem metas, as probabilidades de que elas atuem em relação ao clima aumentam três vezes. Me alegra que mais de 160 cidades de todo o mundo tenham assumido compromissos similares no que diz respeito ao Compacto de Prefeitos.

Quando o C40 foi criado pelo então prefeito de Londres, Ken Livingstone, a maioria das ações climáticas das cidades consistia de pequenos projetos pilotos. Hoje, graças ao compartilhamento de informações e ao que foi aprendido, 50% das ações envolvem cidades inteiras. Vimos o número de prefeitos investindo em corredores de ônibus - dedicados a ônibus de baixas emissões de carbono - pular de 21 para 35 cidades em apenas dois anos. Este ano, em Buenos Aires, 35 grandes cidades assinaram a Declaração dos Ônibus Limpos, pedindo que os fabricantes utilizem motores elétricos e outros modelos de baixas emissões, usando a mesma tecnologia que transforma a frota de ônibus chineses. Em 24 cidades do C40, há mais de 160 000 ônibus em operação. Se apenas um terço deles for convertido para veículos de baixas emissões até 2020, 900 000 toneladas de CO2 deixarão de ser emitidas anualmente.

Os principais economistas do mundo reunidos na Comissão Global sobre a Economia e o Clima, liderados pelo ex-presidente mexicano Felipe Calderón, mostraram que investimentos em transporte público urbano, eficiência e melhor gerenciamento do lixo podem representar uma economia global de 17 trilhões de dólares até 2050. Menos emissões de carbono e um caminho resiliente de desenvolvimento vão resultar em melhorias mais rápidas das condições de vida, contribuindo para mitigação da pobreza, melhoria da qualidade do ar e da mobilidade, criação de empregos e, no fim das contas, para um futuro mais justo para todos.

Este ano, pela primeira vez, metade das cidades do C40 são do Sul Global, uma área que se urbaniza rapidamente, com oportunidades de transformar as metrópoles para um futuro de baixo carbono. A prioridade, agora, é estabelecer recursos para ações climáticas. Isso se conseguirá com o Fundo Climático das Cidades, que vai ajudar cidades com problemas de capacitação e acesso a financiamentos. Essa é uma recomendação chave do Relatório da Nova Economia do Clima, que argumenta que um pacote integrado de instituições variadas no total de 1 bilhão de dólares ao longo de cinco anos poderia apoiar pelo menos as 500 maiores cidades do mundo. Até 2020, ele poderia alavancar de 5 bilhões a 10 bilhões em financiamento do setor privado. Até a COP21 em Paris, o C40 vai apresentar propostas para conseguir esses recursos.

640 milhões de pessoas não estão erradas quando querem que os prefeitos do C40 assumam a liderança. Aceitamos o desafio. Com a chegada iminente da COP21, a boa notícia é que os prefeitos de todo o mundo estão se unido para demonstrar que a revolução do baixo carbono começa nas cidades. E ela começa agora.

Este post é parte de uma série produzida pelo The Huffington Post, "Tem Jeito: Metas de Desenvolvimento Sustentável", em conjunto com as Metas de Desenvolvimento Sustentável (MDS) das Nações Unidas. Os marcos propostos serão objeto de discussão na Assembleia Geral da ONU, entre 25 e 27 de setembro, em Nova York. As metas, que vão substituir as Metas de Desenvolvimento do Milênio (2000-2015), cobrem 17 áreas-chave do desenvolvimento - incluindo pobreza, fome, saúde, educação e igualdade de gêneros, entre várias outras. Como parte do compromisso do The Huffington Post com um jornalismo orientado a soluções, essa série de posts sobre as MDS se concentrou em uma meta por semana durante o mês de setembro. Este post, publicado no primeiro dia da Assembleia Geral da ONU, lida com todas as metas.

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