OPINIÃO
02/05/2014 17:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos: campanha bomba a dois meses do início oficial

O trio presidenciável não quer perder tempo e busca divulgar o nome e marcar posição para ir encorpando as candidaturas até 6 de julho, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral.

Faltam pouco mais de dois meses para o início da propaganda eleitoral. No entanto, maio já começou em clima de campanha na TV, nas rádios, redes e ruas.

Os principais pré-candidatos à Presidência da República já haviam saído do ninho no início do ano, mas nesta semana ficou mais claro que todos já levantaram voo para antecipar a briga nas urnas.

- A presidente Dilma Rousseff fez promessas para o eleitor, em cadeia de rádio e televisão, e alfinetou o PSDB.

- O senador Aécio Neves atacou a petista, subiu em carro de som dos trabalhadores e posou ao lado de um cabo eleitoral-celebridade.

- O ex-governadorEduardo Campos também participou das comemorações do 1º de Maio e criticou Dilma.

O trio presidenciável não quer perder tempo e busca divulgar o nome e marcar posição para ir encorpando as candidaturas até 6 de julho, quando começa oficialmente a campanha.

Tirei uma foto da campanha neste momento para que os leitores saibam o que estão fazendo os três principais postulantes ao Palácio do Planalto. Todo início de mês, farei um novo clique para que acompanhemos o voo solo de cada um deles.

Dilma Rousseff (PT)

Mesmo com o impasse sobre o 'Volta, Lula', com empresários, integrantes da base aliada como o PR e até petistas favoráveis ao retorno do ex-presidente, a reeleição de Dilma é apontada como a aposta do PT.

A presidente está cada vez mais ativa no Twitter, evidentemente por meio de seu gabinete de comunicação digital.

É difícil hoje haver um tema sobre o qual a presidente não se pronuncia, com uma imediata repercussão medida em centenas de retweets.

Antenada, [a equipe de] Dilma fala da morte de personalidades à ação #nãomereçoserestuprada.

Um dos gols de placa da presidente, como líder internacional, foi tomar para si a realização do #NetMundial2014, conferência global em que sancionou o Marco Civil da Internet, chamado de "constituição da Internet" brasileira.

Para se mostrar engajada, Dilma chegou a mandar um hi-five para os internautas que participavam de um bate-papo com ela na semana passada.

Um dos maiores empecilhos da presidente neste momento é a crise da Petrobras, impulsionada pela revelação de que ela avalizou em 2006 a compra da refinaria Pasadena, no Texas. O negócio se mostrou péssimo para a estatal e é alvo de várias investigações.

A presidente tenta a todo custo sepultar a CPI da Petrobras, investigação capitaneada pela oposição no Congresso.

Em seu pronunciamento de 1º de maio, por ocasião do Dia do Trabalhador, Dilma buscou se defender e jogar os oposicionistas contra os trabalhadores.

"Não transigirei, de nenhuma maneira, em combater qualquer tipo de malfeito ou atos de corrupção [na Petrobras]... Mas igualmente não ouvir calada a campanha negativa dos que, para tirar proveito político, não hesitam em ferir a imagem dessa empresa que o trabalhador brasileiro construiu com tanta luta, suor e lágrimas", discursou Dilma, como em um palanque.

No mesmo discurso, aproveitou para anunciar reajuste de 10% nos benefícios do Bolsa Família e correção na tabela do Imposto de Renda. Também prometeu que o governo do PT nunca será do "arrocho salarial" e da "mão dura contra o trabalhador", em uma cutucada no PSDB.

Aécio Neves (PSDB)

O tucano tornou-se o principal líder da oposição na busca pela instalação da CPI da Petrobras, uma comissão exclusiva para investigar as irregularidades dentro da estatal.

Possivelmente a ampliação de sua visibilidade no noticiário e da voz dele contra Dilma resultou no crescimento dele nas pesquisas eleitorais.

Segundo a CNT, Aécio e Campos cresceram com as intenções de voto perdidas por Dilma.

Para se tornar ainda mais simpático aos eleitores, especialmente do PT, posou ao lado do ex-jogador Ronaldo. A imagem dos dois juntos, postada pelo empresário, teve mais de 40 mil curtidas no Instagram e 68 mil no Facebook.

Na quinta-feira (1º), o senador mineiro mostrou que vai ao encontro dos eleitores nas ruas e subiu no carro de som da Força Sindical em evento do Dia do Trabalhador.

Ao lado do deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que lhe prometeu lealdade, Aécio criticou o pronunciamento de Dilma no dia anterior.

"A presidente da República protagonizou ontem um momento patético da vida pública brasileira. Ela utilizou um instrumento do Estado, que é a cadeia de rádio e televisão, para fazer proselitismo político, para atacar adversários. As medidas que ela anuncia vêm na direção daquilo que propomos há muito tempo", discursou Aécio, como em um comício.

Depois de falar com o povo ontem, Aécio tratou com as elites nesta sexta-feira (2).

No Fórum de Comandatuba (BA), organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), ele condenou a política econômica do PT e destacou ter "divergências profundas" com o governo Dilma.

Ele arrancou aplausos dos empresários ao dizer que não vê Eduardo Campos como adversário. "Somos companheiros de trincheira do mesmo sonho", afirmou.

Eduardo Campos (PSB)

Se uma chapa está mais do que sacramentada na corrida presidencial, é certamente a união do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) com a ex-ministra Marina Silva (Rede). Abril foi o mês do lançamento oficial da pré-candidatura de Campos a presidente e Marina a vice.

Sintonizados com as redes sociais, combinam bate-papos com os internautas - sem necessariamente respondê-los - e tuítam sobre as questões nacionais.

Diferentemente dos opositores, Campos vem assumindo posições sobre assuntos polêmicos: disse que é contra o aborto e contra a redução da maioridade penal.

Campos quer mostrar para o eleitorado que é alternativa para quem espera mudanças - mirando os milhares de brasileiros que foram às ruas nas manifestações de junho do ano passado. Simbolicamente, disse que o senador José Sarney, que há décadas é base aliada do governo do momento, será oposição em uma possível gestão do PSB. "O senador Sarney terá meu respeito, mas no meu governo ele será oposição durante os quatro anos."

Ontem (1º), Campos também foi ao evento da Força Sindical, criticou o discurso "eleitoral" de Dilma e a "ingerência política" na Petrobras.

"Nós precisamos resgatar a Petrobras da situação em que se encontra. Ela precisa ter respeitado o planejamento estratégico", defendeu, como em campanha.

Assim como Aécio, hoje (2), ele também foi aplaudido pelos empresários da Lide ao defender o "combate real à inflação".