OPINIÃO
21/02/2014 16:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

O que é PhD (e por que cargas d'água eu fiz um)?

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Mario Prata certa vez escreveu que fazer uma tese de doutorado "é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta".

Continuou dizendo que para o doutorando (o sujeito que faz a tese doutoral) o mundo para, o dinheiro fica apertado, o marido esquecido.

Ele estava certo. É de fato sofrido -- tanto para quem faz como aos que estão ao redor.

Para conseguir esse título acadêmico (o mais alto no ensino superior), a pessoa (geralmente um pesquisador científico) passa por uma longa e dura jornada: anos de graduação, mestrado e, depois, mais os quatro anos do doutorado.

O que significa se afastar da família e dos amigos; perder alguns aniversários e happy hours; viajar e se divertir bem menos do que deveria.

Mas se é tão difícil, por que fazer uma tese? Por que encarar um doutorado? Por que se dedicar a estudar um tema em específico por tanto tempo?

A resposta está exatamente onde deveria: na sigla PhD.

PhD significa "Philosophiae Doctor" (doutor em filosofia) e é uma abreviação usada em países de língua inglesa. No Brasil e em outros países lusófonos, falamos mesmo em "doutorado" (ou ainda "doutoramento").

O termo "filosofia" do PhD não se refere somente aos "filósofos": a palavra aqui quer dizer "amor ao conhecimento" (em seu sentido grego).

Muitas vezes me perguntam "Por que cargas d'água você fez doutorado?". Certamente não foi para ganhar rios de dinheiro (fica a dica) e nem para pendurar um diploma na parede (coisa já bem démodé).

Respondo exatamente o que me faz mais sentido: por amor à descoberta de novos saberes. Fazer um doutorado não é a única forma de amor ao conhecimento. Mas é uma delas. E foi a qual escolhi.

Em tempo - Para os mais curiosos, as fotos do meu ritual de defesa doutoral (que aconteceu exatamente esta semana, enfim!) e as informações sobre a tese estão no meu perfil do FB.