OPINIÃO
26/01/2015 16:03 -02 | Atualizado 30/01/2017 17:52 -02

As esperanças gregas com a vitória do Syriza

O presidente do Syriza repete insistentemente que o novo governo fará de tudo para resgatar a dignidade humana do povo. Seria mais adequado dizer que o necessário é proteger a democracia e refundar um Estado do povo para o povo.

Reuters

O partido de esquerda Syriza venceu as eleições em um domingo ensolarado no meio do inverno grego. Algo sem precedentes na Grécia que sempre foi governada por partidos da direita ou do centro. A notícia circulou pelo mundo, mas está, infelizmente, acompanhada de uma falsa impressão, a de que a Grécia só enfrenta uma crise econômica. Essa impressão é superficial e oculta aspectos da realidade do país e da Europa.

Não é uma simples crise econômica que se resolve com medidas técnicas, mas uma opção política dos governos anteriores que cortaram pela metade os salários e as aposentadorias e triplicaram os impostos para os trabalhadores e a classe média, isentando o capital.

O Syriza possui maioria parlamentar estável e promete mudar isso. Os gregos não esperam por milagres, mas por três importantes mudanças. Primeiro esperam o enfrentamento da tragédia humanitária que vivenciam, há cinco anos: famílias sem aquecimento no inverno e um terço da população desempregada.

A segunda esperança dos gregos é democratizar a estrutura da União Europeia. Garantir a igualdade entre Estados-membros contra as pretensões de supremacia da Alemanha. É, ao mesmo tempo, mudar o rumo da política econômica e social. A UE não pode ser uma máquina que produz austeridade e desmantela os Estados sociais, aumentando a desigualdade social. Há fortes indícios de que as autoridades econômicas da Europa aceitarão essa mudança de rumo. Será necessário suspender a dívida estatal que paralisa a economia grega e abandonar as regras do Estado mínimo e da supremacia dos "mercados". A Grécia continua sendo o laboratório das mudanças na Europa.

A terceira esperança é que a humanização da situação social mude também a situação política.

Nos últimos anos, os governos construíram um Estado policial que reprimia violentamente os protestos populares. Fortaleceu-se o partido neonazista Aurora Dourada que criou grupos paramilitares aterrorizando imigrantes e militantes da esquerda, sendo hoje a terceira maior força política da Grécia. Uma mudança de mentalidade é urgente.

O presidente do Syriza repete insistentemente que o novo governo fará de tudo para resgatar a dignidade humana do povo. Seria mais adequado dizer que o necessário é proteger a democracia e refundar um Estado do povo para o povo.

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