OPINIÃO
18/06/2015 16:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Por que assistir televisão tradicional se temos o YouTube?

A internet não matou o livro. O carro não extinguiu as bicicletas. O YouTube não vai acabar com a televisão, mas tá cada dia mais difícil pra você, Bonner.

Sempre gostei de ver televisão. Da programação infantil da TV Cultura dos anos 90 ao MasterChef Brasil de 2015, minhas referências culturais passaram pelo sofá da sala. De uns anos pra cá, tenho trocado o controle remoto pela internet. E não estou sozinho nessa.

A audiência do YouTube no Brasil passa de 70 milhões de pessoas, que vêem em média oito horas de vídeos por semana. O site dá voz a muita gente criativa que jamais surgiria nos veículos tradicionais. Há entretenimento infinito elevado à nona potência. Vou citar alguns dos meus favoritos e você vai entender por que estou deixando a TV tradicional de lado.

Quando Julia Tolezano, de 24 anos, a Jout Jout, começa a falar é impossível parar de assistir. Com textos inteligentes e despojados, ela aborda de maneira ímpar temas como Tinder, Romero Britto, Natal, até assuntos urgentes para todo jovem como masturbação, sexo anal, brigas de casal e relacionamentos abusivos.

O jornalismo vem fazendo coisas muito legais em vídeo. Meios de comunicação com sua origem em veículos impressos estão experimentando em grande estilo. Folha, Estadão, Veja SP, Carta Capital, Revista Trip, Brasileiros e outros têm canais com conteúdo de primeira e dão voz a pautas e pessoas que nunca teriam espaço nos telejornais diários. Um desses personagens se tornou um grande viral: o Rei do Camarote, lembra dele?

No Panelaço, João Gordo leva pessoas interessantíssimas para a cozinha de sua casa e faz um rango pra elas enquanto troca umas ideias. Por lá Casé foi recebido com bolinho de arroz, Sarah Oliveira fez tapioca, Washington Olivetto experimentou moqueca de banana e Mano Brown comeu tofu.

Ainda no estilo gastronômico, o Boca a Boca, da chef Carla Pernambuco tem uma ótima sacada: uma seção só com receitas de séries, como o Kibe de forno de Tapas e Beijos, Phat Thai de Girls, Costeletas de Porco de House of Cards e Los Pollos Hermanos de Breaking Bad.

Para quem gosta de música, o YouTube é melhor que qualquer serviço de streaming. Tenho a impressão de que todo o acervo musical da história da humanidade está no ar, entre clipes, discos inteiros, documentários e shows. Artistas e gravadoras alimentam seus canais com conteúdo exclusivo e de alta qualidade. Você pode ouvir toda a discografia de artistas como Naldo, Caetano Veloso, Criolo, One Direction, Madonna ou Beatles a hora que quiser, entre material oficial e pirata (quem se importa?).

Um dos meus formatos musicais favoritos são as apresentações de bandas e artistas gravados em estúdios de TV ou rádios. Bons exemplos são a rádio KEPX, de Seattle nos EUA, o Cultura Livre, da TV Cultura, e o Showlivre, especialista no formato.

Até mesmo o Doutor Dráuzio Varella tem feito conteúdos incríveis. Nunca imaginei que passaria vários minutos da vida vendo o médico falar de rivotril, aborto, homossexualidade e preguiça para praticar esportes e não conseguir parar de ver.

Num post como esse não poderia esquecer o humor anárquico do Porta dos Fundos. São 1,7 bilhão de visualizações e esquetes memoráveis, como Deus, Rola, Na Lata, Sobre A Mesa e Demônio. O canal é quase uma unanimidade, certa vez ouvi um ex-candidato a governador de São Paulo dizendo que não perde um vídeo deles.

E isso é só a ponta do iceberg. Poderia citar uma quantidade enorme de canais a ponto de transformar esse post no maior da história do Brasil Post. Cada pessoa tem seus canais favoritos. Há quem prefira ver realities shows de funkeiros, gente jogando games ao vivo, dicas de saúde, palestras do TED ou os populares tutoriais de maquiagens.

Um print do Google Trends, ferramenta que mede as buscas das pessoas no Google, dá uma ideia de como está o interesse das pessoas comparando Globo e o YouTube desde 2004:

A internet não matou o livro. O carro não extinguiu as bicicletas. O YouTube não vai acabar com a televisão, mas tá cada dia mais difícil pra você, Bonner.