OPINIÃO
04/11/2014 16:18 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Bolívia vê Brasil como 'qualquer outro parceiro', diz Morales

Em coletiva de imprensa realizada em Viena, Morales reafirmou que a relação com a Petrobras é exatamente igual a que seu país tem com qualquer outro que queira fazer negócios e que traga benefícios ao povo boliviano.

CRIS BOURONCLE via Getty Images
Bolivian President Evo Morales gives a press conference in La Paz on October 13, 2014 a day after being voted for a third term in office. Morales will be sworn into office on January 22, 2015 and will stay in office until 2020. AFP PHOTO/CRIS BOURONCLE (Photo credit should read CRIS BOURONCLE/AFP/Getty Images)

O Presidente da Bolívia Evo Morales confirmou na tarde de segunda-feira (03) sua intenção em estender sociedade até 2018 à Petrobras pela administração de uma refinaria construída por aquela empresa e estatizada pelo governo boliviano em 2006.

Em coletiva de imprensa realizada em Viena, Morales reafirmou que a relação com a Petrobras é exatamente igual a que seu país tem com qualquer outro que queira fazer negócios e que traga benefícios ao povo boliviano:

"Não há discussão. O gás pertence ao povo boliviano e qualquer empresa ou país que queira se associar a nós pode fazê-lo", disse ele. "Por exemplo, estamos agora em negociação para um contrato de exploração e operação até 2050 com a Repsol, da Espanha", comentou.

O mesmo princípio serve para negociações quanto ao preço do gás natural, que está sob constante discussão.

Perguntado sobre qualquer passivo referente ao investimento da Petrobras tanto no gasoduto Bolívia-Brasil quanto na refinaria, Morales se demonstrou irritado. Ele disse que houve uma tentativa de burlar o povo boliviano, mas que está ultrapassado o problema, uma vez que a Petrobras opera como sócia.

Entretanto, vale notar que há severas restrições temporais com relação à Petrobras, em comparação a concorrentes Espanhóis, Russas e Chinesas, com as quais Morales tem feito acordos.

O recém-re-eleito Presidente da Bolívia estava em Viena para participar da 2ª Cimeira das Nações Unidas para Países sem Acesso ao Mar, categoria a qual pertence seu país. Sua presença se deve a ação internacional sendo movida contra o Chile, para que este ceda uma parte do seu território à Bolívia permitindo o acesso ao oceano Pacífico.

Segundo Morales, a questão não é uma de soberania e sim do direito da Bolívia em participar de forma equitativa do desenvolvimento econômico observado em toda a América Latina. Sem detalhar o tipo de acesso, nem tampouco se a Bolívia intenciona ter um enclave portuário dentro do Chile, Morales lembrou que já em 1979 o Chile vem sendo pressionado pelos países vizinhos via a Organização dos Estados Americanos (OEA) a ceder uma via marítima ao seu país.

Morales anunciou que a 3ª cimeira para o assunto se realizará no ano que vem na Bolívia. "Mas espero que o diálogo entre nós e o Chile já tenha avançado", terminou.

O Brasil importa cerca de 30 milhões de metros cúbicos de gás liquefeito da Bolívia por ano, dentro dos termos de um acordo de 20 anos, que começou em 1999. Inicialmente negociado a preços abaixo do mercado, o contrato foi renegociado em 2006, durante o primeiro mandato do governo Morales, quando um gasoduto e uma refinaria construídos com capital brasileiro foram estatizados.

A demanda brasileira pelo gás liquefeito boliviano tem se acirrado desde que começou no Brasil uma das piores secas da história, que vem deixando de joelhos o sistema hidrelétrico do país, resultado do assoreamento parcial de rios que alimentam uma dezena de barragens, principalmente na região sudeste e centro-oeste.

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