OPINIÃO
17/09/2014 14:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Prof. Anuar Mitre merece respeito!

Nós médicos atendemos com alguma frequência pacientes com problemas muito mais complexos do que uma simples dor física e sabemos que estamos sujeitos a eventuais ataques de fúria em nosso dia-a-dia.

Piotr Powietrzynski via Getty Images

É lastimável a insensibilidade com que alguns setores da imprensa tratam notícias tão graves como o atentado sofrido pelo prof. Anuar em seu próprio consultório.

Manchetes como "Paciente estava insatisfeito com cirurgia", "Médico foi baleado por vingança" tratam o assunto com o mais pobre descaso de repórteres de porta de cadeia.

O professor Anuar não é apenas vice-diretor do Hospital Sirio-Libanês, ele é professor livre-docente da Faculdade de Medicina da USP, é Professor Titular de Urologia da Faculdade de Medicina de Jundaí, é exímio laparoscopista, cirurgião robótico, formou dezenas e dezenas de especialistas e ainda mais, é um homem humilde, educado, esportista, dedicado a sua família e preocupado em ter uma vida simples e sem confrontos pessoais.

O ataque covarde que recebeu não veio de uma pessoa insatisfeita com um tratamento, que, aliás, foi realizado de forma gratuita por tratar-se de colega médico e com sucesso, pois resolveu satisfatoriamente a queixa do então paciente. Não cabe a mim retirar o manto sagrado do segredo médico mesmo de pessoa morta e acoimada de um ato tão deplorável, mas posso inferir de que não se tratava de uma queixa objetiva de insatisfação com uma cirurgia ou de um quadro depressivo clássico que culminou em um evento trágico.

O paciente em questão certamente passava por problemas muito mais complexos e profundos. O desfecho dramático direcionado ao professor Anuar ocorreu por se tratar da pessoa mais próxima que pudesse ser responsabilizada, não por uma cirurgia, mas por tudo o que lhe ocorria de negativo nos últimos anos.

É assustador pensar dessa forma, mas nós médicos atendemos com alguma frequência pacientes com problemas muito mais complexos do que uma simples dor física e sabemos que estamos sujeitos a eventuais ataques de fúria em nosso dia-a-dia. Perdoamos... compreendemos... seguimos em frente... e, com paciência, em geral conseguimos ajudar quem nos agride sem nos vitimarmos.

Mas não venham agora com simplificações baratas.

O professoar Anuar merece respeito!

www.cesarcamara.com.br

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