OPINIÃO
24/08/2018 19:44 -03 | Atualizado 24/08/2018 19:51 -03

Foro de São Paulo é organização secreta comunista?

Checamos: popularizado durante debate presidencial, foro mantém site e atividades públicas.

Paulo Whitaker/Reuters
Cabo Daciolo trouxe ao debate público o Foro de São Paulo e a teoria Ursal.

A checagem de boatos por WhatsApp da semana está pronta. Acompanhe o que é fato e o que é boato.

1. Foro de São Paulo não é secreto

⚠ Está circulando no WhatsApp uma corrente afirmando que o Foro de São Paulo é uma organização secreta de partidos comunistas que pretende criar a Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina).

❗ Se você recebeu essa mensagem, fique esperto, NÃO É BEM ASSIM ❗

🔊 O Foro NÃO é secreto. Olha aqui o site da organização.

❌ Além disso, os partidos que participam do Foro são de diversas vertentes da esquerda e alguns não defendem o comunismo. ❌

📢 O Foro de São Paulo é uma organização que une partidos políticos de esquerda e centro-esquerda da América Latina. Foi constituído em 1990 a partir do convite realizado para que participassem do Congresso do PT.

▶ O objetivo era encontrar soluções para um momento de crise ideológica e política graças à queda da URSS (União Soviética) e ao avanço das políticas de direita em países da região, segundo analisa Pedro Bocca, mestre em Ciências Sociais com experiência em política internacional.

🐻 Sobre a Ursal, Bocca afirma que não passa de uma 'lenda urbana' que ganhou força após as declarações do candidato à presidência Cabo Daciolo (Patriota), no debate realizado pela Rede Bandeirantes, no dia 9 de agosto.

🎙"É uma ideia que nem faz muito sentido ao se considerar a própria composição do Foro de São Paulo, que é bem mais ampla do que partidos socialistas ou comunistas, e que sempre teve a intenção de operar de acordo com as leis."

🗣 A declaração de Daciolo sobre a Ursal está aqui.

📃 A lista de partidos que integram o Foro de São Paulo é esta.

2. Sônia Guajajara, vice de Boulos, é indígena, sim

Se você recebeu em seu WhatsApp uma mensagem que afirmava que Sônia Guajajara não era uma verdadeira indígena por conta de possuir sobrenome Souza Silva Santos, preste atenção: É MENTIRA!

Sônia Bone Souza Silva Santos nasceu em 1974 na Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. A candidata à vice-presidência na chapa do PSol pertence ao povo Guajajara/Tentehar.

No Brasil, para que um indivíduo seja considerado indígena, são considerados dois critérios:

1) A autodeclaração e consciência de sua identidade indígena;

2) O reconhecimento dessa identidade por parte do grupo de origem.

Sônia Guajajara cumpre esses dois requisitos e, portanto, independentemente de seu sobrenome, se considera indígena e é reconhecida como tal pela comunidade indígena, sendo uma líder com reconhecimento internacional.

De acordo com o IBGE, no Brasil (r)existem 869.917 indígenas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país.

3. Guilherme Boulos não é funcionário fantasma da USP

❗❗Se você recebeu uma mensagem dizendo que o candidato à presidência Guilherme Boulos (PSOL) é funcionário da Universidade de São Paulo (USP) e não dá aula há muito tempo, fique atento: É MENTIRA❗❗

👉 Guilherme Boulos é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (2006) e mestrado em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo (2017). O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo esclarece que Guilherme Boulos foi professor convidado em cursos presenciais e de ensino à distância promovidos pela Escola de Educação Permanente (EEP), tendo sido essa sua relação com a faculdade.

👉👉 Tanto a assessoria de Guilherme Boulos quanto a assessoria da USP afirmam que o candidato não tem vínculo empregatício com a universidade e, por isso, seu nome não conta no portal de transparência.

👉👉👉 De acordo com o portal de notícias G1, a assessoria de Boulos informou que ele foi professor de filosofia em escolas públicas da rede estadual paulista e lecionou por um semestre na Faculdade Mauá e que também deu aulas na Escola de Educação Permanente (EPP), ligada ao Hospital das Clínicas.

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Cheque você mesmo:

Checagem G1

Portal de transparência da USP

Perfil Guilherme Boulos

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