OPINIÃO
09/12/2014 18:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

A senhorinha vendedora de salgadinhos populares na marginal Tietê

Eu sinto por não tê-la conhecido melhor, mas já valeu para que eu valorizasse cada vez mais as pessoas que não desistem da vida.

Eu estava a caminho de Arujá pela marginal Tietê, sentido Dutra. O trânsito estava intenso e me bateu uma baita fome, mas um pouco à frente avistei uma "senhorinha" vendendo diversos salgadinhos populares.

Trânsito parado, fiquei observando-a. Aparentava mais de 60 anos, com seus mais ou menos 1,45cm de altura, cabelos grisalhos e curtos, toda esportiva, calça jeans, camiseta e boné. Não tenho certeza, mas devo ter ficado parada por volta de 10 minutos e a fome aumentando, então pensei: "se ela tiver amendoim salgado, vou comprar, menos mal..." - os únicos salgadinhos que consumo são amendoim e muito raramente as batatas.

Quando meu carro parou bem próximo, perguntei a ela se tinha salgado, ela disse: "sim". Comprei dois saquinhos e o trânsito deu sinal de movimento... Mas ao abrir o saquinho eu fiquei olhando ela pelo retrovisor e pensando.

Quantos adolescentes e jovens estão dando problemas para seus pais? Não valorizam o mínimo que uma mãe ou pai se matam para dar. Não querem estudar, não querem trabalhar... e essa SENHORA nesse SOL LASCADO DE QUENTE, ela deveria estar num lugar acolhedor e não no meio daquela marginal. Ela deveria estar num clube de campo ou num curso do que ela quisesse, mas não, estava lá aquele SER DIVINO ganhando a vida vendendo salgado na marginal Tietê... feliz, feliz.

Eu SINTO por não tê-la conhecido melhor, mas já valeu para que eu valorizasse cada vez mais as pessoas que não desistem da vida.

Ah! Sobre os meus salgadinhos? Eu nunca comi com tanta vontade, não mais pela fome, mas porque vieram das mãos de um ser divino.

O aprendizado está por todo canto. Um excelente 2015!!!