OPINIÃO
30/12/2014 09:28 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Liderança feminina: uma lição brasileira

Logo depois do Dia Global do Empreendedorismo Feminino, no dia 20 de novembro, eu recebo uma mensagem de uma amiga no Facebook, que levou a uma das experiências mais marcantes da minha vida: participar de um painel sobre empreendedorismo e liderança feminina no Fórum Mundial de Direitos Humanos, que aconteceria em Marrakesh, no Marrocos.

O convite foi feito por Alessandra Brimont, uma brasileira que faz acontecer que reside no Marrocos com o marido e os filhos há sete anos e tem uma empresa na área de branding e marketing. Alessandra é daquelas pessoas determinadas e que sonha com um Marrocos melhor. Dentre seus projetos está a construção de iniciativas empreendedoras com foco nas mulheres e jovens, e ela acredita que o Brasil é um importante modelo a ser seguido, tanto pela atuação e relevância de órgãos como o SEBRAE, quanto pelo crescimento de iniciativas com foco no empreendedorismo feminino, como o Jogo de Damas, por exemplo.

A confirmação da viagem veio dia 26 de novembro, na véspera do vôo. Eu sabia que era uma uma oportunidade única, além de um privilégio e uma honra estar dentre os painelistas desse evento. Para vocês terem uma ideia, a Malala Yousafzai era uma das principais palestrantes e como eu trabalho com empoderamento feminino, admiro muito o trabalho dela. Estar entre nomes como o dela só me deixava mais ansiosa e, ao mesmo tempo, ciente da minha responsabilidade.

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Quando abrimos a palavra para o público fazer perguntas, ficamos surpresas: elas queriam voz, queriam falar, queriam perguntar, queriam discutir suas questões, seus desejos, suas experiências. As mãos levantadas se multiplicavam e eram seguidas por falas fortes, em árabe ou francês. A emoção tomou conta de nós, painelistas, quando percebemos que ali estava uma oportunidade para essas mulheres exercerem um direito básico: se expressarem.

O Marrocos faz parte do Mundo Islâmico e, por questões religiosas, ainda tem muito o que avançar em termos de Direitos Humanos e no que se refere ao papel da mulher na sociedade. Mais do que levar conteúdo, nosso painel deu voz a essas mulheres que souberam aproveitar o momento e colocar seus anseios em palavras. Ali estávamos nós, através das nossas histórias e experiências, servindo de exemplo para que essas mulheres tomassem iniciativa. Como mulher e estudante de Relações Internacionais, foi enriquecedor participar desse painel que foi uma verdadeira experiência intercultural.

Mas não parou por aí!

No dia seguinte fomos dar um workshop ao lado de uma francesa e uma canadense para empreendedoras de diversos países. Homens e mulheres de diversos países participaram e puderam conhecer diferentes ferramentas de negócios. A delegação brasileira apresentou o Canvas, do Busines Model Generation e o público gostou bastante e quis saber mais. Também pudemos aprender um pouco mais sobre as ferramentas utilizadas por outros países.

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No dia seguinte fomos a Rabat, capita do país e cidade onde mora a Alessandra. Como fiquei ainda mais um dia no Marrocos e pude conversar ainda mais ela e entender as questões culturais do país e aquilo que buscam através dessa relação com o Brasil.

Por muito tempo o Marrocos buscou referências europeias, porém recentemente está focando em países com algumas características semelhantes e buscando aprender com esses exemplos. Nesse contexto, veem o Brasil como uma fonte de informação riquíssima, especialmente no que diz respeito ao empreendedorismo e liderança femininos. Embora ainda há muito o que avançar em termos de empoderamento da mulher aqui no Brasil, nossas iniciativas servem de exemplos.

Ao realizar esse projeto, a Alessandra plantou uma sementinha nas mulheres (e na sociedade) marroquinas e eu fiquei realizada e agradecida em participar desse processo. Espero que agora eu possa ajudar a regar e ver crescer.

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