OPINIÃO
03/04/2014 09:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Origem e hábito do leitor

Lendo o Estadão de alguns dias atrás, o editorial com o título "Origem e destino do leitor" me levou a reconhecer ainda mais para onde estamos indo quando se trata de um tema que vem desde a época de Jesus Cristo há 2.000 anos. O tema é: a informação.

Ninguém vive numa ilha e o ser humano necessita das informações.

Não sou jornalista, mas entendo que o mundo mudou radicalmente nos últimos 20 anos. O grande desafio de nossos bons editores que escrevem textos e matérias nas revistas e jornais é se comunicar com este indivíduo que necessita da "informação" séria e bem escrita.

O que aconteceu nestes últimos 20 anos que acabou gerando um nível de desconhecimento jamais visto nesta geração mais jovem?

- Saímos de um modelo de "segmentação" para o modelo de "fragmentação"; estamos hoje no modelo de "tribos", mas caminhando rapidamente para o modelo do "indivíduo".

- Então, como se comunicar diretamente com o "indivíduo"?

O risco é a criação de guetos - como explica a matéria - onde se criará pequenos grupos com as mesmas opiniões fazendo com que estas pessoas se afastem dos "diferentes". Este é o modelo mais perverso de se criar um ambiente de pessoas totalmente desinteressadas pelos assuntos comuns a todos. Este é um cenário propício para um governante manipular uma população inteira de um país já que só com recursos ilimitados - de nossos impostos - é possível gerar informação nas mais variadas plataformas com textos escritos sem a menor intenção de informar, mas sim de manipular o "indivíduo".

Hoje já temos uma realidade que se resume da seguinte forma:

- Entre a população mais escolarizada, 56% nunca leem, e só 14% o fazem diariamente. E, ainda assim, não passam mais que uma hora lendo e no resto do dia passam em média 3 horas e 40 minutos na internet.

- O internauta passa 220 minutos diários na internet pulando entre dezenas de sites, checando seus emails, entrando e saindo de suas redes sociais.

- Então, veja só o dilema desta geração "pós internet". Enquanto a informação no formato impresso tem história e contexto, o que resulta numa reportagem bem feita, na internet tudo é fragmentado e totalmente disperso.

Vai chegar um dia que encontraremos um jeito de levar a "informação" de forma individualizada, mas num contexto onde o leitor possa se situar de forma mais comprometida com os assuntos de interesse geral e não só de suas tribos.

Eu acredito numa sociedade que se ajusta às mudanças que ocorrem de tempos em tempos. Mas isto leva anos e anos. Portanto, jovens internautas, vamos pelo menos se interessar um pouquinho mais nos assuntos que dizem respeito a 200 milhões de brasileiros.