OPINIÃO
22/05/2014 09:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Juntar é a saída

Essa sociedade complexa que ergueu muros, colocando ricos do lado desenvolvido e pobres do lado miserável do país, me deu uma importante lição: generalizar impossibilita o avanço, o consenso, a mudança.

Semana passada, um time de 7 jovens líderes (Marcela Monteiro, Patrícia Meirelles, Ricardo Politti, Antônio Neto, João Agnelli, Filipe Sabara, Daniela Filomeno), todos bem nascido e otimamente criados, educados em escolas particulares, com viagens internacionais e currículos invejáveis, se uniram a mim, nascido na contramão social, para criar os recursos necessários ao impacto.

Juntos e misturados, realizamos um jantar pra captar recursos ao instituto que fundei, o Gerando Falcões. Em 8 dias de trabalho duro, juntamos mais de 100 líderes, sendo artistas, empresários, jornalistas, apresentadores, ex-presidiário, no Jardim Europa, pra doar e ajudar a minha organização a inspirar 50 mil jovens no segundo semestre de 2014. E deu certo. Levantamos R$ 70 mil reais, que virão divididos em 12 parcelas.

Esta grana será transformada em arte, em música, em literatura, em teatro, em esporte na periferia, que vai restaurar a autoestima, multiplicar sonhos e fertilizar a esperança de milhares de estudantes que diariamente se veem abandonados, escravizados pelo sistema, que teima dizer - diariamente - que eles não podem.

Os 7 jovens líderes paulistanos, que se mobilizaram em redes, a Patrícia Meirelles, que abriu as portas da sua agradável casa pra receber o jantar, os convidados, que alteraram as suas agendas, mostraram que se isolar, se esconder do mundo e dos problemas, não vai mudar o Brasil.

O que vai empurrar este país pra frente é a mistura; o ajuntamento de gente do bem, com propósito. Um bom exemplo é o Marcelo Tas, apresentador do CQC, que foi ao evento, fez uma fala matadora de preconceitos, sobre a importância da elite se envolver nas lutas sociais do país, doou e ainda foi aplaudido de pé e, depois, aplaudiu de pé. Ele usou o seu prestígio social pra lançar luz sobre um projeto que pode contribuir com a juventude.

Inverter a narrativa de desigualdade é missão de gente comprometida e depende do engajamento de todos. E, pra fazer isso, a periferia precisa abrir mão do preconceito e aceitar o outro, que venha do lado privilegiado do país, desde de que esteja disposto a agregar com transparência e valor. A elite tem de renunciar ao isolamento, porque não dá pra viver numa bolha a vida toda, precisa se juntar ao outro sobrenome, ao outro CEP, à outra cor, ao outro número de celular. E pra classe política é imperativo renunciar ao desvio do dinheiro público. Porque os bilhões arrecadados todos os anos não são deles, mas, sim, do povo e para melhorar a vida do povo.

Esse movimento de mudança nas relações representa uma ruptura com o individualismo e ingresso no pensamento coletivo. Porque se o Brasil der errado, todo mundo deu errado. Se der certo, todos nós, ricos, pobres, negros, brancos, moradores do Jardim Europa, Morumbi, Capão, Poá ou Cidade Tiradentes, daremos certo.

Não importa de onde as pessoas vêm, mas sim pra onde elas querem levar o Brasil. Chegou o tempo de arrumarmos uma marreta e derrubarmos os muros que nos separam. Nosso encanto não está em nossa individualidade, mas em nossa coletividade. #TamosJuntos

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