OPINIÃO
09/09/2018 11:56 -03 | Atualizado 09/09/2018 11:57 -03

O ataque a Jair Bolsonaro: Quando o ódio se transforma em linguagem política

Se o candidato à Presidência da República não é seu próprio algoz, quem é o responsável por esse feito inadmissível à democracia?

Gilberto de Mattos, 26, e seu irmão, Cristiano, 10, apoiam Jair Bolsonaro na frente do hospital Albert Einstein, em S
São Paulo.
Nacho Doce / Reuters
Gilberto de Mattos, 26, e seu irmão, Cristiano, 10, apoiam Jair Bolsonaro na frente do hospital Albert Einstein, em S São Paulo.

O ódio é tóxico. Essa é uma frase que vem ganhando o mundo, até mesmo pelo uso do novo adjetivo para falar de pessoas ou comportamentos. Mas o que significa descrever como toxicidade o efeito de frases, gestos ou comportamentos para a convivência política? A toxicidade movimenta uma virulência permanente. Ela pode se manter no campo discursivo – como gritar que esse ou aquele grupo deve ser morto, ou como posicionar dedos de menininhas como em arma em punho – ou serem concretas, como foi a violência sofrida pelo capitão reformado Jair Bolsonaro.

O erro é acusá-lo de ser responsável pela própria violência de que foi vítima.

Há quem tente estabelecer relações de causalidade entre o que o capitão reformado diz e aquilo de que foi vítima. De seu lado, em vídeo no hospital, disse "nunca ter feito mal a ninguém". Nenhuma das duas frases são verdadeiras: a causalidade não é tão óbvia assim, muito embora suas teses e promessas causem, sim, sofrimento e medo em muitas pessoas. O erro é acusá-lo de ser responsável pela própria violência de que foi vítima. Ao ter sido esfaqueado em campanha, Bolsonaro foi vítima da brutalidade que é sempre imerecida.

Não podemos nos confundir: a democracia prescinde da toxidade do ódio.

Se ele não é seu próprio algoz, quem é o responsável por esse feito inadmissível à democracia? O ódio como como linguagem política. Não sabemos as razões, além do delírio divino, que fizeram com que o sujeito esfaqueasse o candidato. E, talvez, nunca saberemos, pois ele é a peça de contágio do poder viral do ódio. Não podemos nos confundir: a democracia prescinde da toxidade do ódio. Liberdade de expressão para a defesa de teses sensíveis, como o direito ao aborto ou o desarmamento da população, demanda argumentos e evidências, jamais violência.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.