OPINIÃO
21/03/2016 12:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

Ser mãe de uma criança com Down

Quando o meu filho nasceu, tudo era muito novo para mim. Não tinha muito conhecimento. Recebi o bebê com muito amor mas frustrada por achar que ele provavelmente não iria realizar os planos que eu e o pai tínhamos para ele. O nascimento do Luís marcava o início de uma jornada de desafios, trabalho e planejamento para um futuro que talvez não fosse tão colorido como sonhávamos.

O anúncio do nascimento de um filho, sobretudo do primeiro filho, gera muitas expectativas. E para nós, seres humanos vaidosos que somos, vivenciamos o período da espera acreditando que a criança ao nascer terá a missão de ser o que projetamos para ela.

"Vai ser advogado que nem o pai", "quando tiver 18 nos vai estudar no exterior", e assim vai...

Só que, a partir do momento que essa criança se torna um indivíduo e começa a fazer as próprias escolhas, os pais se deparam com uma grande frustração.

O filho, que era esperado para seguir os passos do pai na carreira jurídica, optou por ser artesão.

Aos 18 anos, ao invés de estudar no exterior, ficou na cidade natal vivendo da própria arte, sem status, mas feliz, embora que, para a família, a opção tenha sido um fracasso.

Mas você, caro leitor, deve estar se perguntando o que a minha experiência como mãe de uma criança com Síndrome de Down pode ter em comum com esse caso do bebê "projetado" para ser um nobre advogado mas que escolheu ser artesão.

O ponto de encontro entre esse caso e a minha história são as expectativas.

Quando o meu filho nasceu, tudo era muito novo para mim. Não tinha muito conhecimento.

Recebi o bebê com muito amor mas frustrada por achar que ele provavelmente não iria realizar os planos que eu e o pai tínhamos para ele.

O nascimento do Luís marcava o início de uma jornada de desafios, trabalho e planejamento para um futuro que talvez não fosse tão colorido como sonhávamos.

Mas aceitamos essa condição e seguimos em frente.

Para nossa surpresa, com o passar dos anos, a nossa frustração inicial se transformou em entusiasmo e felicidade.

A criança que achávamos que iria enfrentar uma série de dificuldades nos mostrou que é capaz de tudo. Alcança todos os dias as etapas de desenvolvimento esperadas para a idade dele, porém, em um ritmo mais lento (bem mais lento) do que as crianças não sindrômicas.

No entanto, isso não o faz pior nem melhor do que ninguém. O faz diferente no tempo em que precisa para aprender, mas é exatamente como nós, feitos de capacidades e limitações.

Assim como o rapaz que não se tornou advogado porque tinha talento para ser artesão, Luis também poderá reconhecer as suas limitações para o encorajar a fazer sua própria escolha.

Uma escolha que certamente o levará para um futuro brilhante e feliz.

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