OPINIÃO
04/04/2015 10:42 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:22 -02

Já deveríamos estar em Marte! Por que não estamos?

Enviar missões tripuladas a Marte até meados da década de 2030 hoje faz parte integral da política espacial oficial dos Estados Unidos. A discussão política desse tema vem crescendo desde o teste bem-sucedido da cápsula Orion, em dezembro, além da descoberta de compostos orgânicos, nitrogênio e evidências de um oceano antigo em Marte. Mas o objetivo é realista, ou este é realmente um caso de pensamento veleitário [ou seja, interpretar o que se deseja como realidade]?

Steven Hobbs/Stocktrek Images via Getty Images

O avanço da humanidade no espaço não seguiu exatamente o caminho previsto. Nas décadas de 1960 e 1970, os futuristas e os filmes de ficção científica, como 2001: Uma Odisseia no Espaço ou o seriado Space 1999, davam como certo que voos espaciais regulares com passageiros, bases na Lua, exploração interplanetária e outros avanços espaciais extraordinários seriam parte da realidade antes do final do século 20. Estamos muito distantes de termos realizado essa visão, é claro. Mas, por mais que essas especulações hoje possam nos parecer irreais, elas não eram inteiramente baseadas na fantasia.

Depois de os EUA terem levado humanos à Lua, houve discussões de alto nível na NASA e fora dela em que se defendeu o envio de homens a Marte até meados da década de 1980. Em vista da rapidez notável com que os EUA conseguiram chegar à Lua, desembarcar em Marte até os anos 1980 não parecia algo tão improvável. Infelizmente, porém, a realidade política interveio. Depois de ter derrotado os soviéticos na corrida para chegar à Lua e após apenas alguns pousos bem-sucedidos, o financiamento do programa Apollo foi cancelado e, em vez disso, o foco do programa espacial foi conduzido para outro rumo que nos levaria a girar em órbita terrestre baixa por 45 anos. E assim chegamos aos dias atuais. Enviar missões tripuladas a Marte até meados da década de 2030 hoje faz parte integral da política espacial oficial dos Estados Unidos. A discussão política desse tema vem crescendo desde o teste bem-sucedido da cápsula Orion, em dezembro, além da descoberta de compostos orgânicos, nitrogênio e evidências de um oceano antigo em Marte. Mas o objetivo é realista, ou este é realmente um caso de pensamento veleitário [ou seja, interpretar o que se deseja como realidade]?

Vários fatores se concretizaram recentemente que podem finalmente nos colocar no caminho de Marte e outras partes do sistema solar. O primeiro fator, e possivelmente o mais importante, é que existe um consenso muito maior sobre a exploração de Marte do que já existiu antes na NASA, na comunidade aeroespacial e na comunidade política. Nem todos concordam sobre como chegaremos lá ou onde iremos no caminho até lá, mas chegar a Marte até meados dos anos 2030 é o consenso majoritário. Uma coalizão unificada desses atores pode exercer um impacto poderoso e duradouro.

Pesquisas de opinião recentes também sugerem que, quando os níveis orçamentários da NASA são entendidos por todos os participantes nas pesquisas, existe apoio público forte ao envio de missões humanas a Marte. Uma das maiores dúvidas normalmente levantadas em relação a missões a Marte é se podemos arcar com os custos. Mas a resposta a essa pergunta parece ser "sim".

Boa parte da oposição feita à exploração de Marte é baseada em táticas de desinformação e desvio de atenção que deixam implícito ou declaram abertamente que missões a Marte afundariam o orçamento ou colocariam a Seguridade Social em risco, algo que, em visto do contexto e dos fatos atuais relativos ao orçamento, é um absurdo. Muitos especialistas aeroespaciais acreditam que levar o homem a Marte é algo que pode ser conseguido sem grandes aumentos ao orçamento da NASA; eles consideram que a maior parte do aumento ficaria por conta do ajuste devido à inflação. Podemos, portanto, argumentar que, se a NASA assumisse o compromisso de enviar humanos a Marte, em vez de gastar recursos comparáveis com metas menos ambiciosas ou que mudam constantemente, isso seria fiscalmente responsável.

O chamado lançado pelo presidente Kennedy no início dos anos 1960 para que os EUA levassem uma tripulação até a Lua antes do final daquela década pôde virar realidade graças ao timing e às circunstâncias. Não podemos reproduzir as circunstâncias presentes naquela década e não deveríamos sequer tentar, pois, embora o programa Apollo tenha sido um sucesso espetacular, ele mostrou não ser um modelo sustentável de exploração espacial.

A liderança presidencial ainda é importante, mas talvez não precisemos de outro discurso presidencial à moda de Kennedy. O impulso em favor da exploração de Marte está se desenvolvendo muito mais organicamente que outros objetivos passados de missões humanas. Em vez de o programa estar sendo ditado de alto para baixo, parece que estamos construindo (pelo menos os objetivos gerais) de baixo para cima. Isso é muito importante e pode ser o "elo faltante" interplanetário que pode gerar a sustentabilidade política necessária para um programa de longo prazo. Esses e outros temas atuais serão o foco da Cúpula Humanos a Marte que terá lugar entre 5 e 7 de maio deste ano em Washington.

Os humanos não vão visitar uma estrela vizinha no futuro próximo, nem mesmo as luas de Júpiter, mas talvez tenhamos finalmente a oportunidade de avançar mais longe no espaço e chegar a Marte - para explorar, descobrir e desenvolver.

Chris Carberry é executivo-chefe da Explore Mars, Inc. Rick Zucker é diretor de estratégia política da Explore Mars, Inc.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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