OPINIÃO
01/07/2015 14:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Os Minions e o porquê dos pais trabalharem fora

divulgação

O grande desafio da mulher moderna é conseguir equilibrar seu tempo de dedicação ao trabalho e aos filhos. Se você é mãe, sabe que estou colocando isso de forma light. Na verdade, há um cabo de guerra dentro de cada mulher moderna e ela é puxada com toda a força pelos braços em direções opostas - de um lado o trabalho e do outro os filhos. E isso dói. Queremos as duas coisas. Mais do que isso, precisamos das duas coisas. Se ter filhos é provavelmente a razão biológica para estarmos aqui, o trabalho (para além da remuneração) é nossa função cultural e, em vários sentidos simbólicos, a razão para estarmos aqui, também.

Eu sou dessas mulheres que foi criada para ser independente, ter uma carreira e tentar mudar o mundo. Um belo dia, eu e meu marido resolvemos ter um neném. Os ventos conspiraram e nasceu nossa filha e... bem, eu me apaixonei perdidamente por ela e deixei o trabalho de escanteio por vários anos. O tempo foi passando e apenas recentemente retomei minhas atividades plenamente. Cabo de guerra. Como isso pode acontecer tardiamente, ao invés de 4 meses depois do parto, voltei com muita convicção de querer trabalhar. Minha filha, pelo mesmo motivo, estava muito acostumada a ficar comigo, está sofrendo. Cabo de guerra.

É aqui que entram os Minions (sei que você começou a ler essa crônica por causa deles e até agora não entendeu nada). No primeiro dia das férias, cabulei o trabalho e levei minha filha para assistir aos Minions. Adoramos! Além do passeio perfeito, as pipocas e os serezinhos amarelos serem as coisas mais fofas do mundo, pudemos ambas gargalhar das travessuras Minions e suas crises existenciais. Esse é o gênio dos bons filmes infantis - divertir crianças e pais. De quebra, eles me ajudaram a comunicar a importância da mamãe voltar ao trabalho. Ao menos, começar a fazer isso, de forma convincente.

Hoje, quando estava me vestindo para sair, ela entrou no meu quarto choramingando e desabafou que anda chateada que eu estou viajando demais. Eu peguei ela no colo, com todo o amor do mundo, e disse:

- Filha. Sabe aquele filme dos Minions que assistimos ontem?

- Sim.

- Foi o máximo, não foi?

- Foi.

- Então. Alguém teve que criar os Minions, sabia?

- Como assim?

- Um ilustrador desenhou um Minion e uma escritora escreveu a história, depois eles chamaram um monte de gente para desenhar toda a tribo dos Minions e colorir cada um e fazer um roteiro legal. Tudo isso para a gente ter um filme bacana para assistir, entende?

- Hm.

- Você sabia que vários dos ilustradores e escritores são mamães e papais? E que para eles poderem fazer o filme eles precisaram trabalhar muitas horas? E enquanto eles trabalharam, não podiam estar com seus filhos?

- Hmmmmmm.....

Sei que ela não vai entender de primeira. Talvez, nem de segunda ou de terceira. Mas, vou seguir tentando, porque quero que ela entenda que o trabalho não é apenas uma fonte de renda, mas um campo de interface com o mundo, de diálogo entre o espaço privado (o lar) e o público, de realização de sonhos e ideias geradas no íntimo. Levarei os Minions comigo, porque é o jeito da criança visualizar os resultados finais do "trabalho" ou do "estar trabalhando", quando não é tão fácil explicar a ortodontia ou a assistência social, uma forma de assimilar o valor dessas horas preciosas ficamos longe deles.