OPINIÃO
22/05/2014 13:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

A vaidade da mulher brasileira

Exageros à parte - afinal, existem mulheres desleixadas tanto no Brasil quanto em qualquer outro lugar do mundo - comecei a reparar que sim, a brasileira é a mulher que mais cuida da aparência.

Paula Anddrade via Getty Images
Womam typing on smartphone on the beach

Outro dia, numa das minhas andanças pela internet, encontrei uma reportagem curiosa. Nela, uma moça europeia (enfurecida) afirmava que nós, mulheres brasileiras, somos responsáveis por "roubar" seus maridos/namorados. E, num dos comentários ao final do texto, acabei me surpreendendo com uma leitora (europeia, acredite) que dizia perplexa "a culpa não é das brasileiras, e sim de nós mesmas, que não ligamos o mínimo para a aparência física!". Exageros à parte - afinal, existem mulheres desleixadas tanto no Brasil quanto em qualquer outro lugar do mundo - comecei a reparar que sim, a brasileira é, sem dúvidas, a mulher que mais cuida da aparência. Pelo menos é o que dizem as pesquisas por aí.

O Brasil, por exemplo, é o terceiro maior mercado de beleza em nível mundial, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. E, segundo dados divulgados pelo instituto Data Popular em 2010, o povo brasileiro gasta por ano R$ 43 milhões com produtos de higiene e cuidados pessoais (entre eles, os mais procurados são cremes corporais, faciais, perfumes, esmaltes e maquiagens). Deste valor, a classe média é responsável por 45,64%. Acha pouco? Há também uma matéria, que saiu recentemente no Fantástico, onde uma reportér entrevista uma mulher que gasta - pasmem! - R$ 700 por semana com salão de beleza e afins. Mas veja, segundo ela, "ninguém compra escova, maquiagem e unha pintada. Compramos alegria, autoestima. E tem coisa melhor do que se sentir bem?"

Antes de julgar qualquer mulher por excesso de vaidade, também comecei a analisar minhas próprias ações. Afinal, como dizem por aí, "não julgue os outros antes de olhar para o seu próprio nariz". Em uma semana de auto-análise (ok, deve ter sido em algumas horas) notei que não há um único dia em que minhas unhas não estejam impecavelmente pintadas. E juro, nem ao menos me preocupo muito com isso - faço toda semana no modo automático há anos. Também notei que ando com a depilação e a sobrancelha em dia - e que, curiosamente, tinha marcado uma hidratação nos cabelos para o dia seguinte e um corte novo para logo, logo. Sem contar os inúmeros cremes que passo diariamente. Mas aí, melhor parar por aqui... Será exagero?

A questão é que temas que abordam a "busca exarcebada pela felicidade ilusória" e o "culto a um corpo perfeito inexistente" sempre existiu, mas cadê as pessoas para defender o lado positivo da vaidade natural? Voltando ao texto que deu início a essa minha discussão interior, algumas mulheres européias afirmavam, orgulhosíssimas, que depilação, por exemplo, só no verão (afinal, segundo elas, "usamos calças e mangas compridas na maior parte do tempo"). E fazer as unhas semanalmente, então? "Isso é coisa de quem não tem o que fazer". E pior: "não me preocupo em me arrumar, afinal, meu marido me ama do jeito que sou".

Amor próprio? Autoconfiança? Não sei vocês, mas pra mim a vaidade é inerente ao ser humano e, quando em quilíbrio, promove muito mais que o bem-estar. Nem a mulher mais feminista do mundo pode discordar que estar bem arrumada, perfumada e de bem com o corpo é uma das melhores coisas que pode existir. E, por favor, desconfie do seu marido/namorado que diz não ligar se você está toda emperequetada ou se está com roupas de academia, sem tomar banho e sem um pingo de maquiagem no rosto. Isso pra mim não é amor, é descaso.

Ps: Um "viva" para as mulheres brasileiras - ou melhor, um "viva" para todas as mulheres que se cuidam (independente de sua nacionalidade).

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