OPINIÃO
04/06/2014 13:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Precisamos respeitar o Estatuto da Criança e do Adolescente

Um estudo demonstrou que crianças e adolescentes agredidos no começo da vida ficam com uma área do cérebro, que são as mesmas responsáveis pela administração do nosso humor e da nossa motivação, muito vulnerável ao uso futuro de drogas. Temos que mudar esta estatística.

Getty Images

Infelizmente no Brasil, bater em criança ainda é uma forma de impor autoridade para impedir as "peraltices" destes pequenos. As escolas têm que aperfeiçoar seu papel fundamental de mostrar aos pais outros caminhos para educar, e cabe ao Poder Judiciário fazer com que o Estatuto da Criança e do Adolescente seja respeitado.

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) demonstrou que a agressão física durante a infância ou adolescência aumenta em quase três vezes o risco de dependência química na idade adulta. De acordo com o 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), 21,7% dos brasileiros apanharam dos pais ou cuidadores quando crianças, enquanto em outros países este índice nunca passa de 12%. Entre os usuários de maconha, este índice é de 47,5% e de cocaína sobe para 52%.

O estudo demonstrou que crianças e adolescentes que sofrem agressão ou qualquer tipo estressante no começo da vida ficam com uma área do cérebro - que são as mesmas responsáveis pela administração do nosso humor e da nossa motivação - muito vulnerável ao uso futuro de drogas, explica Clarice Madruga que foi uma das coordenadoras deste estudo.

Temos que mudar esta estatística. Não dá para ficar repetindo uma prática de impor autoridade do século passado. Adolescente não-complicado é fruto de um ambiente familiar saudável. Sabemos que a família é à base de tudo e os pais precisam aprender a lidar melhor com seus filhos. Se esta prática já não funcionava no passado, imagine agora, onde o ambiente externo é cheio de facilidades para se obter drogas e álcool.

Dá para mudar. Mas é preciso mais investimento em educação e conscientização dos "apaixonados" que desejam ter filhos.

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