OPINIÃO
17/08/2015 23:13 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Ver 'Las Insoladas' é como passar um dia de sol em uma laje de Buenos Aires

Reprodução

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Estreou nesta semana no Brasil o filme argentino "Las Insoladas". A direção fica por conta de Gustavo Toretto, conhecido por Medianeras. Enquanto o cultuado filme mostra um inverno nas ruas da capital argentina no começo dos anos 2000, este é um forte dia de verão no topo de um prédio, no meio dos anos 1990.

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Entramos na vida das seis amigas Flor, Sol, Lala, Valeria, Karina e Vicky por volta de 9h00 de um dia 30 de dezembro e temperatura batendo os vinte e poucos graus. O excelente roteiro vai nos deixando levar pelo papo mais trivial possível: rotina, alimentação, um pouco de churros, cromoterapia, comunismo, peculiaridades de seus trabalhos, etc.

Porém, não há diálogo desnecessário e vazio. Tudo vai fazendo sentido no decorrer da história. A certa altura, as personagens começam a planejar uma grande viagem juntas. Sonhando com a possibilidade de nunca sair deste dia de sol, elas se imaginam ficar ao menos duas semanas em Cuba, onde podem ir a uma praia para tomar sol de verdade.

Chegamos ao ápice da insolação com mais de 40 graus por volta das 17h00. O que começa a ser desenhado como uma viagem de duas semanas se transforma em uma mudança de vida com destino ao paraíso. Elas fazem contas e percebem que podem ficar pelo menos um ano por lá. Seus sonhos e desejos mais profundos de liberdade, com novos desejos e desafios, longe do tédio e da rotina em que vivem.

Quem nunca se imaginou nesta situação? Quem nunca deixou a imaginação te levar bem longe com planos de morar em outra cidade, estado ou país, sozinho ou com os amigos, com a chance de pensar e experimentar algo diferente. Esta é a grande sacada e universalidade do roteiro. Em pelo menos metade do tempo não saímos do lugar, mas viajamos junto com as amigas. Qualquer semelhança com os brasileiros ou qualquer outro lugar do mundo não é mera coincidência.

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Ahhhhhh, é preciso lembrar também do contexto histórico. Estamos na Argentina dos anos 90. As moças passam o dia com uma trilha sonora feita por uma fita-cassete. O país estava em tempos pré-crise econômica, vivia seu auge econômico, a sociedade passava pelo sonho da classe média, era muito chique passar o verão no Caribe ou em Florianópolis.

Em entrevista ao jornal Zero Hora, o diretor explicou: "Naquele tempo de deslumbramento, houve êxodos de argentinos para diversas praias, de Florianópolis ao Caribe. Escolhi Cuba para escancarar a inocência da classe média portenha à época: seu modelo era os Estados Unidos, mas seu sonho, um país comunista. Foi naqueles anos que o modelo de desenvolvimento seguido por Buenos Aires deixou de ser a Europa e passou a ser os EUA".

E não tinha celular! É estranho ver as amigas conversando, interagindo, olhando no olho o tempo todo, sem se preocupar com toques, barulhos, muitas intervenções tecnológicas. Quando toca um celular de apenas uma delas é um verdadeiro espanto.

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Como em todo filme, há variadas formas de ver e entender seu enredo. Você pode levar em consideração seu contexto histórico ou simplesmente esquecê-lo, em todas as situações, é como passar um dia de sol em uma laje. Se não houvessem os créditos no final você sairia da sala com a impressão de que não te avisaram que era para levar sunga e protetor solar.

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