OPINIÃO
28/03/2014 10:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Resultados positivos do divórcio

Quando não é possível levar o casamento adiante e não existe outra alternativa, para salvar sua vida emocional e às vezes física, além de garantir a saúde mental e o bem-estar de seus filhos, às vezes a única saída é para "fora".

Imagine que você está preparando a comida favorita de seu marido ou da sua esposa. Ele(a) entra pela porta na hora do jantar e você o(a) saúda. De repente o humor dele(a) muda, sem qualquer provocação. É como se uma nuvem escura tivesse coberto o ambiente. Você começa a pensar freneticamente, perguntando-se o que você fez, o que você falou? Esse tipo de cenário se repete inúmeras vezes entre alguns casais. Isso pode reduzir a autoestima, esgotar os recursos emocionais e matar a alma das pessoas.

Ou, quem sabe, seu casamento parece ter empacado e não vai para frente. Você já chegou a esse ponto várias vezes antes com seu marido ou sua esposa, e vocês dois não sabem mais o que fazer. Quando não é possível levar o casamento adiante e não existe outra alternativa, para salvar sua vida emocional e às vezes física, além de garantir a saúde mental e o bem-estar de seus filhos, às vezes a única saída é para "fora".

É nesse momento, quando você toma a decisão de mudar sua vida, de defender a você mesma e a seus filhos, que se justifica procurar a ajuda de um psiquiatra ou psicólogo.

Resultado positivo do divórcio, número 1: refletir sobre você mesma e curar-se

Com orientação profissional, você pode descobrir o que afetou a sua escolha de um parceiro e assegurar-se de nunca voltar a cometer o mesmo erro. Esse refletir sobre você mesma(o) e curar-se é um dos resultados mais positivos de um divórcio. Ao fazer esse trabalho interior, você pode conhecer e admitir seus padrões psicológicos próprios que a(o) levaram a um relacionamento disfuncional, para começo de conversa. Depois, se conseguir integrar de volta a sua psique aqueles padrões primordiais de sua família de origem, poderá redimi-los e nunca mais precisará repeti-los.

Nesse momento de trauma maior, suas defesas caem por terra, e pela primeira vez em muito tempo você revela seu eu natural. Esse é o núcleo sadio e não defendido de sua existência, e é partindo desse espaço de sua força própria que você poderá se curar, renovar-se e renascer. Ao entrar em contato com seu eu autêntico, você vai automaticamente construir sua autoestima, a depressão irá embora, e você poderá adotar um estilo de vida mais saudável e feliz.

Quando você se apaixona inicialmente, pode projetar seu ideal sobre seu amado(a): o melhor de quem você é, as lentes cor-de-rosa de sua imaginação. É isso o que chamamos de projeção. Contudo, ao suprimir quem você verdadeiramente é, simplesmente para facilitar a convivência com o parceiro, você consome energia vital simplesmente para reprimir seus sentimentos.

Você ainda se sentirá compelida(o) a se aproximar daqueles padrões antigos que funcionavam para você em sua família de origem. Contudo, porque você agora tem consciência deles, enxergará os sinais de alarme por toda parte e, portanto, terá a oportunidade de não ceder àqueles impulsos que a impelem em direção ao relacionamento errado. Com isso, você abrirá espaço para o relacionamento certo. Essencialmente, você estará mudando um hábito. E à medida que cresce e rompe com seus hábitos antigos, você se permite a oportunidade de viver um relacionamento diferente com um novo cônjuge. É importante lembrar que somos diferentes quando estamos com pessoas diferentes.

É uma restauração, com a qual você volta a seu potencial pleno --aquilo que você foi feita(o) para ser. Um(a) parceiro(a) saudável é aquele(a) que carrega as características positivas de nosso pai (no caso das mulheres) ou mãe (no caso dos homens). É por isso que o segundo casamento pode ser uma realização, uma relação mútua. Até sua saúde física pode ser restaurada.

Resultado positivo número 2: saúde melhor

Sabemos que os telômeros, aqueles aneizinhos em volta dos cromossomos que vão caindo à medida que envelhecemos, também caem quando estamos estressados. Milagrosamente, podem ser restaurados com mudanças de estilo de vida positivas. Assim, ao libertar-se de um relacionamento que não é saudável, você não apenas pode ganhar saúde mental e física como também acrescentar anos à sua vida, graças à felicidade.

Resultado positivo número 3: autoconfiança e empoderamento

Logo após o divórcio, seu primeiro sentimento talvez seja o medo do desconhecido. Contudo, ao assumir sua capacidade mais plena, o verdadeiro eu, conforme descrevo acima, haverá uma automática reconstrução de sua autoestima, seu senso de individualidade, sua capacidade de ter intimidade e sua energia criativa, permitindo que você recupere o poder do qual abriu mão no relacionamento negativo. Em meu trabalho como pesquisadora, educadora e especialista em comportamento humano, pude ver que os casamentos fracos com frequência são baseados em atitudes possessivas, falta de intimidade, necessidade de espaço e distância e necessidade de exercer controle.

Resultado positivo número 4: dar a seus filhos um exemplo de relacionamento positivo

Finalmente, por mais difícil que um processo de divórcio possa ser para seus filhos, também lhes dá a oportunidade de observá-la cometendo erros humanos -- e crescendo com isso. Enquanto você faz seu trabalho interior e reconquista seu eu verdadeiro, seus filhos a estarão observando e poderão aprender como é importante se autovalorizar. Eles também terão a oportunidade de aprender como se comportar e reagir se acabarem em situação semelhante no futuro. E, finalmente, mais no futuro você poderá dar a seus filhos o exemplo de um casamento verdadeiro e saudável.

Os melhores relacionamentos nascem da força, não da fraqueza. Quando você estiver inteira(o) e se conhecer, conhecerá alguém com quem a relação poderá ser mútua. Esse será um casamento nascido da força, não da falta dela. A partir do momento em que os padrões críticos e negativos dos relacionamentos ruins forem abandonados, você poderá se soltar no eu não defendido. Redescobrindo a si mesma(o), aquele eu interior que você era antes de se casar, seguindo seus ritmos próprios para dormir, ser, ficar em casa e sair, você atua em prol de você mesma(o) e, com isso, descobre que sua autoridade se reforçou. Isso lhe devolverá um senso de controle, permitindo que você chore o passado e abrace o futuro.