OPINIÃO
30/09/2014 17:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Você tem fome de quê?

Shutterstock / Zurijeta

O assunto vem à mesa de todos nós, diariamente. Não só porque temos filhos e porque nos preocupamos com o que eles comem, mas porque uma em cada quatro crianças brasileiras está obesa segundo dados do Ministério da Saúde. Alarmante se pensamos que vivemos num país onde a oferta de frutas, legumes e verduras é gigantesca e que nossa cultura alimentar sempre privilegiou refeições completas e a mesa. Crianças precisam recuperar a alimentação saudável dentro de casa e nas escolas. Crianças precisam receber educação alimentar de qualidade. Em equilíbrio, sem exageros, de forma natural. E o que é isso afinal?

Obesidade infantil e alimentação saudável são assuntos correlatos e dos mais falados ultimamente. Governos, escolas, pais, educadores e até planos de saúde têm se preocupado com o que se põe à mesa no dia a dia dessas crianças. A comidinha caseira de antigamente está sumindo das casas brasileiras e dando lugar, cada vez mais, infelizmente, a comida instantânea. Entende-se instantânea como enlatados e ensacados. Tudo que vem semi-pronto, semi-assado, semi qualquer coisa é cheio de sódio, açucares, gorduras, ácidos e corantes. É mais prático. Ok. Isso sabemos. E para famílias que têm pai e mãe na rua trabalhando, resta a praticidade no dia a dia. É perfeitamente compreensível se olharmos o fenômeno dentro desse contexto de estrutura familiar brasileira. Mas não pode ser justificativa e nem tornar-se um hábito ou modo de vida. Educar dá trabalho, lembrem-se disso. Por tanto educação alimentar dá trabalho. E garantir que seu filho como alimentos saudáveis, o mais natural e orgânico possível, muitas frutas e verdes, vai garantir a ele uma estrutura física mais integra e forte.

A alimentação saudável também encontra barreira na criança que diz "eu não gosto disso" e nas famílias que, para garantir que o filho coma algo, atendem a pedidos e trocam alimentos bons por frituras e guloseimas. As refeições estão compostas cada vez mais por frituras com muita batata e empanados. Os legumes, quando aparecem, são motivos de briga na mesa ou viram moeda de troca. Apela-se para "se você comer depois eu te dou isso". E dessa forma as crianças vão dominando ainda mais a seara da educação familiar. Trocam também lanches que deveriam ser compostos por frutas e iogurtes, por exemplo, por biscoitos recheados e salgadinhos. Sem falar nos refrigerantes que são um capitulo a parte. Soma-se a isso o não sentar-se a mesa. Crianças comem com o tablete ligado, seja vendo um desenho ou até jogando joguinho. Inevitavelmente, ela perde a consciência do que esta comendo e da quantidade que esta ingerindo. Não aprende a olhar a comida e apreciar sabores e acaba comendo mais do que necessita. Ok. Sabemos também que você vai dizer que seu filho não come se não for com o aparelho ligado. Que ele está acostumado e que dá um ataque se você não ligar. Isso acontece sim, mas é preciso ter força e provocar a mudança. Sem brigas, sem ataques de nervos, mas com firmeza e a certeza de que a mudança só trará benefícios a seu filho.

Bom, mas depois dos dois parágrafos acima parece que tudo está perdido e que você é uma péssima mãe? Não! A gente não acredita nisso e por isso estamos aqui para trazer informação. Então vamos lá: nada, absolutamente nada, do que foi citado acima é proibido. O que não pode é virar rotina, é ser a base da alimentação diária de uma criança. O equilíbrio está justamente em saber compor comida + guloseimas e trash food, como a gente chama. E o que devemos entender por comida? "Comida é um bom prato de arroz feijão + uma carne + um legume. De preferência preparado em casa, com pouco sal e temperinho gostoso", ensina a nutricionista Adriana Kachani, da clínica Pacaembu. Sabe o prato de comida que a gente comia? O almoço que tínhamos antes de ir para a escola? É disso que essas crianças precisam. De comida caseira, de um prato equilibrado e rico em nutrientes, de mais frutas e menos sucos, de pouco sal, pouco açúcar. E dai quando tiver um nuggets ou um hambúrguer ninguém vai sofrer. O que hoje é dia a dia precisa tornar-se esporádico. Basicamente é por ai. O jornalista e estudioso americano de alimentação Michel Polan diz que tudo que sua avó considerava comida é o que devemos comer. Portanto, hora de resgatar aquele livro de receitas do armário. ;)

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