OPINIÃO
21/03/2014 11:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

O verdadeiro Bling Ring: discussões sobre o caso e entrevista exclusiva com líder do grupo

Fui poucas vezes ao cinema em 2013. Uma delas foi na semana de estreia de The Bling Ring, que, trazendo duas das artistas que eu mais admiro e gosto, Emma Watson e Sofia Coppola, havia me deixado ansiosa por meses. Nesse filme, ambas estavam completamente diferentes dos trabalhos anteriores: Emma, puxada no sotaque (e no estilo de vida) das Valley Girl cheia de "OMG" e "That's so cuuuute", e Sofia, substituindo as cores pastéis e a trilha sonora indie da estética dos filmes anteriores por alta saturação e muito hip hop. Saí do cinema completamente apaixonada, mas a história estava mal começando a se criar na minha cabeça.

Por que muita gente estava amando aqueles personagens "criminosos", rindo com a burrice da Paris Hilton, que deixava a chave embaixo do tapete? Por que muita gente invalidava toda a condenação sutil que Sofia nos trouxe em sua evolução da história e sequências de cenas irônicas como essa, em que Emma nos encara para declarar o desejo de roubar e, em seguida, nos implora perdão alegando ignorância? Por que simpatizamos, compreendemos e nos apegamos aos personagens?

The-Bling-Ring

Vamos começar a crônica com os personagens da vida real. Temos Rachel Lee (no filme, Rebecca Ahn), considerada líder da gangue. Jonathan Ajar e Roy Lopez, responsáveis por revender os artigos roubados. Diana Tamayo e Courtney Ames (que inspirou tanto Chloe Tainer quanto Sam Moore), outras participantes dos roubos. E, finalmente, os personagens mais interessantes: Nick Prugo (na versão cinematográfica Marc Hall), que fez a entrevista que denunciou todos os participantes, e Alexis Neiers, a moça para quem Emma Watson deu vida na tela de cinema como Nicki Moore (sua irmã adotiva na vida real, Tess Taylor, seria a outra inspiração para Sam).

Isso porque na TV Alexis e Tess já eram conhecidas. Neiers atuava como professora de poledancing e hip hop, Taylor era cybergirl da Playboy e ambas também trabalhavam como modelo e eram party girls da cena de Los Angeles. Em 2010, ganharam seu próprio reality show, Pretty Wild, que ficou no ar durante uma temporada de sucesso com 9 episódios. Inclusive, a matéria que deu origem ao filme foi escrita por Nancy Jo Sales para a Vanity Fair em 2010 e trechos de sua entrevista com Alexis aparecem no sexto episódio da série, criando um dos momentos mais icônicos dos reality shows: a fatídica cena ligação, que você pode conferir aqui. Nancy Jo intitulou a matéria de "The Suspects Wore Louboutins", em uma referência à suposta roupa que Alexis teria usado para ir à corte. Essa reportagem se tornaria um livro em 2013, em que Nancy Jo reflete sobre (e culpa) uma geração, para ela, completamente perdida e alienada.

The Bling Ring em mugshots (em ordem): Rachel Lee, Diana Tamayo, Jonathan Ajar, Alexis Neiers, Nick Prugo, Courtney Ames e Roy Lopez.

The Bling Ring em mugshots (em ordem): Rachel Lee, Diana Tamayo, Jonathan Ajar, Alexis Neiers, Nick Prugo, Courtney Ames e Roy Lopez.

Para Nancy Jo, que age durante o livro inteiro como juíza do sofrimento, intenções e caráter de todos, a grande dúvida era como esses jovens chegavam a esse nível de delinquência para chegar perto dos famosos que idolatravam. "Comecei a me perguntar se havia algum tipo de ressentimento crescente direcionado aos ricos (um precursor do sentimento que levou ao movimento Occupy Wall Street)". Para Sofia, o que atraiu na história foi "toda a ideia em torno do narcisismo e dos reality shows da TV e da obsessão com as redes sociais, tudo pelo qual os jovens dessa geração se mostram obcecados e do modo como são mimados". Sofia nasceu em berço de ouro: uma de suas primeiras lembranças é de estar sentada no colo de gente como Andy Warhol, Marlon Brando e Steven Spielberg. Aos 15 anos, fascinada por moda, teve todas as portas abertas para estagiar na Chanel. Para Nancy, "ela também nutria algumas das aspirações daqueles jovens - a diferença, é claro, é que ela era o artigo legítimo, a it girl que eles desejavam ser", e implícito fica o julgamento de que, nesse caso, tudo bem. E, do topo de seu mundo de privilégios, ela se chocava com a maneira como aqueles jovens "falavam sobre o que fizeram, como se fossem estrelas".

