OPINIÃO
23/03/2015 11:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

O mundo não está mais obrigado a defender Israel internacionalmente

O eleitorado israelense tinha uma escolha a fazer. Ao reeleger um líder que renegou publicamente seus compromissos com a paz e com a solução de dois Estados, eles votaram contra a paz. Resta saber agora como os palestinos e o mundo vão reagir ao fim desse enigma chamado processo de paz.

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AMÃ - O eleitorado israelense tinha uma escolha a fazer. Ao reeleger um líder que renegou publicamente seus compromissos com a paz e com a solução de dois Estados, eles votaram contra a paz. Resta saber agora como os palestinos e o mundo vão reagir ao fim desse enigma chamado processo de paz.

Há anos os palestinos perderam as esperanças no processo de paz e vêm dizendo a quem quiser ouvir que os líderes israelenses falavam só da boca para fora, enquanto suas escavadeiras engoliam terras palestinas. O mundo continuava acreditando nessa ladainha, até o público israelense forçar seu líder a declarar suas intenções em hebraico para seu povo. Agora que sabemos que Israel não é uma democracia para todos os seus cidadãos (veja os comentários racistas de Netanyahu sobre os cidadãos árabes e que Netanyahu nunca esteve de fato comprometido com o Estado palestino, o mundo precisa reagir.

O voto do público israelense selou o destino de Mahmoud Abbas, que havia apostado no processo de paz e no apoio da comunidade internacional. O líder de 79 anos certamente vai preparar o terreno para uma nova geração de líderes palestinos durante o iminente sétimo congresso da Fatah. Mas, ao mesmo tempo, ele recebeu um mandato para condenar Israel ao ostracismo internacional e para suspender a cooperação de segurança.

Os esforços do Estado palestino, que não é membro da ONU, para perseguir Israel na Corte Criminal Internacional (CIC) agora devem ser vistos como um ato não-violento e positivo, muito mais generoso com Israel do que deveria ser o caso quando se trata de uma potência ocupadora. Em vez de criticar a Palestina, os Estados Unidos e outros países ocidentais devem elogiar as ações de Mahmoud Abbas como alternativas pacíficas às várias ofertas de resistência.

Os esforços de Abbas de recorrer à CIC foram aprovados recentemente pelo Conselho Central Palestino, que também aprovou a necessidade de suspender a cooperação de segurança com Israel. Durante anos os palestinos facilitaram a vida das forças de ocupação, oferecendo inteligência e cooperação de segurança para coibir quaisquer esforços de resistência contra a ocupação ilegal de seus territórios e a colonização de suas terras.

Os olhos palestinos e internacionais agora se voltarão para as relações pós-eleitorais de Israel com Washington e com o resto da comunidade internacional. Será que os Estados Unidos continuarão a defender Israel no Conselho de Segurança da ONU depois de Netanyahu renunciar à solução de dois Estados, sem oferecer uma alternativa digna de crédito? O governo Obama ainda está se recuperando de seus esforços para sabotar um possível acordo com o Irã sobre seus planos nucleares sem oferecer uma alternativa digna de crédito. A mesma situação se apresenta na questão palestina, depois de Netanyahu renunciar a seus compromissos de reconhecer um Estado palestino (mesmo que sob de certas condições), sem oferecer nenhuma alternativa. Como disse a veterana âncora Christiane Amanpour na CNN, na terça, sem apoio de um Estado palestino, o líder israelense não oferece alternativa além de uma situação análoga ao apartheid, na qual 4 milhões de palestinos vivem sob controle militar israelense e não têm direitos políticos.

A eleição para o Knesset (o Parlamento israelense) e a guinada à direita do premiê reeleito deixaram os palestinos livres de qualquer preocupação quanto a uma internacionalização do conflito. Tentativas de dizer que o conflito pode ser resolvido se as duas partes se sentarem para negociar estavam baseadas na premissa de que Israel é um Estado democrático para todos seus cidadãos e, portanto, não pode aceitar que outro povo seja privado de seus direitos e, também, que o Estado de Israel aceita substituir a ocupação por um Estado palestino independente. Ambas essas conjecturas foram varridas por Netanyahu e, portanto, os palestinos não são mais obrigados a fingir que o conflito pode ser resolvido simplesmente pelo contato direto entre palestinos e israelenses.

São de suprema importância o papel e as responsabilidades da comunidade internacional para resolver um conflito que envenenou o ar do Oriente Médio. Não é mais aceitável que instrumentos tais como o Conselho de Segurança e a Corte Criminal Internacional sejam inválidos, a favor de Israel. Nenhum país deveria ter o direito de estar acima das leis internacionais. E Israel perdeu qualquer chance de que as potências mundiais o protejam da justiça internacional.

Este artigo foi originalmente publicado pelo The World Post e traduzido do inglês.