OPINIÃO
27/06/2014 09:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Ocupações: novos conceitos

A ação da instituição cumpre o objetivo sociocultural pleno realizando um vasto programa educativo envolvendo arte, lazer, atividade física, saúde, nutrição, educação ambiental, portanto uma ação de altíssima perspectiva política que pretende melhorar a vida das pessoas e da sociedade.

Alexandre Nunis

Assistimos em todo o mundo a movimentos variados de mobilização com extensões, abrangências e volumes, além de distribuição geográfica dispersa e com resultados desde os mais surpreendentes até aos pouco eficazes. "Primavera Árabe", "Indignados" da Praça do Sol, "Occupy Wall Street", mobilizações venezuelanas, junho/2013 no Brasil e certamente muitas outras pelo mundo afora com maior ou menor expressão midiática.

Consequências de alta gravidade e enorme repercussão cujas razões revelam descontentamentos de toda ordem e que estão centralizadas nas questões de ordem político-social, na insatisfação contra um estado de coisas que afeta a sociedade como um todo. No caso brasileiro, algo que nasceu de uma reivindicação contra um aumento da tarifa de transporte e potencializada pelo estado geral (infraestrutura, despesas pouco transparentes e excessivas com a Copa do Mundo, serviços públicos precários, corrupção, etc.) e principalmente por uma reação desmedida e abusiva dos órgãos de repressão, se transforma numa ampla série de manifestações de milhões por todo o país.

Mas, mesmo sendo algo tão vital e importante para o momento atual do mundo e considerando tais ocupações questões-chave para tentar entender o atual quadro político-social do planeta, quero abordar outro conceito de ocupação que a administração do Sesc em São Paulo está fazendo. A ação da instituição, criada, mantida e gerida pelo empresariado do comércio, cumpre o objetivo sociocultural pleno realizando um vasto programa educativo envolvendo arte, lazer, atividade física, saúde, nutrição, educação ambiental e todos os demais aspectos da vida do ser humano (criança, jovem, adulto, velho), portanto uma ação de altíssima perspectiva política que pretende melhorar a vida das pessoas e da sociedade. Assim, duas ocupações marcam o momento novo, como experiência e desafio.

A primeira, no bairro de Campo Limpo na zona sul de São Paulo, num amplo terreno e dois galpões, fixa a presença deste programa numa região de mais de 1 milhão de habitantes e que dispõe de raras oportunidades de propostas como as oferecidas. Um aspecto fundamental desta ocupação é a gradual ampliação prevista para este processo. Ou seja, aos poucos, novos serviços serão oferecidos até a instalação definitiva da unidade completa.

A outra trata-se de uma ocupação temporária mas também sumamente relevante pelo caráter emblemático que a envolve. Um casarão, típico dos anos 40 na Rua Bom Pastor, próximo da unidade do Sesc Ipiranga. A proposta se reveste de aspectos inovadores na programação (instalações, performances, workshops literários, pequenas peças de teatro e dança, oportunidades instigadoras de debates e contatos com criadores) de modo a oferecer no tradicional bairro do Ipiranga uma ampla reflexão super cosmopolita e integrada no circuito da arte contemporânea da cidade. Por outro lado, a unidade inaugurada nos anos 90 ganha um sopro de renovação e novo vigor, podendo assim cumprir mais plenamente a ocupação já presente no bairro. Esta ocupação tem nome: "É LOGO ALI".

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