A verdade é que um novo tipo de estrelas estava surgindo: gente que era famosa por ser famosa, como Paris Hilton, Kim Kardashian e Lindsay Lohan - a gente lembra dela por causa dos filmes ou fofocas? Não há dúvidas de que a presença dos artistas nas redes sociais contribuiu para a ilusão de proximidade entre fã e ídolo. Por outro lado, qualquer um pode se tornar ídolo: os sintomas claros se manifestam na multiplicação de webcelebridades com Twitters lotados de seguidores, nos Instagrams de blogueiras de look do dia que são idolatradas por adolescentes que já se sentem influenciadas e obrigadas a adquirir aqueles produtos, nas selfies postadas por provavelmente a geração inteira de jovens Millenials em busca de adoração e aprovação na forma de likes. De uma forma ou de outra, a noção de celebridade atinge novos níveis de realidade em nossos dias e a fama, mais do que nunca, realmente está ao alcance (e no desejo) de todos.

Para quem busca pelo sucesso, a instrução é óbvia: ter é o caminho para ser em uma cultura construída de idolatria que se manifesta na forma de inveja, cópia, obsessão e forte sensação de vazio que só pode ser preenchido seguindo a receita de ser linda, magra, rica, branca, onde qualquer apropriação material é o único caminho para felicidade e plenitude emocional ou espiritual.

"A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. (...) Não é somente pela sua hegemonia econômica que a sociedade portadora do espetáculo domina as regiões subdesenvolvidas. Domina-as enquanto sociedade do espetáculo. Lá onde a base material ainda está ausente, a sociedade moderna já invadiu espetacularmente a superfície social de cada continente. Ela define o programa de uma classe dirigente e preside sua constituição", explica Guy Debord em A Sociedade do Espetáculo.

Segundo Nick, tudo começou com Rachel, que contou que já havia invadido lugares antes e queria agora entrar na casa de celebridades: "ela queria fazer parte daquele estilo de vida, o estilo de vida que todos nós mais ou menos queremos ter". E foi fácil, afinal ninguém se importa tanto com segurança em um lugar tão rico - e, por consequência ilusória, naturalmente seguro. A primeira tentativa foi a casa de Paris porque ela parecia ser burra a ponto de deixar a porta destrancada - e, como descobrimos ao acompanhar a história, realmente era. Os cinco gramas de cocaína colocados dentro de um carro no filme vieram, segundo Nick, da casa de Paris. Também lá encontraram notas amassadas de 50, 100 dólares, como se Paris tivesse saído para passear e aquele era o trocado - que rendeu $1800 para cada um. Mas os roubos não eram apenas pelo dinheiro. Era mais fácil inclusive dizer que o dinheiro era provavelmente o menos importante nesses casos, porque Rachel costumava consegui-lo de casas anônimas e carros pela rua. Invadir as casas de celebridades era o caminho para que eles se sentissem como elas, estando em suas casas, vestindo suas roupas. Não uma réplica, uma roupa igual comprada em uma loja qualquer: suas roupas. "Não sei se existe algum vídeo do aeroporto [de quando Rachel foi para a casa do pai], mas ela estava com a mala, a bolsa e as roupas de Lindsay Lohan. Tipo, ela se transformou na Lindsay Lohan", contou Nick. Essa necessidade interna era tanta que, como o filme mostra num retrato trágico e cômico, Rachel efetivamente pergunta instantaneamente ao policial o que Lindsay  disse ao conversar sobre os roubos. Para Nick, ela se sentia completamente em casa nas invasões: tanto que, segundo ele, inclusive se permitiu aliviar as necessidades fisiológicas no banheiro de Rachel Bilson. Com Paris, o conforto era exposto na forma de incursões em série, porque a dona acumulava tantas riquezas que não era capaz de perceber os furtos que chegaram a somar milhões de dólares. "Não via maldade naquilo. Não estava ali roubando, digamos, algum cidadão trabalhador", é o que disse Prugo.

