OPINIÃO
26/02/2015 15:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

5 motivos pelos quais não fazer dieta é tão difícil quanto fazer

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Você passou décadas fazendo dietas. Definiu seu valor como mulher pelo número da balança (quanto menor o número, maior seu valor). Acreditou que ser magra era o mesmo que ser amada. Experimentou muitas dietas. Tomou remédios. Abandonou os remédios. Trocou de médico. Fez mais dietas. As décadas passaram e você continua com o mesmo problema: emagrecer.

E então compreende que o melhor é fazer uma reeducação alimentar. Entende que não há outra saída sustentável a longo prazo. Parabéns para você. E para mim. Mas esse é apenas o começo da história (mesmo que, como eu, você esteja quase nos 40).

Optar pela reeducação alimentar (ou seja, abandonar de verdade a ideia de qualquer tipo de restrição alimentar) exige uma boa dose de coragem. Será preciso lutar diariamente contra o medo (para não falar terror) de comer livremente e voltar a engordar.

Garanto: nos dias de hoje, com toda tecnologia e apps para emagrecer na palma da nossa mão, na verdade não fazer dieta alguma tornou-se mais difícil que fazer alguma dieta.

Isso porque parar, respirar fundo e ouvir o próprio corpo (assim mesmo, sem nenhum aplicativo no celular para te ajudar com isso) é quase como um método primitivo de se manter saudável.

Vamos lá, vou partilhar com vocês as dificuldades da não-dieta:

1. Você precisará ter a coragem de confiar nos seus instintos, aprender a entender os sinais do seu corpo, e comer apenas quando tiver fome. Terá que confiar em você e responder com sinceridade: Fome ou sede? Fome de estômago ou ansiedade?

2. Você terá que fazer um esforço mental para não sentir um pingo de culpa caso acabe comendo quatro pedaços de pizza, dois copos de refrigerante e uma barrona de chocolate. Repito: nem um pingo do culpa (aquela que você tão bem conhece) após a última bocada.

3. Toda vez que sentir que extrapolou, você precisará encarar a pergunta: "o que me levou a fazer isso?". Terá inevitavelmente que sentar, fechar os olhos e conversar consigo mesma para encontrar essa resposta. Precisará assumir responsabilidade pelas suas decisões e parar de colocar a culpa nos outros.

4. Você precisará aceitar (de coração) que aquele número da balança não te representa. Não define quem você é. É o retrato de um momento. E só. Mesmo com o número martelando na sua cabeça, terá que contemporizar. Sublimar. Focar no que é importante: você, seu corpo, sua saúde -- independentemente daquele equipamento ali estar gritando um número em Kg.

5. E, por fim, terá que determinar em voz alta: "eu sou absolutamente linda". Precisará de coragem para usar roupas 46 ou 50 (ou maiores que isso) e se sentir linda mesmo assim, sabendo que usar uma numeração menor é apenas uma questão de tempo. (E, aliás, que numeração é essa? Não há padronização nenhuma em nosso país, pense bem!). Ou seja, você precisará ter a coragem de se libertar da opinião dos outros e ficar com a sua. De verdade. E dizer: "Se você não me acha uma mulher linda porque não estou no peso ideal, então você tem um sério problema; não eu".