OPINIÃO
18/03/2018 23:21 -03 | Atualizado 18/03/2018 23:25 -03

Há perigo na esquina

Um poema sobre Marielle e a guerra interminável...

Divulgação/NINJA
Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram executados no Rio de Janeiro.

Uma hora a bomba explode

Na mão da mulher

Na mão da negra

Na mão da periferia

Na mão da Marielle.


Uma hora a bomba explode

Na mão da criança

Na mão da grávida

Não na mão do prefeito

Nem na mão do pastor.


Uma hora a bomba explode

Na mão do cotista

Na mão do estudante

Na merenda da escola.


Uma hora a bomba explode

Não na mão do senador

Nem na mão do deputado

Foi na mão da vereadora

No colo do motorista.


Uma hora a bomba explode

Na mão do PM

Na porta da UPP

Na mão do inocente

Talvez no tanque de guerra

Não na mão do Sistema.


A bomba só explode em quem luta.


Uma hora a bomba explode

Em quem paga o imposto

Em quem paga o dízimo

Em quem paga a milícia.


A bomba explodiu na Estácio

Nos comentários das notícias

Na Maré e na casa do Anderson.


A explosão ecoou

Nas ruas de SP

Nas capitais do País

Por todo o mundo

E na sua cara.


Estão matando gente

Estão matando a gente

Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?


*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.