OPINIÃO
14/02/2014 11:31 -02 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

A hora é agora

Ano de Copa, de eleições e, principalmente, de muitos problemas. 2014 começou com tudo: questões sociais afloradas, dificuldades com transporte, energia, saneamento e respeito. A situação nesse nosso Brasil não vai muito bem e só quem pode virar o jogo é o próprio brasileiro, aquele que ficou esperançoso nas manifestações de junho, que viu governantes com medo, mas que agora pode estar voltando ao ceticismo e desapego costumeiro.

Nossa sociedade civil em vários momentos dá exemplos de que é possível sim lutar com recursos escassos e melhorar as coisas, contrariando o genérico taxativo de que somos "ativistas de sofá" ou "de ocasião". No melhor jeitinho brasileiro, ONGs e entidades sem fins lucrativos lutam todos os dias para resolver pequenas e grandes injustiças. Seja um parque na Rua Augusta, falta de ensino de qualidade na periferia ou mesmo proteção a áreas de mananciais, que infelizmente só nos lembramos ser necessária quando os reservatórios já estão a 19% da capacidade e falta aquela boa chuva.

Por vezes rotulada de desorganizada, partidária e sem ação, nossa sociedade civil briga muitas vezes pra sair do anonimato. Projetos e ONGs com excelência e capacidade de ação repetidamente lutam sem sucesso por fundos, reconhecimento e doações.

No começo deste mês, e até o dia 12 de março, o Google abriu inscrições para o Desafio de Impacto Social. A competição dará R$ 1 milhão a quatro projetos submetidos por ONGs brasileiras. O foco é garantir que projetos de grande impacto em nossa sociedade (que envolvam tecnologia em sua forma mais ampla) saiam do papel.

A competição do Google já passou por Reino Unido e Índia, com resultados muito interessantes, como o projeto da SANA (Social Awareness, Newer Alternative), que levou água potável a dez vilarejos indianos (veja o vídeo abaixo).

O lançamento de uma iniciativa como essa, com apoio de uma empresa com a importância do Google, gera benefícios não só pela premiação dessas quatro ONGs, mas para a sociedade civil brasileira como um todo. Os projetos têm o potencial de chamar a atenção da sociedade para questões marginais, colocar entidades em evidência e facilitar financiamentos de dentro e fora do país.

Na época da faculdade, me lembro de uma colega que se empolgou com a ideia de participar, na Guatemala, de um projeto social de auxílio e educação a crianças carentes. Na época indaguei qual era o motivo de se lançar em tal empreitada em outro país, se há crianças e entidades com as mesmas demandas do nosso lado. Não que os problemas das crianças guatemaltecas não fossem dignos, pelo contrário, mas não é preciso ir longe para encontrar essas mesmas dificuldades aqui mesmo no Brasil. Ela me retrucou afirmando não ter conhecimento de projetos parecidos. Na hora me revoltei e encerrei a discussão. Hoje, com mais calma e experiência, entendo que de fato muitos dos projetos que precisam de voluntários não encontram interessados por falta de vitrine.

Nesse sentido, o desafio do Google pode ter um valor muito maior do que o milhão que será distribuído. Pode contribuir para que mais empresas adotem essas iniciativas, que pessoas entrem em contato com entidades que podem fazer a diferença e que deixemos, ao menos um pouco, de só reclamar e não fazer nada a respeito. Ou seja, a hora é agora, ONGs. Vamos aproveitar os holofotes colocados em nosso país em 2014 pra mostrar o que é de fato necessário.