Courtney Ames em foto do TMZ e screenshot do filme com as personagens Rebecca Ahn e Sam Moore. Courtney Ames em foto do TMZ e screenshot do filme com as personagens Rebecca Ahn e Sam Moore.

Na seção de comentários de uma das reportagens do TMZ, é possível ler a seguinte opinião: "Toma essa, Hollywood! Espero que vocês tenham aproveitado bem seus dias ao sol... Esses Robin Hoods modernos serão todos considerados inocentes e libertados para chicotear aqueles que pisaram nos camponeses como nós. São todos heróis!" As predições se provaram falsas: ao ameaçarem a segurança inviolável de celebridades, todos eles encontraram sentenças culposas. E, embora essa visão que percebe a culpa de Hollywood e da mídia traga um conteúdo que faltou à reportagem de Nancy Jo e ao filme de Sofia, a verdade é que não havia nenhuma intenção revolucionária nas ações trangressoras de Prugo e do resto do grupo: a única coisa que eles queriam era pertencer ao topo do sistema. (Aqui no Brasil, a gente pode encontrar uma intenção semelhante nos rolezinhos.)

Acontece que exibição também é parte disso: como Sofia retratou no filme em sequências de fotos do Facebook e em cenas inteiras dedicadas a poses e flashes dos personagens, o estilo de vida buscado precisava ser documentado, postado e curtido - era parte da ideia da fama, de admiração e de validação que eles buscaram. A exposição era intrínseca à necessidade de se sentir como celebridade e até mesmo a sequência de Nick Prugo na frente da webcam fumando e dançando ao som de "Drop It Low" é real, como vocês podem ver aqui. Essa exibição, porém, se mostrou a principal armadilha que eles criaram para si mesmos, incriminando-os: os registros policiais contam com gravações de pessoas que ligaram pra nomear os envolvidos, alegando que eles se gabavam dos furtos e invasões durante festas e postavam nas redes sociais.

A reportagem-livro de Nancy Jo traz uma série de dados e entrevistas sobre o impacto de reality shows, internet e a mídia na vida dos jovens. Os impossíveis padrões de beleza e estilos de vida, desde vestimentas até sexualidade, são inevitavelmente absorvidos de forma plena por uma geração imensa que se vê vítima dessas imposições - e não os culpados, como a autora expressa no seu julgamento muitas vezes sutil, mas sempre ácido. Nas palavras de Alexis, que mistura os pronomes ao falar de celebridades, às vezes tratando-as por "nós" e outras por "eles": "as ações de todos têm consequências. Tudo, de fumar a usar drogas e consumir álcool, e coisas assim; as pessoas não vêem que estão dando um exemplo. Se as celebridades usam um sapato, todos querem o mesmo sapato. De repente, todos ficam loucos por ele".

Alexis Neiers na matéria da Vanity Fair e Emma Watson em cena do filme.

Alexis Neiers na matéria da Vanity Fair e Emma Watson em cena do filme.

Mesmo sobre as investigações, existem muitas coisas que permanecem estranhas. Nick Prugo confessou furtos que os policiais ainda nem faziam ideia que haviam acontecido, aumentando sua sentença, antes mesmo de ter um acordo. Ele alegou inicialmente que fez isso por uma "consciência limpa", e, quando seu advogado teve a licença cassada, passou a dizer que havia sido pressionado a confessar. "Enquanto representei Nick, vi que ele estava ansiosíssimo para fazer aparições públicas e ser fotografado pelos paparazzi. Isso complicaria minha estratégia de transformá-lo em um herói digno de compaixão que dedurou seus cúmplices", disse o advogado. A especialista em treinamento para prisão que auxiliou Rachel Lee alegou que a garota tem problemas de aprendizado, um QI baixo e é mentalmente incapaz de ter sido a líder dos roubos. Courtney Ames foi gravada em vídeo brigando com o TMZ e alegando a própria inocência. Alexis Neiers e a irmã adotiva Tess Taylor costumavam fazer tudo juntas, mas a segunda não é mencionada nenhuma vez nas acusações de Prugo. Em entrevista para o Huffington Post em 2013, ele especula que "foi a mãe de Alexis que ficou mandando ela fingir que era inocente"; no livro de Nancy Jo, quando questionado sobre o motivo pelo qual demorou a acusar as irmãs, ele explicou que elas supriram o vazio deixado por Rachel e que ele queria protegê-las.

