OPINIÃO
26/12/2017 11:10 -02 | Atualizado 26/12/2017 11:10 -02

Por que resolvi morar no exterior

Esta deve ser, muito provavelmente, uma das formas de autoconhecimento mais poderosas que devem existir.

Lisboa é uma cidade deliciosa, aconchegante e estranhamente familiar.
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Lisboa é uma cidade deliciosa, aconchegante e estranhamente familiar.

Desde que escolhi Portugal (ou o mundo) como lar, sempre tive o desejo de escrever sobre por que, de fato, resolvi abandonar tudo e partir para a aventura tão louca (e deliciosa) que é morar no exterior.

Para começar, vale esclarecer que eu não tenho nenhum laço por aqui. Não tenho família, não tenho passaporte português, europeu ou nada do gênero. E também não vim acompanhada. Foi mesmo assim, na cara (de pau) e na coragem: eu e eu mesma, sem ter a menor ideia do que o amanhã me reservava.

Por que sair do Brasil

Bom, acho que esse tipo de mudança e decisão vai muito de acordo com a personalidade da pessoa. É preciso querer muito. E eu sempre fui destemida e impaciente. Sem me alongar muito, acho que sempre tive aquele bichinho dentro de mim. Aquele bichinho que dizia "vai ver o mundo, tem tanta coisa para explorar lá fora".

Ao lado disso, também há toda uma realidade triste que o Brasil enfrenta. E como boa impaciente (e pessoa que já tem dez passos dados no futuro), me questionava se era esse o país que queria criar meus filhos e viver minha vida.

E só quem vive no Brasil sabe do que estou falando. É complicado explicar. É complicado explicar que em cidades como São Paulo (para exemplificar), todos os dias você sai de casa sem saber se vai voltar. Você sente medo.

É complicado viver em um país que respira diariamente um clima de guerra civil – expresso em um número de mortes semelhante ao de regiões deflagradas na África ou Oriente Médio. Dá muito, muito medo.

Os meses que vivi em São Paulo foram suficientes para me mostrar uma realidade que eu preferia não ver. Cada dia por lá é uma luta, é preciso matar um leão por dia, como costumam dizer. E esse é o lema que rege o País. E esse é o lema que, infelizmente, definiu o brasileiro.

É cada um por si, ponto final.

E tudo isso não é fácil. E cansa. E a vida já é complexa demais para tanta preocupação. E é, acima de tudo, muito curta para passar os dias sonhando com uma realidade melhor. Porque ela existe. Ela está ali, do outro lado da linha do horizonte (aquela que vemos quando contemplamos o mar), basta ter coragem e fé.

Por que mudar para Portugal

Pois bem, a "nossa" história é engraçada. Em 2012, do alto de um avião, estabeleci uma relação muito estranha com Lisboa. Lembro de acordar no meio do voo (era uma conexão Madri-São Paulo), ligar a televisão na minha frente, abrir aquele mapinha digital e... lá estava eu, bem em cima da cidade por que eu iria me apaixonar perdidamente anos depois.

Senti uma sensação estranha, como se aquele nome, aquela localização e aquele momento fossem uma espécie de "clique". Desde então, soube que precisava ir para lá. E fui. Em 2014, 2015 e 2016 (esse último ano, para ficar).

Sinto que já vivi aqui antes, é difícil explicar. Lisboa é uma cidade deliciosa, aconchegante e estranhamente familiar.

E é tão bom construir uma nova existência longe de tudo o que já conheço e acredito... Essa deve ser, muito provavelmente, uma das formas de autoconhecimento mais poderosas que devem existir. Porque a vida longe expande os nossos horizontes, abre a nossa mente e nos mostra o que realmente importa.

É mais ou menos como dar à luz um novo "eu". É sofrer (muito) e ter (muito) orgulho do adulto que você recriou. E acima de tudo, é aceitar que você jamais será o mesmo, que está em constante mutação.

E agradeço Portugal (e o mundo) todos os dias por isso.

Como diria Augusto Cury, em um livro que li em 2007, aos 13 anos de idade: "Jamais desista de ser feliz. Lute sempre pelos seus sonhos. Seja profundamente apaixonado pela vida. Pois ela é curta. E é um espetáculo imperdível".

P.S.: Se alguém pensa em mudar, já mudou ou quer apenas conversar, estou sempre disponível para a troca de experiências - podem me escrever.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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