OPINIÃO
22/09/2014 11:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Parabéns ou pêsames à Escócia re-unida?

A decisão escocesa em não se separar politicamente do restante das ilhas britânicas me parece de raro bom senso nesses conturbados tempos em que vivemos.

Peter Macdiarmid via Getty Images
GLASGOW, SCOTLAND - SEPTEMBER 16: A YES campaigner sticker adorns a Scottish Saltire flag on September 16, 2014 in Glasgow, Scotland. Yes and No supporters are campaigning in the last two days of the referendum to decide if Scotland will become an indpendent country. (Photo by Peter Macdiarmid/Getty Images)

A melhor notícia a sair da Escócia esses dias foi que pela primeira vez nos seus 260 anos de história, o Clube de Golfe de St Andrews - onde o esporte foi praticamente inventado - resolveu permitir a entrada de mulheres como sócias.

Já é alguma coisa.

Quanto ao resultado do plebiscito pela independência da Escócia do Reino Unido, após 300 anos de ocupação: bom, o que se pode dizer?

Meus pêsames? Parabéns? É de qualquer importância no mundo de hoje o fato de um pequeno pedaço de uma ilha que já foi sede de um império admitir que viver sozinho é mais que difícil, é mesmo impossível...? Como aquela música da bossa nova: fundamental é mesmo o amor... vocês conhecem o resto.

Pois então, a decisão escocesa em não se separar politicamente do restante das ilhas britânicas me parece de raro bom senso nesses conturbados tempos em que vivemos.

Como país independente, a Escócia sobreviveria de exportações do fundo de quase exaustos estoques de petróleo, whisky, lã de carneiro, carne e salmão. Não tenho conhecimento dos intrinsicos detalhes da sua economia para saber se seria suficiente. Mas sei que num primeiro momento não teria exército, nem a libra esterlina, nem seria membro da OTAN (Organização para o Tratado do Atlântico Norte), nem da União Européia.

Pior, herdaria uma dívida colossal de vários bilhões de libras esterlinas junto a Westminster. E coisa boa não seria - por ser brasileira sei por experiência própria no que dá uma independência forjada a partir de uma dívida para com os ingleses (lembram do que aconteceu conosco em 1822?).

Mas no fundo não posso deixar de lamentar o resultado desse plebiscito. Primeiro porque foi uma tentativa de revolução civilizada, em contraste à última batalha pela independência escocesa, as revoluções Jacobitas de 1715, que terminaram por aposentar a cultura milenar dos clãs escoceses em favor da civilidade urbana londrina.

Segundo porque tenho a romântica tendência a acreditar no direito de auto-determinação de um povo - artigo Primeiro da Carta da ONU. Mesmo sabendo que é um termo confuso, que mescla sentidos e sentimentos, como o direito de troca sem barreiras, o direito à cultura, a tomada de decisões quanto a distribuição de recursos gerados por um povo, à idiomas nacionais, e a dignidade de um povo, entre tantos outros.

Quanto à Inglaterra - a libra esterlina já no meio desta noite pós-plebiscito havia valorizado 1,5% nas bolsas asiáticas - esse voto histórico adiou mais uma vez (que alívio para o Establishment) qualquer discussão sobre o (s) elefante (s) na sala. Ou será mesmo que adiou? Vamos acompanhando a saga. Afinal, não é todos os dias que ameaça ruir de vez o maior império já visto pelo mundo ocidental desde a queda de Roma...

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