OPINIÃO
13/03/2015 16:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Como podemos superar as inaceitáveis lacunas na igualdade de gêneros

Nos últimos 20 anos, vimos tremendos progressos para mulheres e meninas de todo o mundo: a taxa de mortalidade maternal caiu quase pela metade; hoje, meninas e meninos estão entrando na escola quase na mesma proporção; e nunca antes na história tantos países garantiram direitos iguais para as mulheres perante a lei. Mas também é inquestionável que, quando se trata da participação plena de mulheres e meninas em todas as facetas da sociedade, ainda não chegamos lá.

Nos últimos 20 anos, vimos tremendos progressos para mulheres e meninas de todo o mundo: a taxa de mortalidade maternal caiu quase pela metade; hoje, meninas e meninos estão entrando na escola quase na mesma proporção; e nunca antes na história tantos países garantiram direitos iguais para as mulheres perante a lei. Mas também é inquestionável que, quando se trata da participação plena de mulheres e meninas em todas as facetas da sociedade, ainda não chegamos lá.

É por isso que minha mãe e eu lançamos na fundação Clinton o No Ceilings: The Full Participation Project (sem limites: o projeto de participação total, em tradução livre), em 2013. E é por isso que passamos o último ano trabalhando com a Fundação Bill e Melinda Gates, sob a liderança de Melinda Gates, para medir exatamente quais foram os ganhos em termos de direitos e oportunidades para mulheres e meninas - e as lacunas que ainda permanecem.

No Sem Limites, temos o objetivo de determinar o progresso feito desde 1995 - mais especificamente, desde a Quarta Conferência Mundial das Mulheres das Nações Unidas, em Pequim. Naquela reunião, em que minha mãe representou os Estados Unidos como primeira-dama, delegados de 189 países exigiram a "participação completa e igualitária das mulheres na vida política, cívica, econômica, cultural e social".

"Se uma mensagem dessa conferência ecoar no futuro", declarou minha mãe, "que seja a de que direitos humanos são direitos da mulher e que direitos da mulher são direitos humanos". Isso pode parecer óbvio, mas na época não era assim em muitos lugares - e ainda não é assim hoje em vários lugares do mundo.

No Dia Internacional da Mulher lançamos uma campanha batizada de "Não Chegamos Lá", para compartilhar nossos achados por meio do poder da mídia. Estamos empolgadas de poder contar com o apoio de Amy Poehler, Sienna Miller, Jenny Slate, Cameron Diaz, Karlie Kloss, Padma Lakshmi e muitas outras; e marcas como Condé Nast, Unilever, iHeartMedia e Kate Spade. As comunidades online e das mídias sociais se uniram numa demonstração de forças em nome da igualdade de gêneros. De outdoors na Times Square e capas de revistas a vídeos online e plataformas de mídias sociais, as mulheres desapareceram. No lugar delas, via-se a URL not-there.org. A igualdade para as mulheres ainda não "chegou lá" - tanto nos Estados Unidos como no exterior - e, para demonstrar esse fato, algumas das mulheres mais icônicas do mundo também "não estava lá".

Ontem também publicamos o relatório No Ceilings: The Full Participation Project no site noceilings.org . Acreditamos que seja o relatório mais completo do progresso para mulheres e meninas e também das lacunas que ainda existem na igualdade. Ele inclui visualizações de dados interativas e compartilháveis para que os usuários possam entender e se envolver com os dados e as tendências. Todos os dados são abertos, o que significa que as pessoas podem usá-los em seus próprios projetos de pesquisa para responder suas perguntas e levar a cabo mudanças significativas e sustentáveis.

Uma das minhas heroínas, a professora Wangari Maathai, é uma dessas mulheres. Quando era uma jovem professora da Universidade de Nairóbi, ela começou a se preocupar com a severa degradação ambiental no Quênia e com os direitos das mulheres. Em resposta, criou o Green Belt Movement (GBM, ou movimento do cinturão verde), uma organização sem fins lucrativos que opera até hoje para promover a conservação e a redução da pobreza por meio do plantio de árvores e do empoderamento das mulheres. Ao longo dos últimos 38 anos, o GBM vem trabalhando com comunidades e já plantou incríveis 51 milhões de árvores em todo o país.

Em 2004, a professora Maathai recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Foi a primeira mulher africana a recebê-lo. Hoje, sua filha, Wanjira Mathai, ela vai participar do lançamento do relatório para discutir o impacto do legado de sua mãe e a importância do papel das mulheres nos esforços de proteção do ambiente em todo o mundo.

Os dados mostram que estamos obtendo progressos em várias áreas importantes - incluindo saúde, educação e proteção judicial --, mas eles igualmente revelam que esses ganhos não são desfrutados por todas as mulheres. Geografia, renda, idade, raça, etnia, deficiências, orientação sexual e normas culturais ainda são determinantes importantes para uma participação completa das mulheres, especialmente nessas áreas. Além disso, ainda existem lacunas significativas e inaceitáveis em termos de participação econômica, liderança e segurança.

Sabemos que, medindo os resultados, podemos mudá-los. Todos nos beneficiaremos de uma participação mais plena de mulheres e meninas. As evidências demonstram que quando mulheres e meninas participam plenamente, as economias crescem e as nações se tornam mais seguras - e nunca houve momento melhor para impulsionar essa mudança do que agora, dado o que sabemos sobre o que funciona. Investir em mulheres e meninas não é apenas a coisa certa a fazer; é a coisa inteligente. É nossa obrigação para com nossas filhas, e nossos filhos, garantir que toda mulher e menina tenha direitos e oportunidades para atingir seu potencial pleno.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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