OPINIÃO
01/10/2014 19:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

De vez em quando é preciso mudar!

O mais importante é que quem for eleito cumpra a promessa de campanha de contratar gente capaz para administrar o país. E, principalmente, que tenha a habilidade de trabalhar com o Congresso nacional para dar continuidade a estabilidade ganha a tão duras penas ao longo desses anos pós-ditadura.

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Presidential candidate of the Brazilian Workers' Party, current Brazilian President Dilma Rousseff, takes part in a television debate in Sao Paulo, Brazil on September 28, 2014. Brazilian general elections will take place next October 5. AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA (Photo credit should read NELSON ALMEIDA/AFP/Getty Images)

Na verdade, não posso contar em quem vou votar pois o voto é secreto. Fica entre nós então que não consigo chegar a qualquer conclusão. Em qualquer um dos casos tenho uma terrível sensação de ter visto toda essa cena antes.

Se fosse votar na Marina ou no Aécio, seria simplesmente para mudar a casa um pouco. Não tenho propriamente algo contra o partido no poder. Afinal, o PT deu continuidade a estabilidade introduzida pelo real e introduziu importantes medidas paliativas para interromper ciclos de miséria históricos. Entretanto, apenas começamos a perceber rusgas no tecido da pobreza, que continua a assolar o país - vamos ser francos.

Tampouco conheço o PSB - acho que a própria Marina não conhece direito. E honestamente, do socialismo seu plano de governo passa longe. Fora isso, como sou feminista, não me encantou a perspectiva machista da candidata quanto ao matrimônio LGBT ou o aborto.

Mas acredito no princípio da rotatividade política, que vem a ser o nosso sistema de governo. 12 anos com um só partido no poder já deu o que tinha que dar. A partir daí começa a ficar esquisito.

Tenho algumas preocupações. Por exemplo, espero honestamente que caso eleitos Marina ou Aécio, não sejam ingênuos com relação as intenções dos países industrializados na Amazônia. Algumas das decisões tomadas pelo governo Lula e pelo governo Dilma quanto a não assinatura de acordos de comércio na área madeireira, por exemplo, foram acertadas. Abrir as concessões florestais na Amazônia à firmas com sede no bloco europeu não garante que haverá correção na maneira que essas serão administradas.

Nesse sentido, espero que o próximo governo priorize o setor florestal nacional, promovendo o financiamento de projetos agro-florestais, que contemplem com o plantio de florestas comerciais a recuperação das vastas áreas degradadas distribuídas por todo o país. Essa seria uma maneira de endereçar a equação múltipla população, direito agrário, educação, clima, energia, recursos hídricos, biodiversidade e a madeira como recurso na construção. Temo a retórica de grupos de interesse que utilizam o jargão do desenvolvimento sustentável para manter o status quo. Para mim, se mostrará líder quem souber inovar em cima deste discurso e não replicar o que já sabemos não tem funcionado no hemisfério norte.

Não imagino em momento algum que a experiência pessoal da candidata Marina Silva seja de qualquer relevância ao seu desempenho como presidente, caso venha a ser eleita. Tenho certeza absoluta de que ela teria a sabedoria de deixar o proselitismo religioso em casa. Por representar o povo brasileiro em toda a sua complexidade, desde indígenas a herdeiros de sesmarias, o cargo da presidência pressupõe objetividade e a capacidade de superar quaisquer históricos pessoais. Que nos sirva de exemplo o Sr Mujica.

O mais importante é que quem for eleito cumpra a promessa de campanha de contratar gente capaz para administrar o país. E, principalmente, que tenha a habilidade de trabalhar com o Congresso nacional para dar continuidade a estabilidade ganha a tão duras penas ao longo desses anos pós-ditadura.

Na esfera internacional, será preciso trazer gente cosmopolita e experiente para o país. Temos um corpo de diplomatas e profissionais residentes capazes, certamente, mas é preciso que se busque gente aberta ao mundo, brasileiros e brasileiras na diáspora cuja experiência de mundo se traduz no exercício da cidadania, no mais amplo sentido da palavra. Isso é importante para acabar de uma vez por todas com o tal complexo de 'vira latas', que aflige o país.

Nessa mesma linha, é preciso mudar o jogo das tais 'ajudas internacionais', no sentido que o Brasil já não precisa 'passar o pires'. Mas sabemos que precisamos administrar melhor nossos recursos. Aceitar a cooperação com países que tem maior experiência em certas áreas e que podem transferir tecnologia para nós é essencial para evoluirmos ainda mais rápido, mas contanto que fique claro que ambas as partes irão ganhar com a relação.

Há tantos outros elementos a discutir. Mas, por enquanto, fico por aqui.

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