OPINIÃO
09/01/2015 17:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

O Brasil está em crise. Será?

Em um país em crise aguda, o primeiro item a ser cortado da lista de prioridades das famílias é o supérfluo - onde se inclui o lazer e o turismo. É por isso que eu acho que, embora a situação econômica do Brasil não esteja das melhores, a crise ainda não é tão ruim quanto muitos querem nos fazer crer.

Dizem que o Brasil vive uma de suas piores crises dos últimos tempos. Mas será mesmo?

Vejam as fotos das praias cariocas no último dia do ano e no primeiro sábado do ano distribuídas pela Agência Brasil, dentre várias outras agências de notícias:

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil - 31.12.2014

Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil - 3.1.2015

Será que, num país em crise, as pessoas têm dinheiro para viajar para o Rio de Janeiro e passar as férias em uma das mais praias mais caras de lá -- Ipanema -- onde a latinha de cerveja é R$ 8? Porque, obviamente, não há só cariocas e farofeiros nesta orla entupida de gente.

E não é só o point do Rio que está movimentado assim. Mesmo em uma Belo Horizonte esvaziada de janeiro, numa noite de domingo (nem foi numa sexta ou sábado, mas domingão mesmo), o que vi foram bares e restaurantes cheios na região mais cara da cidade, a Savassi:

Pizza Sur, onde a fatia "grande" custa em média R$ 50 e só se vende long neck, lotada. Esta e todas as fotos abaixo: arquivo pessoal

Pátio Savassi cheio

Eddie (um dos sandubas mais caros da cidade) cheio

Outback tinha até gente na fila de espera

Momo cheio

Três bares da praça da Savassi com mesas lotadas

Status Café com movimento bom (já vi melhor, mas estava OK)

Além das praias, bares e restaurantes, temos visto estradas e aeroportos lotados, shoppings e cinemas com gente a sair pelo ladrão, shows esgotados, parques e praças com comércios, ainda que informais, a pleno vapor. Se antes noticiávamos que os ventiladores estavam esgotados nas prateleiras das lojas no verão, agora são os três vezes mais caros climatizadores que não podem ser encontrados em lugar nenhum, desde em shoppings caros até lojas populares.

Ok, Cris, qual é o seu ponto? Meu ponto é que podemos ler o noticiário econômico, que traz muito o ponto de vista pessimista do mercado e dos bancos e costuma destacar mais as políticas econômicas dos governos federal e estaduais -- Banco Central, Ministério da Fazenda, Secretarias de Estado etc. E podemos dosá-lo com a economia do dia a dia, da vida real, das nossas esquinas. Porque uma coisa que aprendi na minha incursão de mais de ano no jornalismo econômico foi que há vários fatores, além das políticas fiscais, que levam um país a estar em crise ou em conforto, inclusive fatores psicológicos -- daí porque a confiança do consumidor, que tem se mantido estável nos últimos meses, é estudada por escolas tradicionais como a FGV. Enquanto o emprego continua em situação confortável e os brasileiros seguem consumindo produtos e serviços, a economia se mantém relativamente aquecida.

Outra coisa que aprendi é que, num país em crise aguda, o primeiro item a ser cortado da lista de prioridades das famílias é o supérfluo - onde se inclui o lazer e o turismo. A família se preocupa mais com alimentação e vestuário do que com a cervejinha do fim de semana no bar mais caro da Savassi ou uma viagem para o Rio de Janeiro em pleno Réveillon.

É por isso que eu acho que, embora a situação econômica do Brasil não esteja das melhores, a crise ainda não é tão ruim quanto muitos querem nos fazer crer. Pode até ser que fique, mas ainda não ficou -- e estou na torcida para que as coisas só melhorem, né ;)

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Post originalmente publicado no Blog da kikacastro

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