OPINIÃO
06/08/2014 13:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Amor <em>tech</em>: os aplicativos de relacionamento online

Fui convidada recentemente a fazer um estudo sobre os homens adeptos a relacionamentos online. O resultado disso tudo? Desistência.

Divulgação

Tinder, OkCupid, eHarmony, Grindr, Badoo, Namoro on, e por aí vai. Esses são apenas alguns exemplos da quantidade de aplicativos amorosos que existem no mundo online. Eles prometem encontrar seu "par ideal" de forma rápida, fácil, indolor e com resultados imediatos. Parece tentador, mas será que é possível encontrar o amor por meio de uma seleção virtual? E o que as pessoas realmente procuram, afinal?

Fui convidada recentemente a fazer um estudo sobre os homens adeptos a relacionamentos online. Para isso, resolvi me cadastrar em um dos aplicativos mais conhecidos no mundo (o OkCupid, que agrega mais de 2,5 milhões de usuários) para tentar entender melhor como funcionam essas ferramentas. O processo começou não faz nem uma semana, mas os resultados que tenho obtido são surpreendentes.

A começar pelo cadastro, onde precisei responder perguntas extremamente específicas - e bizarras - sobre determinados assuntos. Segundo eles, essas informações ajudam a filtrar minha "alma gêmea", que anda perdida por aí. Dentre as mais esquisitas, listei duas: "Quantos atores pornô você consegue nomear de cabeça?" e "De um certo ponto de vista, você acha que uma guerra nuclear seria excitante?".

Após preencher todo o cadastro e praticamente fazer uma análise da minha vida, eu estava dentro. Pronta para jogar. E foi rápido: em menos de cinco minutos cerca de 20 homens diferentes abriram uma conversa comigo. Canadá, Estados Unidos, Brasil, México, Austrália, França, etc. Após um certo tempo percebi que um deles estava procurando alguém para conversar. Sim, você leu bem. O que o cara realmente queria era uma simples conversa. E o que ele me revelou foi, na realidade, o que eu já suspeitava. Segundo ele, "os relacionamentos de hoje em dia andam tão superficiais, e as mulheres tão promíscuas, que tenho medo de me casar com alguém que eu não respeito por puro receio de envelhecer sozinho".

E então, eu pergunto: o que, de fato, ocasionou isso tudo? Ninguém responde. Nem eu. A questão é que, de um modo geral, as relações atuais começam e terminam com grande rapidez e enorme imprevisibilidade. Fazer sexo com desconhecidos se tornou natural, e conversar com 10 ou 20 garotas ao mesmo tempo (em diversos aplicativos diferentes) é o novo cool do momento.

Antes de encerrar minha noite de pesquisa, o sujeito carente também resolveu me confessar outro desejo. O simples e prazeroso "poder tratar bem uma mulher, dar carinho, abraçar antes de dormir". Coisas tão simples do cotidiano que foram sendo esquecidas com o tempo. Mas ele também fez uma ressalva: "Não é qualquer uma que merece esse nível de tratamento. Mulher tem a mania de achar que nós homens não gostamos de cuidar, mas isso é um completo engano. Basta fazer por merecer".

O resultado disso tudo? Desistência. Esse é o lema de praticamente todas as pessoas com quem conversei nos últimos dias. É mais ou menos como "o mundo está assim? Então vamos aproveitar e o futuro que fique para amanhã". E assim vai. Homens e mulheres em busca de relações superficiais, sexo rápido, prazer imediato. "E o amor? Onde ele fica?", cheguei a questionar. A resposta foi simples: "Em algum lugar, minha querida, em algum lugar...".

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