OPINIÃO
06/07/2014 17:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Protesto nas ruas, força das redes e Copa: um retrato da campanha eleitoral de 2014, que começou há mais de um ano

Um retrato completo do que foi até aqui a campanha eleitoral, autorizada oficialmente hoje em todo o País

Montagem/Estadão Conteúdo/Reuters

A propaganda de candidatos das eleições de 2014 está liberada a partir deste domingo (6).

Veículos com alto-falantes podem anunciar nomes, siglas e números.

Comícios com os políticos postulantes estão autorizados.

Na internet, diversos sites de candidatos já entraram no ar.

Este é o início oficial da campanha eleitoral no Brasil, mas o marco zero destas eleições foi a série de protestos que sacudiu o País em junho de 2013.

A imprevisível ocupação das ruas por milhares de descontentes desnorteou políticos de todas as esferas.

A presidente Dilma Rousseff foi à TV na tentativa de dialogar com os manifestantes pacíficos e de repreender os "arruaceiros", como ela se referiu:

Adotando discurso de candidata à reeleição, ela elogiou "o impulso dessa nova energia política" e prometeu atender aos insatisfeitos. "Poderemos fazer melhor e mais rápido muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas", disse.

Acertou cinco pactos com a população (assista ao vídeo acima). Desses, efetivamente saíram o programa Mais Médicos, que importou profissionais estrangeiros e gerou um racha entre médicos brasileiros e governo federal, e a sanção da Lei dos Royalties do Petróleo, que destina à educação 75% dos royalties do petróleo e 50% do fundo social do pré-sal.

O start das manifestações de junho foi o aumento de R$ 0,20 na passagem do transporte público de São Paulo.

A força do Movimento Passe Livre (MPL) e a repercussão negativa da repressão policial na capital paulista espalharam o clamor por outras cidades.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito Fernando Haddad sentiram o possível ônus político-eleitoral de não ceder àquela pressão.

Resultado: vitória das ruas. Alckmin e Haddad decidiram voltar a tarifa de ônibus e metrô para R$ 3.

Surfando no fenômeno #vemprarua, políticos já ensaiavam suas pré-candidaturas ao se apresentar como alternativa àqueles que reivindicavam mudanças, sobretudo a juventude nas ruas.

O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) mirou os eleitores jovens na gravação do programa partidário do PSDB que foi ao ar na TV no início do segundo semestre de 2013.

Em uma conversa com "a moçada", ele disse entender as manifestações dirigidas a todos os partidos e governantes. "Tá todo mundo cansado de enrolação, das mesmas promessas, do mesmo jeito; chega, é papo reto, o que que dá pra fazer?", disse, com linguajar jovial.

Após os protestos eclodirem, o então governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), conversou com o ex-presidente Lula sobre o "momento delicado" enfrentado pela sociedade brasileira.

Ainda na base do governo Dilma, Campos aludiu à necessidade de se construir um novo pacto político para refletir os anseios da população brasileira. "Temos que pensar mais no Brasil; não é com a velha política que vamos recuperar a crença do povo brasileiro sobre o futuro do País", afirmou em junho de 2013.

Três meses depois, desembarcou da base aliada do PT. Entregou ministérios e cargos e disse que seu partido não admitia fisiologismo.

A pretensão de Eduardo Campos de se tornar presidente da República ganhou um apoio expressivo em outubro, após a ex-ministra Marina Silva não conseguir registrar seu partido, o Rede Sustentabilidade.

Ela agregaria à chapa do pernambucano o buzz gerado pela onda verde nas redes sociais, que lhe rendeu quase 20 milhões de votos nas eleições de 2010.

Força das redes sociais

A propaganda eleitoral na TV e no rádio, que começa dia 19 de agosto, ainda é prioridade para os marqueteiros políticos.

Para emplacar uns segundinhos a mais na tela, é que se despe o bacanal eleitoral de coligações esdrúxulas dos partidos nos estados.

Entretanto, a votação expressiva de Marina Silva, há quatro anos, e os protestos agendados pelas redes, em 2013, sinalizaram aos bunkers de campanha que o digital será peça imprescindível na engrenagem eleitoral de 2014.

Por isso, Dilma Rousseff se aproximou de seu divertido alter-ego, Dilma Bolada, e voltou ao Twitter no fim do ano passado:

De lá para cá, foram bate-papos, selfies e até hi-fives da presidente.

Aécio também não perdeu tempo e, no período pré-Copa, colou em uma figura bastante conhecida do futebol para angariar popularidade.

Postou foto com Ronaldo Nazário em maio deste ano no Instagram e Twitter.

Campos e Marina, oficializada sua vice em abril, apostaram no Hangout para conversar com os internautas e espalhar a mensagem do dueto.

O bate-papo por internet foi um recurso bastante usado pelo ex-governador no primeiro semestre deste ano:

Os ataques pelas redes também começaram cedo em 2014.

Pelo Facebook, o PT chamou Eduardo Campos de playboy animado em janeiro.

Aécio recorreu ao Google para bloquear buscas que relacionem seu nome ao uso de entorpecentes.

A página TV Revolta atingiu 3,6 milhões de likes no Face, com claro intuito de derrotar o PT.

A Copa do Mundo, enfim!

A uma semana do encerramento da Copa do Mundo, o clima de pessimismo que antecedia o início da competição foi quase totalmente debelado pela vibração de torcida e festividade de brasileiros e estrangeiros.

Se pesquisas em fevereiro mostravam uma maioria insatisfeita com o Mundial no Brasil, agora registra-se o crescente orgulho da organização da Copa entre os brasileiros.

A salva de vaias e xingamentos ouvidos pela presidente Dilma, na abertura da competição, acabou virando munição eleitoral para o próprio governo.

Lula transformou a manifestação de desrespeito em um embate entre elite e povo. E, claro, o discurso encontrou eco.

O PT está faceiro com a melhora no humor do País para sacramentar a reeleição de Dilma.

Mas o PSDB de Aécio e o PSB de Campos apostam na vontade de mudança, que incendiou as ruas no ano passado e continuou com greves e mais protestos neste ano, para o País virar a página em 2015.

Os próximos três meses serão a continuação e o acirramento de junho de 2013...

A conferir.

LEIA MAIS:

- Calendário eleitoral mostra as principais datas da campanha

- Como evoluiu o patrimônio dos três principais presidenciáveis nos últimos quatro anos

Galeria de Fotos Quem são os candidatos à Presidência Veja Fotos