OPINIÃO
06/02/2015 13:59 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Viver é aprender

No fundo (ou lá no começo de tudo), educamos para a liberdade. Liberdade de escolhas, de ações, de ir e vir. E é na escola que a criança tem a possibilidade de experimentar, pela primeira vez, o que é ter um espaço seu. Espaço onde os pais são convidados a entrar e a participar, mas que, antes de tudo, é dela, da criança. Do portão pra dentro os pais delegam a escola a responsabilidade de ditar as regras e apresentar um outro pedaço desse imenso mundo. E do portão pra dentro, as crianças descobrem e experimentam o primeiro cheiro do que vamos chamar de liberdade, individualidade e coletividade. São regras em sociedade agora.

barnabywasson/Flickr

E aí seu filho te pede a mão na fila de entrada para a sala de aula. É o primeiro dia do 1o ano do fundamental. Ele não está mais no jardim de infância. Ele cresceu. É um pequeno menino grande. E ainda precisa muito de você. Porque ele ainda é criança. E é no tempo de escola que se é criança. Rumo ao portal da liberdade. Porque no fundo (ou lá no começo de tudo), educamos para a liberdade. Liberdade de escolhas, de ações, de ir e vir. E é na escola que a criança tem a possibilidade de experimentar, pela primeira vez, o que é ter um espaço seu. Espaço onde os pais são convidados a entrar e a participar, mas que, antes de tudo, é dela, da criança. Do portão pra dentro os pais delegam a escola a responsabilidade de ditar as regras e apresentar um outro pedaço desse imenso mundo. E do portão pra dentro, as crianças descobrem e experimentam o primeiro cheiro do que vamos chamar de liberdade, individualidade e coletividade. São regras em sociedade agora.

É o começo de uma longa descoberta. Onde a criança descobre que o mundo vai além do colo da mãe e do pai. Tem pátio, areia, balanço, lições também e outras crianças. Assim como ele. Tem também letras, números, tintas, e possibilidades. A escolar oferece possibilidades ao aluno. Possibilidade não só de aprender, porque isso é obvio, mas de viver em grupo, de partilhar e compartilhar, de esperar, de dar, de perder, de ganhar, de dividir... Mesmo que as divisões comecem com laranjas ou bananas na hora do lanche e depois virem pizza na aula de fração. Na escola se aprende os valores morais da vida. Porque mais do que formar estudantes, forma-se seres humanos.

Viver é aprender e vivesse aprendendo. A dor de "perder" o melhor amigo porque ele ficou na sala ao lado se transforma em cor logo que se descobre os novos colegas ou o giz colorido na lousa. E se descobre a possibilidade de que amizades não acabam da porta pra fora da escola. Momento de ensinarmos aos nossos filhos que amigos são vão muito além da pausa (ou recreio) no pátio. Amigos de escola vão com a gente pra vida. Assim se constroem as amizades de peito - já cantou Milton Nascimento.

Escola é realmente algo muito especial. Onde já se viu dizer que tem um problema de matemática e todo mundo levantar a mão bem rápido pra tentar resolver. Ou dar aquele abraço bem forte na professora quando volta das férias. Tem amor. Amor em cada ensinamento, amor no dirigir a palavra, amor no olhar, até nas advertências. Porque a gente se apaixona pelos conhecimentos transmitidos com amor.

E logo eles crescem e saem pelo mesmo portão que entraram. Cheios de saudades, mas de peito estufado. Porque a vida foi vivida e ela muda. Tem que mudar. Tem movimento. E mesmo com todas as mudanças na educação (sim porque está mudando e precisa!), será sempre na escola que as crianças vão aprender conceitos básicos da vida. E nós vamos sempre estender a mão, dar a mão. Porque escola e família devem andar juntas. A educação é uma só e todos somos responsáveis. Há que se cuidar do broto para se cuidar da vida - já dizia, novamente, o grande Milton.

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