OPINIÃO
07/10/2014 11:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

O irresistível Charme de Alckmin

Geraldo Alckmin, governor of the state of Sao Paulo, speaks during a news conference with Aecio Neves, presidential candidate for the Brazilian Social Democracy Party, known as PSDB, (not pictured) in Sao Paulo, Brazil, on Monday, Oct. 6, 2014. Neves pulled off a surprise second-place finish to force a runoff with Brazilian President Dilma Rousseff, pitting a candidate favored by investors against an incumbent who says the end of her party's 12-year rule threatens policies that pulled 35 million out of poverty. Photographer: Paulo Fridman/Bloomberg via Getty Images
Bloomberg via Getty Images
Geraldo Alckmin, governor of the state of Sao Paulo, speaks during a news conference with Aecio Neves, presidential candidate for the Brazilian Social Democracy Party, known as PSDB, (not pictured) in Sao Paulo, Brazil, on Monday, Oct. 6, 2014. Neves pulled off a surprise second-place finish to force a runoff with Brazilian President Dilma Rousseff, pitting a candidate favored by investors against an incumbent who says the end of her party's 12-year rule threatens policies that pulled 35 million out of poverty. Photographer: Paulo Fridman/Bloomberg via Getty Images

Logo após o resultado das eleições, meu Facebook "bombou" de comentários incrédulos sobre a re-eleição de Alckmin em São Paulo no primeiro turno. Uns ironizavam que até William Bonner se mostrou surpreso ao anunciar a re-eleição, "Mesmo com grave crise de abastecimento de água!" e outros chegaram a repensar sua vida amorosa, "E pensar que uma mulher que amei, dormimos juntos, demos risada, fizemos planos, votou Alckmin. Que bom que não tivemos filhos." Um dos comentários mais interessantes veio de um editor amigo, "Afinal, era tudo apenas sobre 0,20", relembrando as passeatas dramáticas que iniciaram em São Paulo e se espalharam pelo país, apontando para grandes mudanças na política.

O que ocorre com o Estado de São Paulo? Será que os municípios do interior, mais conservadores, decidem as eleições e não há nada que a "vanguarda" paulistana consiga fazer? Ou será que mesmo entre os paulistanos há muitos que não resistem ao charme de Geraldo Alckmin e, independente da retórica, utilizam a privacidade da urna para votarem nele. Ok, ele é um meio careca, tem um jeito caretinha, não se pode dizer que tenha um sex-appeal clássico e nem um estilo muito marcante (seu apelido, afinal, é "Chuchu"), mas verdade seja dita: ele é um cara estável e talvez resida aí o charme irresistível que garante que ele passe para o quarto mandato como governador do Estado.

O que significa ser estável? Estável é aquilo que não oscila muito, que é previsível, que em meio à tempestade pode nos acolher. Trata-se de um adjetivo com conotação positiva, afinal, todos precisam de um porto seguro na vida. Política à parte, a pessoa de Alckmin tem uma trajetória impecável... começou aos 19 anos na política, no Município de Pindamonhangaba (que soa como pamonha deliciosa de beira de estrada e nos remete e um interiorzão idílico), é médico (e que pratica de verdade!), casado com a singela Dona Lu, tem filhas discretas que se parecem com o casal e nunca teve seu nome envolvido diretamente com incidentes de corrupção. Será que é por isso que, na hora do voto, mesmo sem apresentar um plano de governo, os paulistas e paulistanos votaram nele?

O medo do desconhecido sempre pesa na hora do voto. Os concorrentes de Alckmin, por melhor que fossem suas propostas de Governo, são desconhecidos de boa parte do público. Na hora H, a voz firme proveniente da imagem estável de Alckmin se posicionando sobre algum dos tantos problemas graves que o Estado enfrenta inspira confiança. De fato, talvez a culpa da falta de água não seja de São Pedro, mas esse eleitor confia que a pessoa de Alckmin fez o que poderia ser feito dentro das circunstancias. Sua estabilidade ecoa nesses momentos e faz pensar que os outros não teriam enfrentado o problema de maneira melhor. Impossível. Alckmin faz o que é possível, sempre. Porque mudar?

Assim, o mundo pode seguir girando com suas maluquices, mas o nosso Estado segue firme. O paulistano, como bom paulista, tem orgulho do seu Estado, inclusive os imigrantes que se incorporaram ao ethos local. Qualquer outro Estado do Brasil e até o Brasil como um todo pode ser repleto de anomalias ou experimentalismos, mas São Paulo não pode falhar. Faz parte da identidade dos paulistas se pensarem como à parte do Brasil, melhores do que o resto do Brasil, os irmãos mais velhos dos outros Estados, os que "seguram a onda" do Brasil. Para isso, precisamos de Alckmin sempre presente. Apesar dos pesares, penso que reside ai o irresistível charme de Geraldo Alckmin...

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