OPINIÃO
17/02/2014 10:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Ode à opinião

Nunca pensei que o diálogo e os pensamentos que me acometem diariamente pudessem ser levados a sério por mais pessoas. Quando abri um perfil no Facebook, nunca imaginei que pudesse alcançar a marca de 5.000 amigos, afinal, não são estes os contáveis nos dedos das mãos? Rapidamente tive de mudar a administração da página para uma perfil público, para que mais pessoas pudessem ler as perambulações que usariam a plataforma de Zuckerberg para um pretexto bate-papo.

Mas não foi a falta de interlocutor de carne e osso que me fez comentar sobre alguns assuntos no Facebook. Não estava carente precisando falar a alguém e provocando em mim mesmo a sensação de companhia. Quem me conhece sabe que é raro, aos 70 anos, achar exemplar etário parecido que goste tanto de Facebook, Instagram e iPad como eu. Eu confesso que sou addicted e basta um momento de tédio ou de pausa que vou lá e "curto" mesmo. Pode ser que isso se resguarde na memória das relações epistolares, das escrituras da igreja que lia quando era aluno interno do Colégio Anchieta de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, ou nos velhos bilhetinhos que espalhamos a vida toda supondo colecionar assuntos para um grande romance. É mais provável que seja, simplesmente, essa necessidade de me comunicar com o outro, esse papel rigoroso e necessário de praticar a alteridade. Tão longe de achar razão psicológica, também estou de criar polêmicas. A ideia é trocar impressões com um mundo que sempre pode dizer o que pensa.

Afeito à hipnose do diálogo, fico elucubrando que escrever em um blog é como voltar à Grécia Antiga e extrapolar a doxa, que seria a opinião popular da democracia. É fazer que a "doxa em si" se torne "para si", e, assim, sensibilize o interlocutor para o vaivém das palavras e das ideias, dissolva doutrinas, questione sistemas, eleve o discurso da liberdade a ponto de conjeturar uma pequena verdade. Procurar uma verdade universal e indissoluta seria mais descartável que se imagina. Nas minhas verdades cabem a cultura, os direitos humanos, os prazeres, as artes, a política, o futebol, a comida, a saúde, o amor, as viagens, a ética, enfim, o mundo dentro de um olho mágico.

O blog me parece um bom depositório dessas verdades particulares. Eis, aqui, meu panteão para as opiniões.