OPINIÃO
24/02/2015 22:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Eleja o seu transformador

Não existe perda ou vitória no singular. A derrota ou o sucesso é plural. São de todos. Vencemos ou perdemos juntos. Quando permitimos o garoto Marcos entrar na escola com o potencial de se tornar um engenheiro, um médico, mas ocorre um erro químico-social-estrutural-administrativo, que faz dele o Marcola, nós fracassamos como País, como cidadãos, como líderes.

Gertrud K./Flickr
gesehen in/seen at Berlin-Kreuzberg

Um mini-documentário narrado pelo ator Wagner Moura, dirigido pelo cineasta Fernando Grostein. Algumas horas de capacitação "vip" com o ex-vice presidente executivo do Itaú BBA, Rodolfo Fischer. Um chá da tarde de mentoria com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e um "jantar pensante" com Marina Silva. Um investimento semente na conta do seu negócio social, pra tocar a iniciativa, durante 6 meses. E uma vasta rede de contatos, que consta nomes como: Luciano Huck e Deniz Mizne, o hábil diretor executivo da Fundação Lemann, entre outros.

Caso você tivesse nascido na favela, visto de perto o real significado da desigualdade, da exclusão e, de repente, alguém, por entender que você criou algo que pode causar um tremendo impacto social no País, te oferecesse esta lista de incentivos acima, provavelmente, você acharia que fosse um golpe.

Mas acredite: não foi! O Instituto PDR entrou na minha trajetória e acelerou os meus passos. Colocou cálcio nos meus ossos, pra eu enfrentar uma maratona de anos e não cair no terceiro mês da corrida empreendedora. O iPDR, que leva as letras iniciais de uma família: sendo Patrícia, Daniel e Ricardo Villela Marino, existe para que líderes sociais, donos de boas ideias e força para tirar o plano do papel, não morram pelo caminho -- devido à falta de incentivo.

Todo cidadão capaz de desenrolar um pensamento independente e consistente, já "se ligou", que esperar o governo resolver os dramas sociais do País, como diz a minha mãe: é só "cansaço e fadiga".

Temos de fazer novas apostas e apostas novas, que vai além de escolher pelo quadro político "menos pior" a cada 4 anos. Temos de eleger, como sociedade, nossos transformadores e empurrar inventivo pra cima deles.

Vou ser mais claro, irmão. Quando um empreendedor social, que entrega seus esforços para transformar uma comunidade, não consegue fechar a conta no fim do mês, todos nós fracassamos.

Não podemos, como País, permitir que a boca de fumo da esquina faça mais grana e gere mais emprego e sustentabilidade, que uma organização social. Pesquisa da Fasfil, feita em 2010, mostra que 72% das ONGs no Brasil não possuiam sequer um funcionário formalizado. Como saída pro "trampo social", utilizavam o trabalho voluntário.

Não ter recurso para contratar sequer um colaborador e viver da boa vontade de voluntários, certamente, não é a estratégia sonhada pelo empreendedor que deseja imprimir mudança na sua quebrada.

Alguém pode ter como argumento botar a culpa numa suposta incapacidade do empreendedor em levantar recursos. No entanto, o gesto mais agregador, é seguir o exemplo do iPDR e se conectar com esses empreenderores, se integrar ao problema, para juntos, encontrarem a saída.

Toda vez que um empreendedor social se vê sem dinheiro para quitar o aluguel do espaço onde ele ministra aulas de literatura, reforço escolar, música ou dança, seja lá onde você estiver, acredite, você fracassou junto com ele.

Não existe perda ou vitória no singular. A derrota ou o sucesso é plural. São de todos. Vencemos ou perdemos juntos. Quando permitimos o garoto Marcos entrar na escola com o potencial de se tornar um engenheiro, um médico, mas ocorre um erro químico-social-estrutural-administrativo, que faz dele o Marcola, nós fracassamos como País, como cidadãos, como líderes.

O iPDR segurou firme nas minhas mãos e disse: "vamos lá, Edu". O Instituto Gerando Falcões, organização que fundei, não está entre as maiores do Brasil, ainda. Mas minha caminhada é longa e eu caminho sonhando com a minha participação na mudança do Brasil. Ainda hoje, tenho de fazer um "corre" de fôlego pra fechar a conta, mas essa conta nunca deixou de fechar.

A grana que o iPDR depositou em nossa conta deixou de cair no sexto mês, no entanto, ainda estamos de pé, porque fomos capacitados pra continuar mesmo quando de cara tudo pareça que o melhor caminho seja desistir.

Enquanto a história do Edu Lyra não for uma regra, enquanto o empreendedor social juntar as moedas pra quitar a conta de luz, que, aliás, deve subir 42% em 2015, pode botar fé, nós fracassamos como brasileiros. Faça como o iPDR, eleja o seu transformador e dê cálcio pra ele.

Talvez o seu cálcio não seja assinar um cheque de doação. Não faz mal. O importante é assinar o seu comprometimento e engajamento. Colocar o seu melhor à mesa. No mundo atual, em meio a tantas crises, não ser engajado é o mesmo que arrancar o crachá de brasileiro e #partiu.