OPINIÃO
09/12/2014 17:45 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Kronos além do tempo...

Incrível ouvir e assim, ouvindo, ver com os olhos fechados. Cores, luzes em ondas variadas. Formas sem definição, com intensidade maior ou menor numa viagem inimaginável, mas cheia de sugestões e plenitudes. Assim é a experiência de entrar na vibração do Kronos Quartet nestes dias de Festival de Música de Câmara.

Jay Blakesberg

Incrível ouvir e assim, ouvindo, ver com os olhos fechados. Cores, luzes em ondas variadas. Formas sem definição, com intensidade maior ou menor numa viagem inimaginável, mas cheia de sugestões e plenitudes.

Assim é a extraordinária experiência de entrar na vibração do Kronos Quartet nestes dias de Festival de Música de Câmara em diversas espaços do Sesc. Festival muito especial na programação da entidade neste ano.

As várias formações presentes mostraram uma riqueza interpretativa imensa e uma força inovadora em termos formais que por si só justificam a proposta pioneira deste festival, além de proporcionar um diálogo com a produção local e com nossos artistas e apreciadores que nem sempre dispõem de ocasiōes como esta.

A música com todas as suas modalidades e realizada com a competência dos grandes compositores e mestres pode trazer a enorme possibilidade de nos remeter a uma dimensão de enorme elevação. Prazer enorme ao ouvir. Admiração pela habilidade e entrega dos intérpretes. A capacidade, inalcançável ao comum, de transformar cordas, madeiras, metais, fibras e peles em fontes sonoras criativas, diversificadas e inovadoras.

Tivemos inúmeros grupos se apresentando, sem falar da belíssima e original apresentação do Goat Theatre, da Polônia, com seu "Songs of Lear" onde o canto e a expressão corporal traziam um encantamento de enorme intensidade, relatando o drama shakesperiano do pai decadente e suas filhas.

Retornando ao Kronos Quartet, valeu assistir e me envolver muito fortemente com a enorme variedade dos programas oferecidos. De Wagner a Phillip Glass passando por indianos e outros orientais além de Piazzolla e muitos outros. Sempre um tratamento generoso, intenso e carregado de maestria sem exibicionismo supérfluo.

O caráter atemporal da música de qualidade permite perceber o verdadeiro efeito encantador e permanente da arte. Vemos que desta forma a arte em geral e a música em particular eleva, transforma e humaniza. Pensar, portanto, no poder da música e da cultura musical como uma parte substancial do processo educativo é um corolário mais do natural e lógico. Nesta consideração, vale ressaltar as possibilidades das nossas raízes antropológicas que no nosso país, alimentam de modo intenso nossa tradição musical, podendo assim buscar as fontes diversas sem nos prender a uma tradição única e nem a uma época única. O Kronos Quartet e o Festival de Música de Câmara nos fazem enxergar muito além do tempo... deste tempo.

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