OPINIÃO
25/09/2015 02:06 -03 | Atualizado 05/02/2017 22:51 -02

Nós não aceitamos a família que vocês estão impondo, deputados!

A comissão especial optou por reforçar a célula-chave da sociedade como exclusivamente fruto da relação entre homem e mulher. Foram 17 votos contra a diversidade.

Com uma salva de palmas e gritos de "viva a família", deputados festejaram nesta quinta-feira (24) a aprovação do projeto que restringe o conceito de família a casais heterossexuais.

O Estatuto da Família interdita as diferentes composições familiares, formadas por casais de gays e lésbicas.

Impede, portanto, que laços de amor entre duas pessoas sejam reconhecidos na lei como um arranjo familiar. Simplesmente porque são do mesmo sexo.

Desde novembro do ano passado, o Brasil Post se posicionou contra esse estatuto e propôs o Manifesto da Família, a fim de incorporar os novos formatos de núcleos familiares à legislação brasileira.

familias

Entretanto, a comissão especial responsável por apreciar o estatuto na Câmara dos Deputados optou por reforçar a célula-chave da sociedade como exclusivamente fruto da relação entre homem e mulher.

Foram 17 votos contra a diversidade.

Os nomes dos parlamentares com os quais não concordamos são os seguintes:

Anderson Ferreira (PR-PE)

Aureo (SD-RJ)

Carlos Andrade (PHS-RR)

Conceição Sampaio (PP-AM)

Diego Garcia (PHS-PR)

Pastor Marco Feliciano (PSC-SP)

Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ)

Evandro Gussi (PV-SP)

Flavinho (PSB-SP)

Eduardo Bolsonaro (PSC-SP)

Geovania de Sá (PSDB-SC)

Marcelo Aguiar (DEM-SP)

Pastor Eurico (PSB-PE)

Silas Câmara (PSD-AM)

Elizeu Dionisio (SD-MS)

Jefferson Campos (PSD-SP)

Professor Victório Galli (PSC-MT)

O problema de uma votação como essa é a influência da Bancada Evangélica e grupos religiosos no Legislativo brasileiro.

Quando religião e política se imiscuem, a arena de debates públicos dá lugar a demonstrações de fundamentalismo e intolerância.

Se os 17 parlamentares acima dizem que pretendem resguardar os direitos das famílias, por que estão sonegando a oportunidade àqueles que pensam diferente de suas crenças religiosas?

Em seu post de comemoração no Facebook, o presidente da comissão especial, Sóstenes Cavalcante, deixa claro a força-motriz de sua agenda "política" (grifos meus):

"Parabéns a todos os parlamentares envolvidos e a você que orou, que compartilhou a informação e agora sabe que avançamos para que o Estado tenha responsabilidade com as famílias brasileiras e as assegure direitos!"

A votação do texto principal foi concluída, mas ainda restam quatro destaques para serem votados.

Se eles forem aprovados, o projeto não precisa nem passar pelo plenário da Câmara e vai direto para o Senado.

Mas nós, brasileiros que defendemos os direitos humanos e as liberdades individuais, não vamos aceitar esse conceito restritivo de família que vocês estão nos impondo, deputados!

E nós não estamos sozinhos nesta batalha!

O Judiciário está do nosso lado, tendo reconhecido a legitimidade da união homoafetiva em diversas dimensões.

A nossa família, quem define somos nós. Cada um de nós.

Não precisamos de um Congresso Nacional para legislar sobre nossa vida afetiva, em vez de trabalhar efetivamente para organizar o País.

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