OPINIÃO
18/11/2014 14:58 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

As seis coisas mais engenhosas que os humanos estão fazendo esta semana

Nem sempre pode parecer o caso, mas vivemos uma era de ouro da imaginação e da invenção. Isso não quer dizer que o mundo não sofra com violência, pobreza e injustiça. Mas, muito tempo atrás, nossa espécie dos grandes símios deixou as outras para trás.

NICHOLAS KAMM via Getty Images
Uncharted Play founder and CEO Jessica Matthews shows her company's invention, Soccket, a soccer ball that generates electricity for an attachable reading lamp, at the Forbes Under 30 Summit in Philadelphia on October 21, 2014. AFP PHOTO/Nicholas KAMM (Photo credit should read NICHOLAS KAMM/AFP/Getty Images)

Nem sempre pode parecer o caso, mas vivemos uma era de ouro da imaginação e da invenção. Isso não quer dizer que o mundo não sofra com violência, pobreza e injustiça. Mas, muito tempo atrás, nossa espécie dos grandes símios deixou as outras para trás. Nos reinventamos como exploradores, construtores, comunicadores, artistas e sonhadores. Isso nunca foi tão verdade como hoje: as mentes criativas trabalham a serviço do planeta e dos outros.

A mudança climática, a pobreza e a fome são problemas complexos e globais e, portanto, inspiram soluções igualmente complexas, capazes de mudar o mundo. Hoje podemos embarcar numa carreira de engenheiro, o que nos permite uma vida confortável e também pode ajudar a reduzir a pobreza, alimentar quem tem fome, preservar a biodiversidade e evitar a mudança climática. Nunca antes fomos tão perigosos para o planeta e para nós mesmos - e ao mesmo tempo tão capazes de cooperar em busca de soluções pacíficas.

O que mudou? Não foi uma coisa só, mas sim várias. Graças à globalização, notícias locais correm o globo em um flash. O próprio número de pessoas no planeta significa um poder cerebral exponencialmente maior. Enquanto espécie, estamos gerando muito mais ideias. Graças à revolução digital, as pessoas estão disparando ideias pela internet, ideias que se trombam e se enroscam como partículas subatômicas.

A sombra da mudança climática, urgente e visível em todo o mundo, está fazendo as pessoas se mexer. Há um grande movimento de capitalismo do bem (startups verdes, grandes empresas adotando práticas verdes), fundos de investimento que apoiam somente projetos sustentáveis e humanitários e muitas empresas que têm finalidade social, mas sem abrir mão do lucro. Têm surgido parcerias improváveis entre populações nativas e gigantes corporativos, como a IKEA.

A cada semana descubro mais soluções criativas de cair o queixo. Muitas são economicamente inteligentes, além de adequadas ambientalmente e cheias de compaixão. Eis seis das minhas favoritas neste momento:

1. Soccket, uma bola de futebol que gera eletricidade quando é arremessada ou chutada. Um quinto da humanidade, ou 1,2 bilhão de pessoas, não tem acesso a eletricidade ou depende de fontes sujas, como querosene e diesel, que representam riscos de segurança e lançam gases do efeito estufa na atmosfera. Essas pessoas precisam de fontes de energia limpas, independentes do sistema elétrico, que possam ser usadas em qualquer lugar. A Soccket tem um pêndulo interno que armazena a energia cinética. Jogar com a bola por meia hora gera energia suficiente para acender uma lâmpada de LED por três horas.

Distribuída em áreas pobres do Brasil, do México e da África do Sul, a Soccket pesa apenas 30 gramas a mais que uma bola comum e não precisa ser enchida. A Uncharted Play, empresa que criou a Soccket, também conta com "gurus de sustentabilidade", que ensinam a usar recursos locais para "inspirar invenções sociais".

Adoro que a Uncharted Play tenha sido formada por dois alunos do primeiro ano da Universidade Harvard. O projeto foi financiado em uma campanha no Kickstarter. Em seu site, eles anunciam orgulhosamente: "Fazemos brinquedos que geram energia renovável e inspiram invenções sociais... Fazer o bem não precisa ser entediante". Nem pouco saudável.

Eles também criaram uma corda de pular que gera energia. Ou, se você preferir, uma gangorra que armazena energia. Produzindo eletricidade com brincadeiras - o método de aprendizagem favorito do cérebro --, a empresa oferece energia barata e limpa e ajuda as pessoas se manter ativas e saudáveis. Imagine um parquinho em que as crianças saibam - por mais jovens que sejam - que estão levando eletricidade e luz para suas famílias ou vizinhos.

Outra empresa teve uma ideia similar. A Solepower acaba de lançar uma palmilha de sapatos que se parece com qualquer outra. A diferença é que ela acumula a energia de cada passo e a armazena em uma pequena bateria.

Como a Soccket, esse produto vai se tornar moda no mundo inteiro, especialmente para aqueles que não querem levar um carregador de celular em suas viagens. Mas o público-alvo são pessoas pobres, que moram em vilarejos sem eletricidade, e um dos objetivos é evitar o uso de querosene, diesel e outros poluentes para a geração de energia.

