OPINIÃO
31/12/2015 16:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Por um 2016 com menos intolerância e mais autocrítica

Este foi (mais) um ano de ataques na política brasileira, brigas raivosas, polos de ódio e desqualificação. Enquanto essa for a conduta, sinto que não vamos crescer nem chegar a lugar algum -- ao menos, a um bom lugar. Coxinhas descascam petralhas, que detonam revoltados, que vociferam contra mortadelas. Em meio a insultos, provocações e depreciação recíproca, sepultamos o diálogo.

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Olhar para dentro é olhar para frente.

Não há como falar sobre perspectivas, sobre futuro, sem fazer uma reflexão genuína sobre o presente -- nossas atitudes e convicções.

Para que o ano-novo seja melhor, devemos reconhecer o que não foi bom neste. O que não foi bom, antes de tudo, em nós mesmos.

Quais os nossos erros em 2015? Por que erramos assim? Como podemos corrigir nesta nova jornada que se inicia amanhã?

Olhar para dentro, primeiro.

É fácil criticar o outro, acusar o alheio.

Culpar a vida, o mundo, os pais, o chefe, o namorado, os filhos, o externo por nossos problemas.

Mas, se são nossos, então somos nós que temos de enfrentá-los, de lidar com eles.

Sem terceirizar, mas abraçando essa batalha interna que visa ao aprimoramento pessoal.

Recentemente, li algo como: "Nós não nos revelamos naquilo que falamos de nós mesmos, mas sim naquilo que falamos dos outros".

Apesar do tom de autoajuda, considerei um argumento adequado com o texto que eu preparava como derradeiro de 2015.

Este foi (mais) um ano de ataques na política brasileira, brigas raivosas, polos de ódio e desqualificação.

Enquanto essa for a conduta, sinto que não vamos crescer nem chegar a lugar algum (ao menos, a um bom lugar).

Coxinhas descascam petralhas, que detonam revoltados, que vociferam contra mortadelas.

Em meio a insultos, provocações e depreciação recíproca, sepultamos o diálogo.

Agarramo-nos às nossas verdades absolutas. E não aceitamos a opinião do outro para refletir sobre a nossa.

Não toleramos a divergência, mas cultuamos a briga, o antagonismo.

E assim nos encastelamos em uma unívoca zona de conforto política, ideológica, mental e emocional.

Apenas um tipo de postura é possível: rechaçar os contrários. Rechaço tudo aquilo com que não concordo e que não admito questionar em mim.

Se buscamos melhorar e construir -- de fato -- em 2016, precisamos nos libertar dessa forma de pensar e agir.

Para construir pontes com os diferentes, precisamos primeiro construir nossas próprias pontes. Que nos permitam lidar com nossas ambiguidades e nuances. Nossas, das pessoas, da vida.

Olhar para dentro.

Desejo a você mais autocrítica no ano que vem.

Assim pode ser mais construtivo... Para você e para aqueles que o cercam.

E daí olhamos para frente.

Feliz 2016!

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