OPINIÃO
09/06/2014 10:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Torcer ou não torcer, eis a questão

No jogo, queremos o gol da vitória. Na manifestação, queremos ser ouvidos - e atendidos. Mas o fato é que, infelizmente, as energias se dispersam. E minha ansiedade agora gira em torno da grande questão: torcer ou não?

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Sempre gostei de futebol. Não que eu entenda muito do assunto, mas gosto de assistir a algumas partidas na TV. Já trabalhei no marketing da revista Placar (nessa época ganhei um beijo do Kaká no evento Bola de Prata). Fui aos estádios mais para ver shows do que futebol. Ao vivo e a cores, só vi um jogo da seleção no Morumbi com a família (em 2004 nas eliminatórias para Copa de 2006, Brasil 3 x Bolívia 1), no auge dos Rooooonaaaauuullllldoooos! Adoro o Globo Esporte e não é (só) por causa do Tiago Leifert, já gostava na época da Glenda. Até hoje me assusto e me divirto tentando traduzir os gritos do meu pai e do meu irmão diante dos jogos dos mais variados times do Brasil e do mundo. Para quem eles torcem? Para a Lusa! Vai ver esse é o motivo da gritaria. Eu? Nasci paulistana e são paulina, sou fã assumida do Rogério Ceni - o goleiro que bate pênaltis e completou 117 gols recentemente. Mas é o Marcondes, funcionário do prédio onde moro, que me atualiza dos campeonatos e chama meu filho de são paulino - que retruca batendo no peito: "sou corinthiano!".

Diante da minha paixão, sinto um aperto gigante no coração ao ter que responder para o menino sobre os cartazes que dizem NÃO VAI TER COPA. Ele pergunta: "Isso é verdade, mamãe? Não vai ter Copa?". Explico que vai ter Copa, mas que tem muitas coisas que precisam ser melhoradas no Brasil, como por exemplo, escolas, hospitais, empregos e que os cartazes fazem parte de um movimento para chamar a atenção das autoridades. Em linhas gerais e resumidas, isso é o que consigo dizer. Sigo com medo que o impedimento de uma partida saia dos campos e me faça cometer a falta de não poder gritar GOOOOOOLLLLLL do BRASILSILSIL ao lado da minha criança. Esse pequeno que está entusiasmado em torcer e gritar na varanda - a mesma na qual pendurei o lençol branco um ano atrás e que agora tenho até medo de pendurar a bandeira do Brasil.

Fico confusa só de pensar em não torcer calorosamente ou não ser eu mesma na hora do jogo. Mas penso que ser brasileira e torcer pelo Brasil não me fará menos consciente das questões a serem melhoradas no nosso país. E me lembro de coisas simples como economizar água. Todos os dias eu fecho a torneira, tomo banho mais rápido e incentivo o meu filho a fazer o mesmo. Pode parecer pouco, mas se cada um fizer sua parte será muito. Afinal, cresci ouvindo o ditado: "união faz a força" e acredito nisso. A energia da torcida reunida no estádio - principalmente em jogos do Brasil - é impressionante. E é a mesma energia que senti na manifestação de 17 de junho de 2013. Uma energia em busca do mesmo objetivo: um gol, uma questão a ser melhorada. No jogo, queremos o gol da vitória. Na manifestação, queremos ser ouvidos - e atendidos. Mas o fato é que, infelizmente, as energias se dispersam. E minha ansiedade agora gira em torno da grande questão: torcer ou não?

Espero poder soltar a voz pelo Brasil em campo ou fora dele, bem antes dos 45 do segundo tempo, sem ter medo de sair na rua para assistir a uma partida de futebol com a família e os amigos ou para participar de uma manifestação, sem sofrer discriminação por causa da diferença entre os times.

O motivo da minha esperança, fé e orgulho é quando vejo a atitude do meu garoto, nascido num ano de Copa, olhar para o Marcondes e dizer: "mas agora, agora todo mundo é Brasil, todo mundo é do mesmo time".

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