No fim, a grande ironia de tudo é a forma como a história é contada. É Sofia Coppola, do trono em que nasceu, do "legítimo" - como disse Nancy Jo - grupo idolatrado, que impunha seu estilo de vida como condição sem a qual a felicidade é impossível de ser conseguida, julgando os jovens que levavam às últimas consequências os desejos e lições que aprendiam das camadas mais ricas. É o policial dando uma lição de moral ao afirmar que "não é porque alguém tem muito dinheiro que o fato de roubá-lo deixa de ser um crime" para jovens que queriam fama, e em seguida fazendo ponta no filme de Hollywood e sendo indiciado posteriormente por ter divulgado publicamente informações enquanto o caso ainda estava aberto. É a incoerência de Nancy Jo que agradece ao pai, "sobretudo por me ensinar a trabalhar duro (e a não roubar casas)", enquanto sua pequena biografia na orelha do livro é recheada de nomes de celebridades colocados ali como validação automática justamente por aquilo que ela parece tão obcecada para condenar. Tudo isso traz ao ar O Grande Gatsby: "Sempre que tiver vontade de criticar alguém, lembre-se de que ninguém teve os privilégios que você teve".

Paris Hilton e seus milhões - acumulados graças à concentração de renda aplaudida de pé pelo nosso capitalismo às custas da fome e da morte de outros - se coloca no papel de vítima mor e declara ao TMZ que "esse bando de marginais imundos" deveria ficar dez anos na cadeia. Porque de alguma forma o que impressiona as pessoas é o fato de jovens roubarem milhões de celebridades, e nunca o fato de essas celebridades terem tanto que essa quantidade inacreditável de dinheiro furtado passou despercebida por muito tempo.

O que me choca é que a lição que Nancy Jo deixa é que obscenos são só os roubos, e não o fato de Paris Hilton ter uma réplica de sua mansão em uma miniatura de 100m² para seus cachorros - que vivem de comer e soltar seus excrementos no seu canil de 325 mil dólares, mobiliado por Phillip Starck - em um mundo com desigualdades como o vídeo abaixo mostra:

De todos os participantes, a trajetória de Alexis é a que mais me chama atenção: a suposta participação nos furtos, seu reality show, o envolvimento com drogas que levou ao cancelamento do programa, a prisão novamente, a passagem pela reabilitação. Hoje, Alexis é casada, mãe e envolvida em discussões sobre vício e recuperação de viciados - mas essa história e sua superação, de garota mimada e pretty wild para mulher inspiradora e compromissada na luta pelo ser humano, será contada em outro momento.

Atualmente, Tess Taylor também está sóbria, Courtney Ames estuda psicologia na California State University, Diana Tamayo está seguindo carreira em nutrição, e há poucas notícias sobre Rachel Lee - que erradicou sua presença online e não deu nenhuma entrevista enquanto o caso se desenrolava. Conversei com Nick Prugo por telefone para saber sobre suas impressões sobre o filme, sobre a repercussão da história e sobre seus planos para o futuro.

"O que eu sempre falo pras pessoas é que o filme e o livro são interpretações dos fatos a partir da visão da autora e da diretora. Acho que no geral está bem perto da realidade. Muitas coisas eles acertaram, outras nem tanto", ele começa explicando sua opinião. Sei que ele já viu o filme mais de uma vez e que a cena em que ele usa os sapatos de Paris Hilton é uma das coisas que o filme não acertou. "Aquilo foi invenção da Courtney [Ames]. Aliás, os sapatos da Paris são grandes demais para mim." Aplaudindo a escolha do elenco, especialmente o incrível trabalho de Emma, ele brinca que antes do filme pensava em Zac Efron fazendo seu papel.

Aproveitei para falar logo no início que fiquei confusa com as declarações dele sobre a confissão. Foi afinal por pressão do advogado ou ele efetivamente buscava terminar com a ansiedade causada pelos roubos? "Eu tava realmente ansioso e me sentindo mal, e queria ser sincero, mas meu advogado falou que eu conseguiria um bom acordo se confessasse, o que não aconteceu. Ele teve a licença profissional cassada", acrescenta. Comento sobre o detetive que foi indiciado: "Bom, muitas coisas nesse caso foram pouco ortodoxas".