2.Como não amar uma estrutura que come poluição? Um hospital da Cidade do México apresentou sua nova fachada de treliças, com buracos redondos e ovais. Moderna e elegante, a estrutura aberta parece um detalhe arquitetônico. Mas imagine um prédio que silenciosamente purifique o ar à sua volta, neutralizando a poluição de até mil carros por dia. Imagine as calçadas pavimentadas com o recém-inventado cimento que absorver poluição.

3. Entre minhas inovações prediletas estão as fazendas urbanas de algas - um protótipo para cidades de todo o mundo - montadas em um viaduto de Genebra, na Suíça. Um lodo verde de algas circula pelos canos transparentes, se alimentando do dióxido de carbono liberado pelos carros. Desenhada pela empresa de design holandesa Cloud Collectiv, a instalação mostra como comida e biocombustíveis podem ser produzidos num cenário urbano. A empresa escolheu o ponto por se tratar de um lugar "particularmente violento e fora de sintonia com a ideia de que um jardim possa ser um abrigo de paz e tranquilidade". A ideia é provar que até mesmo uma "estrada, com suas concessionárias de carros - apesar do seu caráter anônimo e genérico - pode ter um papel importante" na produção de comida e combustível.

4. Cada semana parece trazer novos avanços em energia solar. A primeira ciclofaixa solar vai ser inaugurada na Holanda, junto com a primeira estrada solar. Somos cada vez mais uma espécie urbana. Imagine o que significa transformar a maioria das vias de transporte em fontes de coleta de energia solar.

Na semana passada, a CSEM, uma empresa sem fins lucrativos da Suíça, revelou paineis solares brancos que podem ser instalados nas paredes (em vez de nos telhados). No passado, paineis solares eram pretos, para absorver mais luz do sol. Mas a CSEM está revestindo os paineis em um plástico que reflete a luz em todas as direções - e portanto parece branco - sem deixar passar os raios infra-vermelhos.

É uma união virtuosa de psicologia, fisiologia, design industrial, nanotecnologia e engenharia, todos atuando juntos para resolver um problema global. Os paineis não ofendem nosso senso estético e oferece aos arquitetos mais possibilidades criativas; exploram a fisiologia peculiar do olho humano, esquentam menos (por causa da cor branca) e mais eficientes; e também podem ser usados para revestir ônibus, telefones, laptops, celulares e outras facetas da nossa vida tecnológica.

Outro pequeno avanço solar que tem grandes chances de mudar nossa vida diária: o projeto de mochilas solares Repurposed Schoolbags, criado por duas empreendedoras sul-africanas. Feitas de sacolas plásticas recicláveis, elas são distribuídas para crianças que não têm condições de comprar mochilas e que precisam caminhar grandes distâncias até a escola. A energia colhida durante o trajeto pode ser usada em casa na hora de fazer a lição de casa.

5. "Tem gosto de frango". A startup Beyond Meat quer criar um substituto da carne animal que seja verdadeiramente palatável. Outras empresas já tentaram criar alternativas, mas sem muito sucesso. A Beyond Meat tem uma abordagem high-tech. A empresa recombina as proteínas vegetais de soja e ervilhas, usando aquecimento, resfriamento e pressão. O resultado é uma proteína cuja textura é muito parecida com a da carne. A ideia é não apenas agradar aos vegetarianos que não são fãs de tofu, mas sim reduzir a superabundância das fazendas gigantes. Fazendas industriais tomaram o lugar de milhões de hectares de florestas, e vastas nuvens invisíveis de flatulência dos animais contribuem para agravar o efeito estufa.

6. Recifes artificiais. Em The Human Age, escrevi sobre meus mergulhos no Caribe com uma diferença de 20 anos entre eles, a perda de recifes de corais em todo o mundo e os esforços para recuperá-los ou substitui-los. Recentemente ouvi falar do trabalho do escultor e ambientalista Jason de Caire Taylor encomendado pelo Museu Subaquático do Caribe para criar esculturas belas e provocativas que também funcionam como recifes de corais, mudando de cor e textura conforme os corais crescem, os peixes circulam e a vida do recife floresce.

Nossas invenções nos reinventam como espécie, sejamos pobres ou ricos. Linguagem, cozinha, agulhas, agricultura, estribos, medicina, ciência, indústria - tudo mudou nossa evolução de maneiras intrigantes.

Por exemplo: com a agricultura de grãos, nossos dentes perderam o fio e nossa altura média caiu. A saga continua hoje, pois inventamos sem parar, inventamos novos inventos para compensar os problemas climáticos resultantes de invenções passadas. Nosso mundo é perigoso, mas também inspirador.

Disciplinas como design industrial e engenharia estão abrindo seus leques para lidar com questões como a mudança climática e a pobreza. É uma época empolgante. Cheia de sustos, sim, mas também de possibilidades.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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