OPINIÃO
16/10/2014 17:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

No Dia Mundial da Alimentação, quatro motivos para dizer não aos ovos convencionais

Image by Catherine MacBride via Getty Images

No dia de hoje, diversas empresas, instituições e pessoas ao redor do mundo comemoram o Dia Mundial da Alimentação. Nessa data simbólica, convidamos todos a fazerem escolhas alimentares mais éticas e sustentáveis que beneficiarão não só a agricultura familiar e o meio ambiente, mas também os animais e a nossa saúde.

O Dia Mundial da Alimentação acontece logo após o Dia Mundial do Ovo, que foi promovido por varejistas e pela indústria da avicultura em todo o Brasil. No entanto, nem todos os ovos são iguais. Consumidores que se importam com os produtores familiares, o meio ambiente e o bem-estar animal deveriam optar por ovos produzidos sem gaiolas - que exibem os rótulos livre-de-gaiola, caipira e orgânico -, ao invés de consumir ovos convencionais, produzidos por galinhas confinadas em gaiolas minúsculas por toda a vida. Isso porque, no Brasil, a maioria dos ovos produzidos sem gaiolas é oriunda de produtores de menor escala e também da agricultura familiar. Por isso, ao consumir esses ovos, as pessoas também estarão apoiando os pequenos produtores e as práticas mais humanitárias, sustentáveis e saudáveis adotadas por eles.

Mas além de ajudar produtores familiares e mais éticos, existem quatro outros motivos para dizermos não aos ovos convencionais.

Motivo 1: A produção convencional de ovos é cruel

Imagine ter que passar a vida inteira em um elevador pequeno com mais seis pessoas, onde você não pode sequer esticar seus braços completamente. Essa é a realidade da vida de mais de 80 milhões de galinhas usadas na produção de ovos convencionais no Brasil.

Mais de 95% das galinhas usadas para produzir ovos no nosso país vivem por até dois anos confinadas em gaiolas em bateria, onde mal podem se mover. Na produção de ovos convencionais, vendidos como ovos brancos ou vermelhos, cada galinha tem em média um espaço menor que uma folha de papel A4 para viver. A falta de espaço impede que os animais estiquem suas asas completamente e realizem seus comportamentos naturais mais básicos - que são extremamente importantes para o seu bem-estar - como correr, botar ovos em ninhos, empoleirar-se, tomar banhos de terra e ciscar. A condição de superlotação extrema também acarreta em vários problemas físicos, como a perda de penas dado o contato permanente com o arame da gaiola. Além disso, a impossibilidade total de exercício combinada com a alta produção de ovos pode causar osteoporose e resultar em fraturas e dor.

Motivo 2: O mundo está deixando de usar gaiolas e você pode ajudar o Brasil a fazer o mesmo

As gaiolas em bateria convencionais são consideradas tão cruéis que já foram proibidas em todos os 27 países membros da União Europeia, na Nova Zelândia, no Butão e em diversos estados dos EUA, Canadá e Austrália. A maioria dos estados da Índia, terceiro maior produtor mundial de ovos, já declarou que as gaiolas violam a legislação nacional contra a crueldade animal e uma proibição federal está sendo considerada.

Grandes multinacionais do setor alimentício - como Burger King, Subway, Sodexo e Compass Group - já estão usando ovos produzidos sem gaiolas em algumas de suas operações nos EUA e na Europa. A Unilever - fabricante das maioneses Hellmann's e Arisco - já se comprometeu a somente usar ovos produzidos em sistemas sem gaiolas em todo o mundo até 2020, incluindo no Brasil. A Nestlé também prometeu fazer o mesmo ao anunciar uma política global este ano. Outro exemplo é a Heinz, que se comprometeu a descontinuar a compra de ovos produzidos em gaiolas gradualmente e já vende maionese feita com ovos caipira no Brasil.

Recuse-se a consumir ovos de galinhas engaioladas. Dessa forma, você estará mandando uma clara mensagem de protesto a empresas do setor alimentício, e assim as estimulando a adotar políticas para eliminar esse sistema em suas cadeias de fornecimento também no Brasil.

Motivo 3: Ovos produzidos sem gaiola são melhores para a segurança dos alimentos

No Brasil, as infecções alimentares causadas por salmonela são um sério problema de saúde pública e os ovos são a principal fonte de contaminação. Crianças, mulheres grávidas e idosos são mais suscetíveis a infecções por salmonela, que podem chegar à corrente sanguínea e levar a morte se não forem devidamente tratadas.

Um grande número de estudos científicos mostra que o confinamento de galinhas em gaiolas aumenta o risco de contaminação por salmonela, quando comparado à contaminação em sistemas em que as aves ficam soltas e gaiolas não são usadas. Um estudo de caso publicado pelo American Journal of Epidemiology constatou que pessoas que tinham comido ovos produzidos em gaiolas apresentavam probabilidade duas vezes maior de serem infectadas por salmonela. E um trabalho do periódico de Cambridge Epidemiology and Infection concluiu que pessoas que consumiram ovos produzidos sem gaiolas tinham risco cinco vezes menor de contaminação, quando comparadas a pessoas que consumiram ovos de galinhas engaioladas.

Motivo 4: Você pode consumir de forma mais sustentável e ética

Preste atenção nas embalagens. No Brasil, existem sistemas de produção de ovos com melhores padrões de bem-estar animal que não usam gaiolas. Esses ovos são vendidos com os rótulos livre-de-gaiolas, caipira e orgânico.

No sistema livre-de-gaiolas, frequentemente acompanhado de certificações de bem-estar animal, as galinhas são criadas soltas em galpões onde existem áreas com ninhos e espaços para ciscar e tomar banhos de terra. Os sistemas caipira e orgânico vão além, dando também a oportunidade para que as galinhas saiam dos galpões durante o dia e tenham acesso a áreas externas, onde elas podem desfrutar de mais comportamentos naturais, como procurar insetos e plantas para comer.

Uma alimentação mais ética e sustentável também pode ser feita por meio da redução do consumo de ovos. Adaptar receitas tradicionais para receitas que não usam ovos é bem mais fácil do que muitos imaginam.

Nós, da Humane Society International - HSI, trabalhamos para reduzir o sofrimento pelo qual os animais criados para consumo são submetidos durante a cria, o manejo, a reprodução, o transporte e o abate. Nós apoiamos produtores que adotam os devidos cuidados na criação de animais e tomam decisões de acordo com a ética básica da compaixão por esses seres sencientes, assim promovendo um modelo de agricultura mais humanitário e sustentável. Nós também promovemos os princípios da redução do consumo de produtos de origem animal, ou substituição por produtos de origem vegetal, e o refinamento do consumo por meio da exclusão de produtos oriundos das piores práticas, tais como a produção de ovos em gaiolas.

Junte-se a nós hoje e ajude-nos a criar um futuro mais compassivo e sustentável no Dia Mundial da Alimentação.

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