OPINIÃO
06/07/2015 18:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Acnur alerta que 137 mil migrantes atravessaram o Mediterrâneo em 2015

O resultado é 80% maior se comparado aos 75 mil registrados no mesmo período de 2014.

Dan Kitwood via Getty Images
LAMPEDUSA, ITALY - APRIL 23: Migrant men wait in line to board a ship bound for Sicily on April 23, 2015 in Lampedusa, Italy. It is expected that EU leaders in Brussels are to agree later that only 5,000 resettlement places across Europe are to be offered to refugees under a new emergency summit crisis package. Hundreds of migrants continue to arrive in Lampedusa from North Africa taking advantage of calm seas. Hundreds of migrants are believed to have perished over the last week as they attempted to cross the Mediterranean from Libya to Italy in order to seek refuge. (Photo by Dan Kitwood/Getty Images)

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, alertou que o número de pessoas que atravessaram o Mediterrâneo em direção à Europa neste ano bateu o recorde.

Segundo a agência da ONU, entre janeiro e junho, 137 mil migrantes e refugiados chegaram à Itália e à Grécia vindos do norte da África ou do Oriente Médio.

Sem Precedentes

O resultado é 80% maior se comparado aos 75 mil registrados no mesmo período de 2014.

O Acnur afirmou ainda que as mortes atingiram também um nível sem precedentes, com mais de 1,3 mil pessoas afogadas ou desaparecidas só no mês de abril. Neste mesmo período do ano passado, esse número foi de 42.

O relatório da agência explica que a maioria dos que chegaram à Europa estavam fugindo de guerras, conflitos ou perseguições.

O documento mostra que a travessia pelo mar Mediterrâneo ganhou novos contornos com a rota que passa pela Turquia e Grécia levando mais refugiados e migrantes do que a que sai da África para a Itália.

O Acnur informou que mais de 30% dos migrantes são da Síria, seguida pelo Afeganistão e a Eritreia.

Proteção

O Alto Comissariado para Refugiados, António Guterres, disse que "enquanto a Europa debate a melhor forma de lidar com o aumento da crise no Mediterrâneo é preciso deixar claro que a maioria dos que chegam ao continente é de refugiados em busca de proteção".

O relatório diz que historicamente os números aumentam nos meses de verão no hemisfério norte. Os especialistas acreditam que as chegadas de migrantes na Europa podem dobrar no segundo semestre deste ano.

Guterres afirmou ainda que "os riscos continuam reais para milhares de pessoas que tentam atravessar o Mediterrâneo todas as semanas.

Segundo o Acnur, entre janeiro e março deste ano, 479 migrantes morreram afogados ou desapareceram durante a viagem. No ano passado foram 15 durante o mesmo período.