Durante os furtos, Nick desenvolveu um vício em cocaína. Pergunto como ele está agora: "Estou sóbrio e saudável, gosto de fazer caminhadas e ficar sempre ativo. Quer dizer, ainda gosto de beber às vezes, nos fins de semana principalmente... mas estou sóbrio mesmo." O envolvimento com as drogas obviamente não foi a única consequência ruim, mas a repercussão do caso o colocou em evidência e trouxe oportunidades. "Mas eu acho que ir pra prisão foi a melhor coisa que aconteceu comigo, eu tava muito deprimido e estressado... e fiquei sóbrio lá. Aprendi muito por ter sido punido. Acho ruim que nem todo mundo precisou passar tempo na cadeira, porque muitas pessoas envolvidas no caso saíram sem aprender nada", ele discute. Sei que ele não pode contatar ninguém do grupo por decisão judicial, mas, como Tess não foi acusada e ele postou essaessa foto no Instagram, pergunto se eles mantiveram contato. "Não. Nós já nos encontramos e conversamos, mas no geral não." E se ele pudesse dar um recado para algum deles? "Eu diria que espero que todo mundo esteja bem e feliz."

Voltando para o filme, pergunto sobre os encontros com Sofia Coppola. "Na verdade, eu ouvi que Alexis estava sendo consultora do filme e eu queria que eles soubesse a história verdadeira", alfineta. Pelo tom de voz sempre que Alexis é mencionada, é óbvio que ainda existe algum tipo de ressentimento ali. "Sei que ela costuma contar uma história diferente... Mas enfim, eu amo a Sofia, amo os filmes dela, principalmente As Virgens Suicidas. Eles me convidaram pra ser consultor também em Bling Ring, mas eu recusei porque na época o caso ainda estava aberto e eu não queria que fosse prejudicado por causa disso." Comento que vi em uma entrevista no The Dirty que Alexis confessou ter sido ela quem ligou para a polícia para dedurar o grupo inicialmente: "Eu ouvi isso também, mas não sei se foi assim que aconteceu mesmo. A declaração policial dizia outra coisa."

No filme, o personagem de Nick é citado dizendo: "América tem um fascínio doentio por esse tipo de coisa meio Bonnie e Clyde". "A gente cresce vendo TV, e principalmente quando a gente é adolescente isso nos influencia muito. É muito poderoso", ele explica. Pergunto se ele considera as representações distorcidas e se ele considera a avaliação de Nancy Jo tendenciosa de alguma forma: "Eu acho que o livro é mais um comentário social, bem mais sério, e não acho que nenhum dos dois tenha sido pesado ao lidar com o tema. E, bom, eu sou bem amigo da Nancy Jo hoje em dia", e essa declaração é realmente bastante reveladora.

Voltando aos crimes: então, você se arrepende de verdade?, pergunto. Diplomático, ele responde: "Com certeza, o que mais me arrependo foi ter machucado as vítimas. Mas agora eu estou bem e cansei de pedir desculpas. Quero seguir em frente." E está fazendo isso com seu próprio reality show. "Vai ser em Los Angeles, muito divertido, engraçado, cool... e bom, eu vou estar nele!" completa, rindo. Vocês já têm um nome pro programa? "Não, ainda não." Insisto um pouco e peço pra ele me contar mais. Que tipo de abordagem vai ter? O que o show vai mostrar? Quem vai estar nele? "Eu sinto muito, não posso falar mais nada! Assim que eu puder eu falo, eu juro!" Tudo bem. Pra ficar ligado nas novidades, ele indica seu Twitter e Instagram, onde inclusive continua postando fotos com famosos e com dinheiro. "Eu adoro receber mensagens dos meus fãs no Brasil", ele fala. "É sério, você tem que me citar dizendo isso, eu adoro brasileiros!"

Pergunto se ele tem alguma noção de quantas vezes já foi entrevistado sobre o caso. "Inúmeras", ele ri. "De várias formas, pra TV, jornais, por telefone..." Nas redes sociais também é possível encontrar várias menções sobre o assunto. Você não cansa?, insisto. "Não, não mesmo. Eu não me importo de contar a história", ele fala. As fotos da época do Bling Ring com a hashtag #throwbackthursday, como aqui (no Les Deux com Diana, Courtney e Rachel) e aqui (com Rachel) fazem coro à declaração. "Eu gosto de tirar as coisas a limpo e ser honesto."

Tem alguma pergunta que você não gostaria de responder? "Não", declara. E repete: "Eu gosto de ser honesto".

(Texto postado originalmente no blog Catárticos)