OPINIÃO
15/07/2015 16:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Nós somos a soma total das nossas experiências

O consumo não vai acabar. As pessoas vão continuar consumindo, mas, em vez de produtos, a humanidade agora está em busca de experiências. E não é?

Radius Images

"O que faz você feliz?" canta outra Clarice, a Falcão, no comercial do Pão de Açúcar. Essa música sempre me vez à cabeça quando leio esta frase (nesses casos, é quando eu tenho certeza que uma campanha publicitária foi bem sucedida. Rs!), e foi a manchete de uma matéria de li em um site há alguns dias.

O texto falava basicamente que a ciência explica o motivo porque devemos gastar nosso dinheiro com experiência e não com coisas. Bens materiais trazem felicidade sim, mas por um tempo limitado.

"O Dr. Thomas Gilovich, psicólogo e professor da Cornell University, nos EUA, estudou e acompanhou pessoas após a compra de algo grande, que os fez feliz, e concluiu que bens materiais trazem felicidade, mas por um período limitado de tempo. 'Um dos inimigos da felicidade é a capacidade de adaptação. Nós compramos coisas para ficarmos felizes, e nós conseguimos. Mas somente por um tempo. Novos objetos são empolgantes no começo, mas aí nós nos adaptamos a eles'."

Esta leitura rapidamente me remeteu à palestra que assisti da Karina Arruda (da consultoria Inspiral), onde ela falava das formas de consumo. O tema da palestras era algo como "Razões para acreditar em 2015" e ela tranquilizava alguns empresários com medo da crise. Segundo Karina, o consumo não vai acabar. As pessoas irão continuar consumindo, mas, em vez de produtos, a humanidade agora está em busca de experiências. E não é?

No BrazilFoundantion, baile de gala que acontece anualmente para arrecadação de fundos - além dos convites caros, tem um leilão famoso por seus doadores mais famosos ainda. A matéria da Veja São Paulo intitulava "Em noite morna, gala do BrazilFoundation tem leilão baixo". De fato, grande parte dos bens foram arrematados por valores abaixo do valor do mercado. No entanto, em meio a peças de designers renomados, o que realmente fez sucesso foram as experiências: uma viagem de dez noites para destinos como Dubai, Índia e Londres; uma expedição pela Patagônia, com cruzeiro e hotel; uma experiência "priceless" da Chanel, que incluía assistir aos desfiles da grife em Paris, visita guiada ao apartamento de Mademoiselle Coco e duas noites no hotel Ritz; doze pares de sapatos criados com exclusividade por Alexandre Birman mais uma visita à sua fábrica no Rio Grande do Sul, seguido por final de semana em Gramado. Esses, sim, foram bem arrematados.

As pessoas continuam consumindo, apenas um fator que passou a contar muito é a sensação de "viver" o que se consome, de compartilhar com outras pessoas e, no final, ter histórias para contar. Uma experiência, mesmo que ruim, rende boas histórias.

O que vale mais para você? Aquela viagem maravilhosa a Paris, com suas paisagens, sabores e aromas ao lado de quem você ama ou a viagem maravilhosa a Paris, para adquirir de vez aquela bolsa que tem lista de espera para comprar e você não vê a hora de desfilar com ela na frente das suas amigas?