OPINIÃO
05/10/2015 01:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Eduardo Cunha: Pede para sair que tá feio

Sugerimos que deixe o comando da Câmara pela constatação de que mentiu no Parlamento, quando inquirido por outros deputados, e pelas denúncias de seu envolvimento na Operação Lava Jato.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara se tornou uma das figuras mais importantes, poderosas e temidas da República brasileira neste 2015.

Mas não foi apenas por suas articulações e manobras, que levaram a tantas derrotas do governo no Congresso Nacional neste ano.

Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se fortaleceu em um cenário de inépcia completa de um Executivo trôpego, com recuos, recuos dos recuos, bateção de cabeça entre ministros, e uma desarticulação política que é característica da presidente Dilma Rousseff e de seu (ex-)escudeiro, Aloizio Mercadante.

O chefe de uma das casas do Legislativo foi ganhando espaço, ovacionado por seus asseclas. Porque peitava o governo, foi também angariando a simpatia de antipetistas e até críticos de Dilma.

Atropelou os ritos legais ao propor uma segunda votação da redução da maioridade penal, para levar crédito como o responsável por acolher a demanda de 87% dos brasileiros.

Nenhuma de suas manobras ou mesmo ações questionáveis como presidente da Casa seria motivo para que deixasse o cargo.

Política no Brasil vem sendo feita sempre nesse jogo de interesses, bate e assopra, bate mais. Ou assopra mais.

De perfil conservador, Cunha incitou o lado mais retrógrado da Câmara com pautas controversas. Assim, tornou-se inimigo dos defensores dos direitos humanos.

Evangélico, foi um dos fiadores do Estatuto da Família à distância.

Neste momento, há cinco projetos de autoria de Cunha tramitando na Casa que são um retrocesso.

Entre eles, o absurdo PL 5069/2013, que inviabiliza o atendimento médico às vítimas de estupro e acesso dessas mulheres à pílula do dia seguinte.

Essas propostas são contrárias a bandeiras editoriais do Brasil Post porque seu cerne é discriminatório contra mulheres e homossexuais.

Ainda assim, esses projetos não justificariam afastar Cunha da presidência da Casa.

Assim como Bolsonaros e afins, Cunha tem mandato, foi legitimamente eleito, e está na Câmara para acolher as demandas de seus eleitores. Mais que isso, reflete-os, representa-os.

O que faz o Brasil Post sugerir ao deputado mais falado deste ano que deixe o comando da Câmara é a constatação de que mentiu no Parlamento, quando inquirido por outros deputados, somada às denúncias sobre seu envolvimento na Operação Lava Jato.

Na semana passada, um lobista apontado como operador do PMDB na Petrobras disse que pagou propina a Cunha em uma conta na Suíça. Segundo João Henriques, o depósito total foi de US$ 7,5 milhões.

Eis que, poucos dias depois, o Ministério Público Federal (MPF) atesta: autoridades suíças encontraram cerca de US$ 5 milhões em contas secretas de Cunha no país. Procuradores da Suíça investigam se Cunha montou um esquema de lavagem de dinheiro.

Em março, Cunha negou ter quaisquer recursos no exterior ou em paraísos fiscais:

"Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu Imposto de Renda."

Foi uma mentira dita em sessão da CPI da Petrobras, que investiga justamente as irregularidades na estatal.

É uma mentira ainda pior se depreendermos que esconde tantas outras mentiras -- a suposta lavagem de dinheiro investigada na Suíça e mesmo aqui no Brasil.

Não dá para esquecer que o MPF denunciou Cunha por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele foi acusado de receber US$ 5 milhões de um ex-executivo da Toyo Setal para intermediar um contrato de navios-sonda com a estatal.

O nome de Cunha está afundado em denúncias sobre corrupção na Petrobras. E ele é o chefe da Casa que está tentando apurar esse imbróglio.

É um conflito de interesses... Manter-se nessa posição, e com o poder que o cargo lhe confere, pode ajudá-lo a movimentar as peças políticas e até institucionais para dissimular seu envolvimento com qualquer denúncia.

Como já alertara o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Cunha confunde o público com o privado.

Fez isso ao se beneficiar do cargo para tentar anular provas colhidas contra ele no sistema de informática da Câmara, nas investigações da Polícia Federal.

É uma situação insustentável, de afronta ao funcionamento das instituições -- Polícia Federal, MPF, Câmara -- e de comprometimento dos trabalhos de combate à corrupção.

Pede para sair, Cunha.

Pede para sair da presidência da Câmara.

Sua gestão por aí será bastante lembrada, mas seu tempo se esgotou.

Precisamos descobrir, sem interferências (suas), de onde vieram esses (seus) milhões, escondidos na Suíça, e quiçá outros, escondidos sabe-se lá onde.

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